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Olho no olho

OAB paulista é contra o interrogatório por videoconferência

O Conselho Seccional da OAB de São Paulo definiu, por unanimidade, posição contrária à utilização de meios eletrônicos no processo legal.

A posição vai de encontro à intenção do governo do Estado e do Tribunal de Justiça de realizarem uma parceria para desenvolver a disseminação do sistema.

Segundo o presidente da Ordem, o criminalista Luiz Flávio Borges D´Urso, o sistema viola a garantia constitucional do contraditório e da ampla defesa, prevista no artigo 5º, LV, da Constituição Federal. Também iria contra o artigo 185 do Código de Processo Penal, pelo qual o preso tem de ser apresentado à autoridade judicial para depor.

"A videoconferência impede o contato físico entre o magistrado e o acusado, condição fundamental para definir a apreciação da prova, sendo que o interrogatório é peça fundamental de defesa, na qual o réu busca refutar as acusações contra ele", afirmou.

O presidente da OAB paulista destaca, ainda, que os equipamentos eletrônicos afetam o desempenho do acusado, que se sente intimidado, como qualquer pessoa diante de uma câmera.

"Além disso, ele poder sofrer coação, mesmo que se dê psicologicamente, uma vez que estará no ambiente prisional, o que não acontece na presença do juiz", disse.

D´Urso lembra que os dois principais argumentos em defesa do interrogatório por videoconferência são custo e segurança no transporte dos presos para os fóruns. Para ele, os dois problemas "poderiam ser equacionados com a ida dos magistrados às unidades prisionais, onde poderiam ser criadas sala de audiências para este fim. Advogado vai às penitenciárias, os magistrados e promotores também deveriam ir".

Ele cita como exemplo das distorções geradas pelos interrogatórios por videoconferência, o caso de uma testemunha que não reconheceu o réu, porque na opinião dela ele era mais "escurinho".

O juiz pediu, então, que se fizesse uma sintonia no equipamento, que alterou a tez do acusado, que foi reconhecido. (OAB-SP)

Revista Consultor Jurídico, 26 de março de 2004, 12h39

Comentários de leitores

1 comentário

Acho um absurdo o uso da videoconferência assim...

Marcelo Mateus (Corretor de Seguros)

Acho um absurdo o uso da videoconferência assim como do telefone, fax e outros inventos demoníacos. As audiências poderiam ser a distância desde que fossem feitas com sinais de fumaça. Parabens a OAB! E um feliz 1845 a todos!

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