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Pedra no caminho

Lincoln Gordon diz que redemocratização do Brasil demorou muito

O Movimento de 31 de março de 1964 durou “demais”. E deixou aos brasileiros a lição de que é mais fácil destruir do que construir. A avaliação é de Lincoln Gordon, que a pedido da revista Consultor Jurídico resumiu o Movimento de 1964 em dois minutos de conversa.

Nascido em Nova York em 10 de setembro de 1913, Lincoln Gordon, embaixador dos EUA no Brasil entre 1961 e 1966, empolgou as fantasias das esquerdas a ponto de, após o movimento de 31 de abril de 1964, ter delas recebido a grita “Chega de intermediários: Lincoln Gordon para presidente”.

O fato é que Gordon -- hoje aos 91 anos e trabalhando do Brookings Institute, de Washington -- mesmo como amigo íntimo do presidente Castelo Branco condenava os rumos do movimento militar, sobretudo após o Ato Institucional nº 2, editado a 27 de outubro de 1965. Pelo AI 2, os julgamentos de adversários do regime passaram para a Justiça Militar. Foram extintos os partidos políticos e reinstaladas as eleições indiretas para a Presidência da República.

Gordon esteve no Brasil em março de 1979, quando se confessou “chocado com o desvirtuamento do movimento de 1964”. Agora, 40 anos depois, finca o pé na mesma posição. Saiba o que ele disse do Movimento de 64:

“Minha esperança, no mês de abril de 1964, era de uma rápida redemocratização do Brasil. Eu acho que ela foi infelizmente adiada por um tempo longo demais. Eu ainda acredito que o período de dura repressão poderia ter sido evitado. Mas a linha dura não quis e sua recusa foi muito custosa para o Brasil. Seu triunfo completo veio em 1965, com o Ato Institucional número 2. Houve uma bem sucedida insistência do presidente Castelo Branco em se dar posse aos governadores eleitos de Minas Gerais e da Guanabara. Mas comparando o ano de 64 com o ano atual, 2004, digo que a trágica experiência dos anos 70 e 80 parece ter deixado um resíduo muito importante: o respeito brasileiro nacional pelo valor da democracia e o reconhecimento de que é muito mais fácil destruir do que construir”.

Revista Consultor Jurídico, 29 de março de 2004, 10h51

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