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Pérolas Processuais

Pérolas: ‘O seu nome é Fátima, doutor?’, pergunta juíza.

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Ao apresentar-me à jovem juíza que presidia a audiência, como advogado da empresa ré, ela, com os autos em mãos, sabe-se lá com que propósito, perguntou-me: "O seu nome é Fátima, doutor?"

Há alguns nomes próprios que se prestam a tais confusões, como Darcy e Nadir, por exemplo. Não conheço, no entanto, nenhum registro de homem chamado Fátima. Surpreso com a inesperada indagação, pensei num primeiro momento em abandonar minha postura supostamente cavalheiresca e respondê-la com uma seca afirmação: "Não, meu nome é Raul!"

Mas um verdadeiro aprendiz não pode desprezar certas oportunidades... Olhando bem nos olhos da ilustre juíza e procurando produzir um leve e amigável sorriso, disse-lhe: "Quem me dera, excelência! Se eu me chamasse Fátima, seria mais jovem, mais bonito e meu pai ainda estaria vivo! Sou apenas o Raul, um dos advogados que constam aí na procuração, ao lado da dra. Fátima, que é minha filha!"

A juíza ficou meio sem graça, percebendo que na verdade havia sido infeliz na sua tentativa de fazer não sei o quê. Mas não perdeu a pose e ainda tentou se justificar: "É que quem assinou a contestação..."

Bastou um olhar para que ela preferisse calar-se...

Pois a Advocacia é assim. Se o advogado a todo momento que perceber que o tentam irritar, aceita a provocação e irrita-se, nossa atividade fica mais difícil, nossa paciência se esgota e nossa vida perde alguns minutos.

* Do advogado Raul Haidar, a propósito de recente audiência em São Paulo. O registro foi feito no livro "A Fórmula do Sucesso na Advocacia"

A coluna é publicada no site Espaço Vital -- www.espacovital.com.br

 é advogado, editor do site Espaço Vital e articulista da revista Consultor Jurídico.

Revista Consultor Jurídico, 8 de outubro de 2004, 11h59

Comentários de leitores

2 comentários

A arrogância desta Juíza é de inominável. Mas a...

JB. (Procurador do Município)

A arrogância desta Juíza é de inominável. Mas a saída encontrada pelo colega foi exemplar. Comigo aconteceu algo parecido. Em uma audiência trabalhista, em que eu representava a reclamada,o juiz me perguntou se a faca usada pelo reclamante demitido por justa causa para agredir o colega de trabalho não seria de brinquedo!!! "Faquinha de doce", me disse sua excelência com indisfarçável sarcasmo. Respondi: "Conforme consta dos documentos anexados com a contestação, Excelência, e conforme será demonstrado pelo depoimento da vítima, os pontos no braço do ofendido, foram bem amargos." A ação foi julgada procedente, mas no Tribunal o recurso ordinário foi provido por unanimidade, aliás, como não poderia deixar de ser. A advocacia tem dessas coisas.

O que se percebe nitidamente em tal episódio é ...

Marco Antonio de Oliveira ()

O que se percebe nitidamente em tal episódio é o que a maioria dos colegas (infelizmente) constata cotidianamente: a síndrome de semideuses, própria de uma minoria (felizmente) dos juízes que, com atitudes como a do caso, pensam (alguns têm certeza) que estão acima do bem e do mal, e que exercem sua profissão em país de primeiro mundo, e que advogados são uma subraça de indesejáveis coadjuvantes em um processo... Oh, quão difícil é ser e estar ADVOGADO, mormente diante de atitudes extremamente impertinentes como a narrada pelo Ilustre colega! Mas, resistir é a palavra de ordem.

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