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Conheça o relatório com alegações finais do MPF sobre a Anaconda

Por 

ACUSADO: Quando ele saiu?

RELATORA: Sim. Quando ele deixou de advogar...

ACUSADO: Eles passou o escritório para mim, ai eu abri a firma como consultoria. Affonso Passarelli e Guimil Advogados.

(omissis...)

RELATORA: O senhor não pagou nada para ele.

ACUSADO: Se eu paguei?

RELATORA: Para ficar com o escritório?

ACUSADO: Não, não paguei nada, ele devia muito para mim porque quando ele saiu da federal ele não tinha nada, eu o ajudei muito. O que fez foi me retribuir. Eu entendi é normal.

RELATORA: E não houve nenhum acerto financeiro?

ACUSADO: Não, nenhum.

RELATORA: E o senhor continuou tocando os casos em que ele atuava?

ACUSADO: Continuamos. Ainda tem uns quatro ou cinco.

RELATORA: Havia honorários dele por pagar?

ACUSADO: Tem, tem para pagar sim. (...(omissis)

RELATORA: Quando César saiu do escritório foi feito um levantamento das causas em que ele tinha honorários a receber?

ACUSADO: Não, não. Não porque ele sabia qual eram todas as que estavam entrando. Isso ai estava controlando, a Regina controlava, eu recebia.

RELATORA: Ele recebeu esses valores?

ACUSADO: Não, não recebeu nada ainda, não concluiu nenhuma.

RELATORA: Não houve pagamento?

ACUSADO: Não, nenhum.

RELATORA: O senhor começou a trabalhar com ele em que ano?

ACUSADO: 87, 88, mais ou menos quando a empresa onde eu trabalhava (...). Começou a decair.

(omissis....)

RELATORA: O senhor sabe qual é a renda mensal do escritório?

(omissis...)

ACUSADO: Renda mensal do escritório, nós temos... Deve dar... Não sei bem, hein, vou falar mais ou menos pelos contratos que eu lembro, alguns, né... é... Deve dar uns 80, 100 mil por mês, acredito.

RELATORA: Sempre foi assim ou já foi melhor ou pior?

ACUSADO: Não... De uns três anos para cá vem melhorando.

(omissis...)

RELATORA: E por que tinha coisas do João?

ACUSADO: Porque ele espalha, por causa da mulher dele que terminaram lá, ele não tinha onde por. E eu sabia que lá tinha. Se a senhora quer saber, eu acho que o doutor João, eu acho que não foi nenhuma vez no escritório. Não sei se foi perguntando isso para ele, mas eu acho que ele não foi nenhuma vez lá.

RELATORA: Mas ele tinha relacionamento com César?

ACUSADO: Muito amigo.

RELATORA: César cuidava dos negócios dele?

ACUSADO: Do João? Não. Teve uma dívida que falaram que era realmente compra de um carro, o César pagou.

RELATORA: César comprou um carro de João?

ACUSADO: João comprou um carro do César, aquele Smart, aquele pequenininho e não sei se pagou, se não pagou, se ficou devendo, se depois devolveu. Eles fazem muito rolo desse tipo. Eu não, eu não sou de perguntar. Quando chegam para mil e falam alguma coisa eu ouço, mais eu não gosto de saber muita coisa.

(omissis...)

RELATORA: O senhor sabe que relacionamento César tinha com o réu Jorge Bezerra?

ACUSADO: Eram amigos, parece que muitos amigos.

RELATORA: César que ofereceu o escritório para uso de Jorge?

ACUSADO: Provavelmente, provavelmente.

RELATORA: César participou dos casos em que atuou Jorge Bezerra?

ACUSADO: Eu acho que não porque não deve ter nenhum caso, ele estava começando lá, né. Não tem muito tempo.

(omissis...)

RELATORA: Foram apreendidos vários cheque em nome de César Herman. A que titulo esses cheque eram emitidos?

ACUSADO: Aí eu tenho que saber quais são os cheques. Porque realmente para lembrar é difícil. Eu não retirava nada, quando eu precisava de dinheiro se tinha algum negócio bom, ele me emprestava, passava, acho que uma ou duas vezes, tipo, 20 ou 50 mil não foi mais que isso. Depois eu devolvia. (17)

RELATORA: O César emprestava?

ACUSADO: O escritório me passava.

RELATORA: Dinheiro o escritório?

ACUSADO: é.

RELATORA: Depois o senhor devolvia.

ACUSADO: Ou dele, não sei, emprestava não sei de onde era.

RELATORA: Mas o senhor recebia valores mensalmente?

ACUSADO: Não. Nunca, eu não tiro nada (...).

RELATORA: E as suas despesas?

