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Preto no branco

Deplorável é a situação da Polícia Federal, não a greve.

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O senhor Márcio Thomaz Bastos, em visita à inauguração do TRT/SP, na sexta-feira passada (26/03), classificou a greve dos policiais federais de "abusiva e deplorável". Cabe aqui, em resposta, lembrar de situações realmente abusivas e deploráveis:

– DEPLORÁVEL foi como se conduziram as negociações após a paralisação de dezembro, quando, subitamente, após surgimento de"novo fato político" às vésperas do carnaval, os grevistas foram literalmente jogados à greve; fato deplorável!

– DEPLORÁVEL foi trair a confiança de milhares de policiais federais, pois quando de sua posse o senhor ministro prometera "transformar a PF no FBI brasileiro" e hoje se rende à "república dos delegados" (que, é bom lembrar, "não existem no organograma do FBI, nem de qualquer polícia de qualquer país civilizado"). Isto é deplorável!

– DEPLORÁVEL é ver a publicação de uma portaria, flagrantemente inconstitucional, ser assinada por um ex-respeitável advogado conhecedor do bom Direito; algo triste e deplorável!

– Receber vaias (abusivas), na inauguração de um prédio público (TRT/SP), é bastante constrangedor e deplorável.

– DEPLORÁVEL é assistir 90% dos integrantes da CARREIRA POLICIAL FEDERAL serem desrespeitados e obrigados a se lançar à greve (um direito constitucional de todo trabalhador) para se exigir que o seu "patrão" -- o ministro e o governo -- simplesmente CUMPRA A LEI!

– DEPLORÁVEL é perder o controle do Ministério da Justiça para o Diretor-Geral da PF, delegado aposentado Paulo Lacerda , ex-assessor de Romeu Tuma, por razões ainda inexplicáveis. A palavra de Lacerda, presidente da REPÚBLICA DOS DELEGADOS, sempre é LEI para todos do MJ, mesmo que esteja errado, mal intencionado com o governo Lula e alguns ministros. O ministro da Justiça não ouve ninguém, não quer saber de nada. PAULO LACERDA FALOU, ESTÁ FALADO e assim acha que não precisa saber de mais nada, nem que isso esteja esfacelando e destruindo por completo a união entre as categorias do DPF e prejudicando o governo federal como um todo;

– DEPLORÁVEL é o titular do Ministério da Justiça estar sendo investigado em um inquérito sob SEGREDO DE JUSTIÇA, em São Paulo. Ou não é DEPLORÁVEL ou até estranho ser investigado pela Polícia que comanda? Que autonomia têm esses investigadores? O que existe nesse inquérito que precisa ficar em segredo? Por que há um ano e meio não são apresentados os resultados da investigação?

– DEPLORÁVEL é ler na revista CARTACAPITAL que a PF está sob ordens e comando do governo americano, que deposita milhares de dólares nas contas particulares de delegados da Polícia Federal, e o ministro da Justiça, que recebeu essa denúncia por escrito há mais de um ano, em ofício da FENAPEF, nada fez. Isso não é DEPLORÁVEL?

– DEPLORAVEL é o delegado RÔMULO BERREDO praticamente ser "punido" com transferência para a Câmara dos Deputados por ter investigado a dependência da PF e as estranhas "DOAÇÕES" da CIA, DEA e etc, e ter chegado à conclusão que deveria ser instaurado inquérito policial para enquadrar aqueles que estavam praticando atos irregulares na nefasta história PF/USA, agora denunciada na revista CartaCapital. Há um ano espera-se uma atitude do Diretor-Geral Paulo Lacerda sobre o relatório do delegado Rômulo.

– DEPLORÁVEL é a situação caótica da Segurança Pública Nacional que está sem controle sob o comando do Ministério da Justiça, alcançando índices inaceitáveis e intoleráveis em todo o país -- até o carro do ministro já foi roubado -- e apenas 10% do orçamento da segurança pública do MJ foi utilizado até o momento. Isso não é DEPLORÁVEL?

