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Serviço terceirizado

Maracanã se livra de pagar direitos trabalhistas a ambulante

A Quarta Turma do Tribunal Superior do Trabalho livrou a Superintendência de Desportos do estado do Rio de Janeiro (Suderj), responsável pela administração do Maracanã, de responder por obrigações trabalhistas de empresa que explora atividades comerciais dentro do estádio.

O Tribunal Regional do Trabalho do Rio de Janeiro (1ª Região) declarou a responsabilidade subsidiária da Suderj no processo movido por um vendedor ambulante. Ele trabalhava para uma empresa que, por meio de contrato de permissão de uso de bem público, explora o comércio de bar e restaurante dentro do Maracanã, segundo o TST.

Para o TRT-RJ, a administração do Maracanã seria a beneficiária final dos serviços prestados pelos empregados do permissionário e, por isso, deveria responder pelas obrigações trabalhistas. A Suderj alegou que não se aplica ao caso a jurisprudência do TST em relação à terceirização. O Enunciado nº 331 do TST estabelece que, quando o empregador não cumpre as obrigações trabalhistas, o tomador de serviços responde por elas.

O relator do recurso no TST, juiz convocado Luiz Antonio Lazarim, rejeitou a aplicação dessa jurisprudência ao caso. O contrato de permissão de uso de bem público não se confunde com a terceirização de serviços, segundo ele. O relator explicou que a responsabilidade subsidiária foi a forma de o Direito do Trabalho “enfrentar os percalços da terceirização de serviços que aflorou no campo trabalhista” a partir da década de 90.

Na terceirização, o tomador dos serviços transfere a execução de atividade-meio a terceiros, mas assume os riscos da atividade e também atrai para si os riscos de ser responsabilizado. Lazarim explicou que os prestadores de serviços submetem-se à fiscalização direta do tomador, assumem os riscos da atividade econômica e atraem para si os riscos da culpa in eligendo (por escolher mal o prestador de serviço) e in vigilando (falta de vigilância). Porém, “no campo da concessão de serviços públicos, a responsabilidade subsidiária não tem encontrado respaldo na jurisprudência”, afirmou.

RR 1613/1998

Revista Consultor Jurídico, 3 de novembro de 2004, 10h42

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