ACUSADO: Mínima, sozinho. Não vou a lugar nenhum, não gasto... Não saio, não vou a lugar nenhum, não bebo, não vou em bar, não faço nada.

RELATORA: E por que constava na contabilidade pagamentos a Bellini?

ACUSADO: Por que? Ah, só o César e, o César não, a Regina pode responder.

RELATORA: O senhor não sabe que negócio tinha com Bellini?

ACUSADO: De jeito nenhum, nem imagino porque pagamentos a Bellini, que serviços ele possa ter prestado ao escritório para fazer um pagamento.

RELATORA: E César? Fazia algum serviço para que o escritório devesse pagar?

ACUSADO: Diretamente não.

RELATORA: Mas ele retirava dinheiro no escritório?

ACUSADO: Se eram pagas ele tem que depois devolver no acerto de contas.

RELATORA: E isso sempre foi feito assim?

ACUSADO: Sempre. Depois que eu fiquei doente passou tudo para a mão dele.

RELATORA: Ele nunca acertou essas contas?

ACUSADO: Não, nunca fiz questão.

(omissis...)

RELATORA: E para pagamento do apartamento de Moema, 20 mil e apartamento de Moema, 90 mil? Bellini, 15 mil?

ACUSADO: Não, Bellini eu não sei, mais apartamento pode ter sido colocado como investimento e ia me dar um retorno maior. Com certeza, se foi para isso ia me dar um retorno maior.

RELATORA: O senhor adquiriu um apartamento em Moema?

ACUSADO: Não, não adquiri.

RELATORA: César adquiriu?

ACUSADO: Eu acho que é dele. Ele faz tanto rolo que é difícil... Eu posso me enganar... Compra, passa, troca, vende, pega de volta em outro rolo. Ele é assim e ganha dinheiro. Eu não consigo fazer isso mais ele faz com muita habilidade.

(omissis)

RELATORA: O senhor soube de um imóvel em construção que César comprou juntamente com Cícero Viana?

ACUSADO: Não sei se ele comprou, se ele entrou de sócio, se ele é participante, eu não queria que ele fizesse. Pessoalmente conversamos a respeito e eu era contra pelo fato de ser o Cícero Viana, que eu não confiava nele. Mas ele fez, mas não sei como fez, o que fez, se ganhou, perdeu, provavelmente perdeu. Mas não sei o negócio que foi feito, só ele pode dizer. Isso ele não conta para ninguém, só ele mesmo.

RELATORA: Mas foi com o dinheiro do escritório ou com o dinheiro dele?

ACUSADO: Uma parte do escritório, parece que uma parte ele tirou do escritório, mas como ele acreditava no negócio, ele é um investidor, ele cuida, ele é responsável. Se der prejuízo ele repõe.

RELATORA: O senhor autorizou?

ACUSADO: Não precisava autorizar, não existe autorização. Existe... Estamos conversando, você acredita? Eu não acredito. Você acredita? Então faz! Sabe, mas não... Não é: Não, não vai fazer, vamos brigar. Não, não é isso. Eu confio ou não confio.

RELATORA: Quando do escritório entrou nesse negócio?

ACUSADO: Ah... Acho que duzentos e poucos mil.

RELATORA: O senhor que fez o cheque?

ACUSADO: O cheque já estava assinado, se ele tirou... Foi só a Regina completar. Eu mando o cheque assinado.

RELATORA: Mas a Regina o consultou a respeito desse negócio?

ACUSADO: Não. Não, que a participação dela é muito pequena, ela se atém mais a parte jurídica mesmo.

RELATORA: Então pelo que eu entendi o César Herman tinha livre acesso e disponibilidade sobre o dinheiro do escritório?

ACUSADO: Financeira tinha, tinha. Com responsabilidade, né. Responsabilidade dele.

RELATORA: Sim, mas ele podia investir como bem entendesse?

ACUSADO: Podia.

Dos temos do interrogatório do co-réu AFFONSO PASSARELLI FILHO fica patente que sua participação no grupo se deu ao assumir a titularidade de escritório de advocacia -- que há anos não exercia, dedicando-se, a bem da verdade, à revenda de veículos -- conforme informado por D. F. B. (fls. 8.685), ex-companheira de CÉSAR HERMAN, tanta que sequer freqüentava o escritório, limitando-se a assinar cheques em branco para a movimentação das contas bancárias em nome do escritório, que recebia valores decorrentes da atividade criminosa, bem como de onde saiam os pagamentos de tantos quantos colaborassem na execução de tarefas afetas à mesma organização.

