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Teia de aranha

Prisão de Mellão levanta suspeitas sobre CPI do Banestado

O vereador Armando Mellão, ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo foi preso, na manhã desta sexta-feira (19/3), acusado de extorsão. Com o político, que estava em um flat de São Paulo, a Polícia Federal apreendeu R$ 50 mil em dinheiro e R$ 550 mil em cheques.

O flagrante foi feito quando Mellão tentava extorquir o empresário Reinaldo de Barros, filho do ex-prefeito de São Paulo que tem o mesmo nome.

Mellão procurava suas vítimas (empresários e doleiros) oferecendo proteção na Comissão Parlamentar de Inquérito e usava os nomes do relator da CPI do Banestado, José Mentor, do senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT) e do deputado federal, Rodrigo Maia (PFL-RJ).

Um empresário relacionado a Mellão, ouvia dele com frequência que José Mentor e ele mantinham relacionamento regular. As listagens da CPI, bem como extratos e outros documentos teriam sido fornecidos a Mellão pelo deputado petista que indicaria, inclusive, os nomes dos envolvidos em situação mais complicada. Mentor e Mellão teriam um encontro marcado nesta sexta-feira.

À Polícia Federal, Mellão teria negado que agia em consórcio com os deputados federais ou com o senador Antero Paes de Barros.

Em entrevista a este site, o relator da CPI repeliu vigorosamente a hipótese e garantiu que foi ele quem alertou a PF. Veja o depoimento de Mentor:

“Soube do fato (das incursões de Mellão) em janeiro. Mandei dois ofícios ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, nos dia 12 e 14 de janeiro. Ele os recebeu no dia 16. Eu havia sido avisado por um colega de turma da escola de Direito, um advogado que teve o cliente abordado. Dias depois, esse mesmo amigo me trouxe um segundo caso. Esse, ligado ao Reinaldo de Barros. Eu fui à PF prestar depoimento, foi aberto inquérito que corre em segredo de justiça. Servi de intermediário para que os dois advogados colaborassem com a PF.”

Mentor disse ter avisado também o senador Antero Paes de Barros no momento que o nome dele apareceu “em fevereiro”. Em duas ou três ocasiões, segundo ele, o assunto foi tratado na CPI.

Indagado sobre a origem da listagem que Mellão exibia, o deputado petista disse não ter a informação de que o ex-vereador tivesse algum material. “Até onde sei ele andava visitando pessoas do rol de conhecimento dele”, afirmou.

Mellão e Mentor foram vereadores na mesma legislatura quando, por uma manobra do PT com outros partidos, para impedir a eleição do candidato de Celso Pitta (então prefeito), elegeu-se Armando Mellão (PMDB), presidente da casa. “A última vez que o vi foi quando ele era vereador”, relembra Mentor que, naquela gestão, foi presidente da Comissão de Finanças da Câmara.

O deputado federal negou taxativamente que tivesse encontro marcado com Mellão. “Ele chegou a afirmar que estive na fazenda dele. Isso nunca aconteceu”.

Ele disse que se reuniu com Reinaldo de Barros Filho e que o empresário autorizou seu advogado a participar da operação com a Polícia Federal. O deputado não sabe dizer se o flagrante desta sexta-feira foi proposto por Reinaldo ou pela PF.

A assessoria da CPI do Banestado também repeliu a hipótese de integrantes da CPI terem-se associado a Mellão nessa empreitada. Pelo relato, Mentor teria procurado o senador Antero Paes de Barros há cerca de quinze dias para relatar o que vinha acontecendo. Reunidos com os representantes da Polícia Federal na CPI, Antero e Mentor decidiram pedir à PF para investigar o caso.

Segundo publicou o site Terra a operação da Polícia Federal foi batizada como Pandora. Mellão pretenderia arrecadar com o golpe US$ 2,4 milhões. As investigações teriam durado 40 dias.

O amigo de Armando Mellão a que este site teve acesso chegou a envolver também o irmão de José Mentor, o deputado estadual Antonio Mentor Mello Sobrinho. Este contudo, afirma que jamais viu ou falou com Mellão. “Se eu encontrar com ele não sou capaz de reconhecer”, rebateu.

Essa não é a primeira acusação que se faz à CPI do Banestado. Há algum tempo, o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza afirmou que não havia esperança de resultados na investigação do Congresso, uma vez que seus integrantes não estavam dispostos a punir ninguém.

Leia um trecho da entrevista

O senhor teme que essa CPI acaba sem ouvir os principais políticos entre esses 400, cujos nomes o sr. entregou a ela?

Temo sim, temo sim principalmente por causa do senhor José Mentor. Temo porque que ainda não aprovaram nada para intimar Paulo Maluf, Luiz Antônio Fleury Filho, Jorge Bornhausen, e vários outros. Por que essas pessoas todas, se são inocentes, não têm interesse de ir esclarecer. Por que nunca são chamadas?

...

Vou ser franco: não chamaram nenhum político, não levaram em conta a proposta da CNBB de acabar com a CC5 barriga de aluguel, não mandaram os relatórios periódicos ao secretário da Receita. Cadê os Silveirinhas? A Controladoria já tem os dados e não abriu nenhum processo disciplinar contra os servidores. Isto poderia estar sendo feito há dois meses e não foi feito. Então, tudo vai muito mal.

Revista Consultor Jurídico, 19 de março de 2004, 19h46

Comentários de leitores

3 comentários

Estamos na terra do Lula Baba e os cento e sete...

João Roberto de Napolis (Advogado Autônomo)

Estamos na terra do Lula Baba e os cento e setenta milhões de ladrões e corruptos. Vivas a Republiqueta de bananas e dos bananas. Terra de ninguém. É bem feito para o nosso povinho, manso e covarde.

Simplesmente, sem comentários.

Busato ()

Simplesmente, sem comentários.

Pergunta: Quanto custa a nossa dignidade (cid...

Edylson Campos Silva (Advogado Autônomo)

Pergunta: Quanto custa a nossa dignidade (cidadão ético e honesto) hoje? Diante de mais este lamentável fato, imagino: qual foi o preço determinado para outras CPIs? (pois desconhecemos os fatos ainda ocultos). Quantas coisas mais estão submersas no submundo do "poder"? Estamos realmente evoluindo? Observo que não! Os tropeços ainda são muitos e nestes últimos quinhentos anos ainda não aprendemos a se quer andar com as próprias pernas (vivemos diversas formas de ditaduras; democracias anarquistas; empréstimos impagáveis, tudo pelo desenvolvimento. Será que valeu o sacrifício ("doe ouro para o bem do Brazil"?!@#!?) Apenas gatinhamos politicamente. Desconfio que estamos sofrendo na pele, ainda, as conseqüencias das políticas do "quanto menos souberem reciocinar e falar, melhor!". Isso tudo é uma vergonha! (como diz o velho Boris), e mesmo assim, ouvimos calados, pasmos; e nada muda! O que estamos fazendo com o nosso país? Com a nossa pátria? