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Tribunal das circunstâncias

Executivo do Ministério da Integração se afasta por dignidade

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Encerrado o primeiro turno da última campanha presidencial quando, a convite de Duda Mendonça, a equipe de publicitários do ex-candidato Ciro Gomes se uniu ao staff petista, a boa-vontade geral tropeçou em um obstáculo: era preciso pagar o pessoal e essa verba não havia sido programada. Márcio de Araújo Lacerda, um dos coordenadores da campanha de Ciro, que depois se tornaria secretário-executivo do Ministério da Integração, ligou para o tesoureiro petista, Delúbio Soares e colocou o problema. Para o pagamento, Delúbio reservou a quantia de 457 mil reais destinada à empresa New Trade. E anotou em sua contabilidade, ao lado do lançamento da despesa, o nome de "Márcio Lacerda".

No contexto de então, acompanhado de perto por este site que cobriu a campanha presidencial, o fato nada tinha de suspeito nem de esquisito. No contexto atual, misturada a fatos menos inocentes, essa passagem soou nesta terça-feira (2/8) como um pecado. E para mostrar que não convive com esse tipo de clima, Márcio de Araújo Lacerda afastou-se do cargo para que qualquer investigação a respeito avance sem dificuldade.

Para anunciar sua saída do governo, para onde pode voltar com o esclarecimento dos fatos, Lacerda mandou carta a Ciro Gomes, informando das razões de seu afastamento e explicando porque seu nome teria aparecido nas anotações de Marcos Valério. A New Trade garante ter emitido Nota Fiscal pelos serviços. A questão por se apurar é se os recursos utilizados para essa finalidade foram registrados oficialmente e informados à justiça eleitoral. Em entrevista à Folha de S.Paulo Delúbio afirmou que em todas as campanhas petistas houve caixa 2, exceto na que elegeu o presidente Lula.

Leia a íntegra da carta que o secretário-executivo do Ministério da Integração enviou ao ministro Ciro Gomes

Brasília, 02 de agosto de 2005

Exmo. Sr.

Ministro Ciro Gomes

Desde o primeiro momento em que me apresentei como voluntário para apoiar sua missão por um País melhor, há mais de cinco anos, venho pautando minhas ações pela lealdade e transparência no relacionamento profissional, o que permitiu a consolidação da confiança e da amizade que hoje nos une.

Sou profundamente grato pela oportunidade que tive, a seu convite, de trabalharmos juntos para tornar respeitado um Ministério e uma equipe que encontramos em situação lamentável e assim darmos nossa contribuição honesta ao Governo do presidente Lula e ao País.

O Ministério da Integração Nacional encontra-se em um momento importante de sua gestão - conquistas importantes estão se consolidando, e outras vitórias virão até o fim do mandato do presidente.

Para assegurar a normalidade da missão institucional do Ministério da Integração Nacional, e compreendendo que está em marcha uma tentativa de envolver esta Pasta e seu titular no ambiente de escândalos por que passa o País, solicito minha exoneração do cargo de Secretário-Executivo, uma vez que não desejo que essa suspeição infundada, contra mim assacada, prejudique esta instituição.

Com relação ao alegado recebimento de R$ 1 milhão, a única coisa que consegui apurar, até agora, é a seguinte: logo após o primeiro turno das eleições presidenciais de 2002, com o seu apoio à candidatura do presidente Lula, houve uma junção parcial das equipes de sua campanha à campanha nacional do PT — pessoal da agência New Trade, responsável pelo seu marketing, integrou-se, a convite de Duda Mendonça, à campanha do PT e de aliados nos estados, no segundo turno. Após a eleição, a New Trade teve dificuldade de receber o pagamento e pediu minha ajuda, o que era natural em função das minhas tarefas em 2002. Entrei em contato com Delúbio Soares, que prometeu encaminhar uma solução. Segundo a New Trade, os pagamentos foram feitos pela agência do sr. Marcos Valério. Conheci o Sr. Delúbio Soares em novembro de 2002.

Pude recuperar esta história hoje, depois que vi, em matéria publicada somente na edição da Folha de São Paulo vendida em bancas em São Paulo, sob o título "Pessoas ligadas a Duda Mendonça sacaram 15,54 milhões". Sob o meu nome, o nome de pessoas ligadas à New Trade, com pagamentos totalizando R$ 467 mil. Entrei em contato com a agência New Trade e confirmei os fatos.

Posso assegurar, com absoluta certeza, que não recebi nada, seja em cheque, em dinheiro ou em serviços, de nenhuma das fontes pagadoras citadas em todos estes episódios.

Tenho a consciência tranqüila de que, nos dois anos e sete meses de trabalho conjunto, dei o melhor de mim no cumprimento da missão que lhe foi confiada pelo presidente Lula.

Cordialmente

Marcio Araújo de Lacerda

 é diretor da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 2 de agosto de 2005, 20h32

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