Cedeu seu nome para o escritório por meio do qual CÉSAR HERMAN movimentava-se com desenvoltura, dissimulando o real centro de atividade do referido escritório, qual seja intercâmbio de informações envolvendo investigações em cursos e/ou ações penais, central de recebimentos e pagamentos no interesse de vários integrantes da quadrilha.

 é repórter especial da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 25 de outubro de 2004, 13h21

Comentários de leitores

15 comentários

Fato estranho. O relatório e razões finais das ...

Gilwer João Epprecht (Advogado Sócio de Escritório - Criminal)

Fato estranho. O relatório e razões finais das acusadoras era até outro dia composto por 10 laudas. Tive a paciência de imprimí-lo todo. Tinha também, outros comentários, inclusive um meu. Agora só aparecem 6 laudas e poucos comentários. Alguns brilhantes como de destaque o enviado por José George referente ao massagista. Pensou exatamente como membro do MPF. Usando as palavras do ilustre e festejado Dr. Francisco Lobo da Costa Ruiz: "Apenas uma perguntinha inocente": Onde estão as outras 4 laudas e demais comentários??? O Consultor Jurídido não pode nos privar de tantas bravatas das acusadoras. Certo que sem nenhum fundamento concreto, especialmente com relação aos juízes Cassem e Ali Mazloum. É a minha opinião.

Pensa aqui comigo: o goleiro chuta a bola pra f...

Jose George ()

Pensa aqui comigo: o goleiro chuta a bola pra frente...a defesa do adversário faz a chamada "linha burra", tentando colocar o centroavante em situação de impedimento...o bandeirinha diz que é legal...o atacante avança...o goleiro sai da área....o artilheiro o encobre com um bonito e perfeito chute de fora de área...a torcida levanta...a bola vai entrar...está zero a zero...ao 44 do segundo tempo..a bola está entrando...alegria e furor na arquibancada....eis que o massagista, que estava encostado na trave, entra em campo e dá um chutão pra frente, impedindo que a bola entre... Escândalo total... O Ministério Público denuncia o massagista por perturbação do sossego, vadiagem (por estar encostado na trave), invasão de domicílio, pois a área pertence ao goleiro e é inviolável, por estar usando chuteira contrabandeada, adquirida na 25 de março. Denuncia também por formação de quadrilha, já que os 11 jogadores, o Presidente do time e o técnico foram-no abraçar. Em co-autoria, e com base no artigo 70 do C.P., ou no art. 69 (o M.P. tem dúvidas), denuncia toda a torcida por aplaudir o delinquente, alegando apologia de crime. O processo deveria tramitar me sigilo, porque ventilou-se que o Prefeito, Predidente do Clube e o da Federação que deveriam estar nas arquibancadas, estavam no motel fazendo a contablidade de suas respectivas "filiais". Mas o M.P. convoca a imprensa, mostra a chuteira contrabandeada do massagista, afirma que ele tem parte com o diabo (pq. cura as contusões rapidamente), que sua filha está grávida e que, na infância, por ser muito baixinho, era sempre deixado na reserva e que, talvez, por ter sido violado sexualmente por seu padrasto na infância, tenha resolvido se associar ao crime com todos os outros torcedores para violar a lei. Sua atitute, então, põe em risco a credibilidade do País e do esporte e, como medida exemplar, deve ter preventiva decretada e a perda de todas as suas chuteiras e suas receitas miraculosas de cura dos jogadores. Deve, ainda, ser impedido de exercer a profissão. E, os co-partícipes, em igual medida, na proporção de suas participações (art.29), não poderão mais comparecer aos estádios. Pede, ainda, que todos os demais massagistas de outros clubes, que eventualmente tenham sido violados por seus padrastros na infância, ou que tenham sido criados por vós e tias em kitinetes da Cohab, sejam suspensos preventivamente, pois sabe-se lá o que esses meliantes poderão fazer nos próximos jogos.

A visão do Dr. Francisco Lobo Costa Ruiz, esta...

Faiçal Saliba ()

A visão do Dr. Francisco Lobo Costa Ruiz, esta bem direcionada observandos-e que sem sombra de duvida ao ser trancada a ação penal por conta do habeas Corpus impetrado,cabe ao estado indenizar as pessoas que foram ofendidas em sua moral, dignidade que se estendeu aos seus familiares, sem justa causa. Ora se é risivel para o STF imaginem ao ser fixada a indenização que caberá a nós do povo pagar. Pois é o dinheiro do contribuinte que vai servir para pagar a(s) Indenização(oes)que ao final serão cobradas e diga-se devidas. Pois imaginem o filho dos acusados ao comparecerem no ambiente escolar, com o nome e fotografia do pai em todos os jornais, sendo acusado de forma vil. E´o julgamento moral que nem o tempo apaga.

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