– E POR FIM, e por enquanto, DEPLORÁVEL é distorcer a verdade, afirmando está negociando com os grevistas da PF, quando de fato não está, pois a greve foi engendrada dentro do MJ e agilizada pelo Chefe de Gabinete, Sérgio Servulo. Por quê o MJ quer a PF parada nesse momento? Não é DEPLORÁVEL esse tipo de prática, atitude e dúvida?

Existem coisas mais DEPLORÁVEIS que a greve da PF, acontecendo e a seu tempo serão noticiadas com certeza, já que o Ministério Público é independente e está atento a outras questões DEPLORÁVEIS desse país que ainda não foram investigadas como deveriam.

Francisco Carlos Garisto é ex-presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais

Revista Consultor Jurídico, 29 de março de 2004, 12h13

Comentários de leitores

11 comentários

Deplorável é o descaso com que a Polícia Federa...

Hugo ()

Deplorável é o descaso com que a Polícia Federal vem tratando a população. Acho sim que o direito a greve deve ser respeitado quando justo e que todos tem o direito de lutar por melhores condições de trabalho. O que não acho justo é que a população seja castigada e usada como forma de pressão ao Governo. Gostaria de ver todos na rua!

... continuação ... Reinvidicar cumprimento de...

Rogério M. Souza ()

... continuação ... Reinvidicar cumprimento de lei, como os federais, não é usurpar poderes constitucionais ou ser melhor que os outros; e ser policial civil, ou servil, como os de Brasília, é amar a camisa que se veste e ir à luta, mas com dignidade; e é o que tentamos com uma boa aprovação num concurso destes. Por mais que V. Sa. seja um expert em análise de finanças ou auditor público, garanto que o seus vencimentos totais não estejam condignos com a realidade, e que apenas o orgulho de vossa profissão é que lhe dá o prazer de se trabalhar, apesar de não poder consertar o mundo como desejarias. Por isto, se um PF hoje passasse a ganhar 5.100,00 (atualmente parece que é 3.960,00 - e não é isonomia com os delegados, seria cumprimento de uma lei - o delegado ainda ganharia 30% a mais nas gratificações, o venc. é que seria igual), e V. Sa. ganhasse 3.800,00, brigue para ser valorizado também, e não ache que os federais seriam uns folgados e frescos. Quanto a falculdade, parabéns pelo seu esforço, e perdoe-me as exacerbações das palavras, porque inclusive eu não terei novamente dinheiro para cursar o meu semestre letivo (900,00 mensais) nestas faculdades de cinema e o FIES (que eu nunca consegui) foi cancelado hoje por este PT mentiroso e salafrário, que irá colocar em Junho uma outra espécie de FIES muito mais difícil.

Douto Antônio Marcos de Paulo, O ato de não se...

Rogério M. Souza ()

Douto Antônio Marcos de Paulo, O ato de não se trabalhar num órgão público federal ou estadual não se presumiria em desconhecer a safadeza e as improbidades largamente noticiadas em veículos de comunicação (desde que isentos), excluindo-se a Rede Globo. A roubalheira, a corrupção e o nepotismo da política brasileira batem todos os recordes mundiais e pululam aos nossos olhos como uma terrível herança dos votos desperdiçados através da ignorância política do povo e dos votos de cabresto. Veja-se o TeRORIZta ganhar por uma diferença de 15 mil votos e os seus roubos. A pior mazela da nação é verificar a extrema pobreza (e fome) reinante entre os desfavorecidos e o dinheiro de monta a sair pelo ralo da má administração pública e a roubalheira. Mas isto não significa que uma categoria de policiais ou de servidores do INSS, e.g., respondam pelas imbecis administrações de seus pares, como creio que o esforçado trabalho desenvolvido pelo Douto Sr. como analista de finanças não corresponda a prevaricação e incompetência minada de seus superiores. Tome-se como exemplo a total inépcia de Tribunais de Contas sob comandos de Valmir Campelos da vida, de Manoelzinhos do TCDF, de Renatos Rainhas que se compra a torto e a direito. ... continua ...

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