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Fora do ritmo

Polícia Federal faz busca na casa do filho de Luís Carlos Prestes

A Polícia Federal realizou operação de busca e apreensão nos escritórios do empresário Antônio João Ribeiro Prestes na última sexta-feira (21/1), em Joinville, Santa Catarina. João Prestes é o filho mais velho de Luís Carlos Prestes, o carismático líder comunista que esteve presente nos mais importantes momentos da vida política brasileira do século XX.

Prestes e sua mulher, Joseney Braska Negrão, supervisora da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil, são investigados por formação de quadrilha e peculato (apropriação indevida ou desvio de dinheiro público).

O mandado de busca e apreensão, expedido pela Justiça Federal, começou a ser cumprido por volta das 9h e a só terminou no início da tarde. Documentos e computadores foram retirados da mansão do casal em um condomínio fechado no Bairro Glória, do escritório de Prestes no Centro e da Escola do Teatro Bolshoi, em Joinville.

Operações idênticas foram realizadas simultaneamente no escritório de Prestes em Curitiba, em três locais na cidade do Rio de Janeiro e em Rio Bonito, também no estado do Rio. O material será analisado por uma equipe de investigação e pela Polícia Federal. O objeto das buscas não foi divulgado, pois a ação corre em segredo de Justiça.

João Prestes é o responsável pela instalação em Joinville da Escola de Teatro Bolshoi, a única escola da famosa companhia de balé que fica fora da Rússia. A instituição sem fins lucrativos atende a mais de 200 crianças carentes.

O projeto Bolshoi no Brasil é promovido pela Fundação Cultural de Joinville, órgão da prefeitura municipal, que em 1999 assinou um contrato com a Paramount Avsiory Services, empresa de João Prestes que representa a companhia russa. Prestes, que é engenheiro, viveu 25 anos em Moscou.

Para se instalar e operar em Joinville, o Bolshoi recebe 120 mil dólares por ano de royalties e mais 16 mil dólares mensais para manter no Brasil seis professores e dois pianistas russos. Além do dinheiro que recebe da Fundação Cultural de Joinville, a Escola conta também com um contrato de patrocínio dos Correios, no valor de R$ 10 milhões em três anos.

O Ministério Público Federal investiga a administração da Escola do Teatro Bolshoi no Brasil há cerca de um ano. O procurador da República, Davy Lincoln Rocha, suspeita que Prestes tenha desviado verbas públicas para quatro empresas suas no exterior. Prestes e sua mulher podem ser acusados por improbidade administrativa e desvio de dinheiro público.

O procurador suspeita também que a empresa Paramount Advisory Services, com sede em Dublin, Irlanda, que recebe o dinheiro de royalties e salários de professores russos, pagos ao Balé Bolshoi de Moscou por sua extensão brasileira, seja uma empresa fantasma.

Revista Consultor Jurídico, 26 de janeiro de 2005, 18h59

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