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Centro nervoso

O doleiro Toninho da Barcelona deve ser ouvido nesta terça

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O doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, deve ser ouvido na tarde desta terça-feira (16/8) por uma delegação da CPMI dos Correios. Na noite desta segunda-feira, o senador Delcídio Amaral (PT-MS), presidente da Comissão Parlamentar, negociou a audiência de Barcelona com o secretário de Segurança Pública de São Paulo, Saulo Abreu de Castro Filho.

Diz a assessoria do presidente da CPMI dos Correios que Saulo comprometeu-se a providenciar o deslocamento do doleiro para a capital do estado. Toninho da Barcelona deve ser ouvido pelos parlamentares no Deic — Departamento Investigação sobre o Crime Organizado ou na sede da Polícia Federal na cidade, na zona norte de São Paulo.

Os parlamentares da CPMI que devem tomar o depoimento do doleiro são os senadores Antônio Carlos Magalhães Neto (PFL-BA), Demóstenes Torres (PFL-GO) e Ideli Salvatti (PT-SC), além dos deputados Carlos Sampaio (PMDB-SP) e Arnaldo Faria de Sá (PTB-SP).

Toninho Barcelona está preso desde agosto de 2004 em um presídio em Avaré (SP). Ele tem duas condenações, uma de autoria do juiz Sérgio Moro, do Paraná, e outra por parte do juiz Fausto Martim de Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo. As estimativas são as de que Toninho da Barcelona tenha movimentado, em apenas uma de suas contas, mais de US$ 190 milhões.

Os parlamentares não pretendem somente cercar o depoimento em torno da idéia de que ele seja o “doleiro do PT”. Também investiga-se que ele tenha remetido ao exterior dinheiro do PSDB. A premissa de que Barcelona é o “doleiro do PT” nasceu, sobretudo, a partir do afastamento do ex-superintendente da PF em São Paulo, Francisco Baltazar da Silva. Baltazar foi chefe de segurança nas quatro campanhas ao Planalto disputadas por Lula.

O nome de Baltazar brotou de relatório de inteligência da PF, remetido à corregedoria do órgão pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Hélio Egydio de Matos Nogueira. A corregedoria da PF atribuiu a Baltazar a movimentação de US$ 134,6 mil na casa de câmbio de Claramunt e remessas de dinheiro para o exterior.

O relatório final da CPI do Narcotráfico apontou que o doleiro Toninho da Barcelona recebeu de fora do país US$ 29,7 milhões entre 1995 e 1997 e remeteu US$ 1,34 milhão no mesmo período.

Barcelona ganhou as manchetes em agosto do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Farol da Colina — conhecida também como Operação Polvo ou Faroleiro. A Operação Farol da Colina levou este nome em referência à conta-ônibus Beacon Hill, cuja tradução literal é “colina do farol”. A Beacon Hill foi apontada como uma das maiores lavadoras de dinheiro no esquema do Banestado de Foz do Iguaçu, agência acusada de ter lavado em 4 anos, junto com o Banestado de Nova York, cerca de US$ 30 bilhões.

A Operação Farol da Colina visava buscar computadores e documentos dos investigados por lavagem de dinheiro sujo. A conta Beacon Hill Service Corporation foi descoberta pelo promotor distrital (district attorney) de Manhattan, Robert Morgenthal. Seria intermediária na abertura de outras contas em paraísos fiscais e em esquemas de lavagem de dinheiro. Segundo o MP americano, entre 2001 e 2002 a Beacon Hill teria movimentado remessas num total de US$ 3,2 bilhões — em apenas 40 subcontas que tiveram quebra de sigilo pelas autoridades americanas.

Conta Tucano

A Beacon Hill foi a responsável pela abertura da subconta camuflada “Tucano” (número 310.035), no banco J.P. Morgan Chase, que recebia transferências ilegais de dinheiro. Segundo a CPI do Banestado, saíam remessas em nome da Beacon Hill para contas de políticos brasileiros, como Ricardo Sérgio Oliveira, ex-caixa da campanha do PSDB, e João Bosco Costa, ex-diretor do Previ.

A conta também teria agenciado 18 remessas para contas em paraísos fiscais feitas pelo presidente da Ponte Preta de Campinas, Sérgio Carnielli, que somam US$ 615 mil. Na conta Tucano, segundo a CPI, a Beacon Hill teria movimentado cerca de US$ 28 milhões, entre 1996 e 1998.

Toninho da Barcelona também fez uma ponta no espetáculo chamado Operação Anaconda, deflagrada em 30 de outubro de 2003, e que levou à cadeia o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, entre outros. Na deflagração da Anaconda, que inaugurou a série de mega-operações de impacto da PF, a desembargadora federal Terezinha Cazerta escreveu que:

“Menciona-se a existência de ligação estável entre os membros da organização, bem como o envolvimento entre réus e seus advogados com magistrado, como nos casos de Toninho da Barcelona (Antonio Oliveira Claramunt) e Law (Law Kin Chong), em que aparecem imensas tratativas entre César, Bellini, Norma, Wagner. Ainda aparece possível braço da quadrilha, mediante envolvimento de Ari Natalino, da denominada Máfia dos Combustíveis. Relata-se a suspeita de ‘troca de favores’ como oferecimento de presentes e passagens aéreas, requisição de funcionários, fornecimento de aparelhos eletrônicos, manutenção de numerário em conta bancária no exterior etc”.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de agosto de 2005, 9h31

Comentários de leitores

1 comentário

Prevendo os protestos daqueles que queiram desq...

Ottoni (Advogado Sócio de Escritório)

Prevendo os protestos daqueles que queiram desqualificar a testemunha, quero lembrar que ela é responsável por ações delituosas idênticas àquelas cometidas pela imensa maioria dos membros do Legislativo e do Executivo nacionais. A diferença é o azar de ter sido descoberto e não ter imunidades(leia-se impunidades)parlamentares. Vamos ouvir o Barcelona com todo o respeito que merecem os nossos políticos, torcendo para que estes, em breve, estejam na mesma posição da testemunha.

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