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Regime de cotas

Jornalista com deficiência visual toma posse no TRT-MS

A Constituição Federal de 1988, conhecida como “Constituição Cidadã”, trouxe expressamente em seu texto direitos, até então, inéditos aos portadores de deficiência, como por exemplo, proibição a qualquer tipo de discriminação. Dentre essas inovações constitucionais, destaca-se a determinação de reserva de percentual dos cargos em empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência.

Como base nesse dispositivo constitucional, no último dia 18/3, o jornalista e bacharel em direito, Silvio Henrique Lemos, tomou posse como analista judiciário do Tribunal Regional do Trabalho de Mato Grosso do Sul. Lemos é deficiente visual e, em virtude de sua formação em jornalismo, recebeu lotação no Gabinete de Comunicação do TRT, após ser aprovado em primeiro lugar no último concurso realizado pelo órgão.

Perda da visão

Silvio não enxerga desde os 12 anos, quando teve perda total da visão, em virtude de um glaucoma. Apesar disso, a deficiência visual nunca foi obstáculo para que ele conseguisse alcançar seus objetivos. “Continuei estudando para entrar em uma universidade e conseguir uma formação profissional”, diz.

Em 1996, ele prestou vestibular para os cursos de Jornalismo e Direito e foi aprovado nos dois. Sem medo de encarar os novos desafios, optou por fazer as duas faculdades. “Foram cinco anos difíceis, mas com o apoio dos colegas e, principalmente, da família consegui me formar”, conta. Após se formar em Direito, no final de 2000, e ser aprovado no exame da OAB em janeiro de 2001, Silvio resolveu advogar. “Minha carreira de advogado durou pouco, pois logo passei em um concurso do Poder Judiciário do Estado e entrei para o serviço público, onde pude trabalhar nas minhas duas áreas de formação”, diz.

A informática é aliada importante na execução das atividades profissionais de Silvio. Atualmente, a tecnologia para os deficientes visuais está bem desenvolvida. Programas com sintetizadores de voz permitem aos que não enxergam explorar a maioria dos recursos de informática como, por exemplo, navegar na internet e utilizar editores de textos. “Com essa ferramenta a nossa disposição, podemos interagir com a informática com independência”, comemora. (TRT-MS)

Revista Consultor Jurídico, 30 de março de 2004, 20h07

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