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Conheça as ligações de Barcelona, “o doleiro dos políticos”

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O doleiro Antonio Oliveira Claramunt, o Toninho da Barcelona, está sendo ouvido nesta terça-feira (16/8) por uma delegação de 13 parlamentares da CPMI dos Correios. O depoimento é tomado na delegacia-geral da Polícia Civil em São Paulo.

Toninho Barcelona está preso desde agosto de 2004 em um presídio em Avaré (SP). Ele tem três condenações, uma de autoria do juiz Sérgio Moro, da 2ª Vara Federal de Curitiba, outra por parte do juiz Fausto Martim de Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo e a terceira do juiz Guy Vanderley Marcuzzo, da 1ª Vara Federal de Cascavel, no Paraná. As estimativas são as de que Toninho da Barcelona tenha movimentado, em apenas uma de suas contas, mais de US$ 190 milhões.

Os parlamentares não devem cercar o depoimento em torno da idéia de que ele seja o “doleiro do PT”. Também se investiga que ele tenha remetido ao exterior dinheiro do PSDB. A premissa de que Barcelona é o “doleiro do PT” nasceu, sobretudo, a partir do afastamento do ex-superintendente da PF em São Paulo, Francisco Baltazar da Silva. Baltazar foi chefe de segurança nas quatro campanhas ao Planalto disputadas por Lula.

O nome de Baltazar brotou de relatório de inteligência da PF, remetido à corregedoria do órgão pelo juiz da 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo, Hélio Egydio de Matos Nogueira. A corregedoria da PF atribuiu a Baltazar a movimentação de US$ 134,6 mil na casa de câmbio de Claramunt e remessas de dinheiro para o exterior.

O relatório final da CPI do Narcotráfico apontou que o doleiro Toninho da Barcelona recebeu de fora do país US$ 29,7 milhões entre 1995 e 1997 e remeteu US$ 1,34 milhão no mesmo período.

Barcelona ganhou as manchetes em agosto do ano passado, quando a Polícia Federal deflagrou a Operação Farol da Colina — conhecida também como Operação Polvo ou Faroleiro. A Operação Farol da Colina levou este nome em referência à conta-ônibus Beacon Hill, cuja tradução literal é “colina do farol”. A Beacon Hill foi apontada como uma das maiores lavadoras de dinheiro no esquema do Banestado de Foz do Iguaçu, agência acusada de ter lavado em 4 anos, junto com o Banestado de Nova York, cerca de US$ 30 bilhões.

A Operação Farol da Colina visava buscar computadores e documentos dos investigados por lavagem de dinheiro sujo. A conta Beacon Hill Service Corporation foi descoberta pelo promotor distrital (district attorney) de Manhattan, Robert Morgenthal. Seria intermediária na abertura de outras contas em paraísos fiscais e em esquemas de lavagem de dinheiro. Segundo o MP americano, entre 2001 e 2002 a Beacon Hill teria movimentado remessas num total de US$ 3,2 bilhões — em apenas 40 subcontas que tiveram quebra de sigilo pelas autoridades americanas.

Conta Tucano

A Beacon Hill foi a responsável pela abertura da subconta camuflada “Tucano” (número 310.035), no banco J.P. Morgan Chase, que recebia transferências ilegais de dinheiro. Segundo a CPI do Banestado, saíam remessas em nome da Beacon Hill para contas de políticos brasileiros, como Ricardo Sérgio Oliveira, ex-caixa da campanha do PSDB, e João Bosco Costa, ex-diretor do Previ.

A conta também teria agenciado 18 remessas para contas em paraísos fiscais feitas pelo presidente da Ponte Preta de Campinas, Sérgio Carnielli, que somam US$ 615 mil. Na conta Tucano, segundo a CPI, a Beacon Hill teria movimentado cerca de US$ 28 milhões, entre 1996 e 1998.

Toninho da Barcelona também fez uma ponta no espetáculo chamado Operação Anaconda, deflagrada em 30 de outubro de 2003, e que levou à cadeia o juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, entre outros. Na deflagração da Anaconda, que inaugurou a série de mega-operações de impacto da PF, a desembargadora federal Terezinha Cazerta escreveu que:

“Menciona-se a existência de ligação estável entre os membros da organização, bem como o envolvimento entre réus e seus advogados com magistrado, como nos casos de Toninho da Barcelona (Antonio Oliveira Claramunt) e Law (Law Kin Chong), em que aparecem imensas tratativas entre César, Bellini, Norma, Wagner. Ainda aparece possível braço da quadrilha, mediante envolvimento de Ari Natalino, da denominada Máfia dos Combustíveis. Relata-se a suspeita de ‘troca de favores’ como oferecimento de presentes e passagens aéreas, requisição de funcionários, fornecimento de aparelhos eletrônicos, manutenção de numerário em conta bancária no exterior etc”.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 16 de agosto de 2005, 16h20

Comentários de leitores

1 comentário

Irretocável a matéria de Cláudio Tognolli. A re...

Fábio Carvalho (Jornalista)

Irretocável a matéria de Cláudio Tognolli. A revista Veja afirmou que "em seu relatório final, José Mentor suprimiu o capítulo referente ao Banco Rural". Assim, amparada pelo senador tucano Antero Paes de Barros (MT), a revista sonegou a informação de que a CPI do Banestado, simplesmente, não teve NENHUM relatório final. Por quê? Porque o presidente Antero encerrou a CPI sem permitir a votação!!! Cheques do PSDB de Mato Grosso (e da Assembléia Legislativa de Mato Grosso) foram encontrados nas factorings de João Arcanjo Ribeiro, o comendador, condenado a 37 anos de prisão, (e investigado pela mesmíssima CPI do Banestado). Só que o comendador está no Uruguai e sua extradição se arrasta de modo estranhíssimo. Outra coisa: a petista Ideli Salvati recolheu assinaturas para instalar a CPI do Banestado em sua estréia no Senado. Com apoio suficiente, ela, inexplicavelmente, sentou-se sobre o requerimento. Não o aprsentou. Por quê?

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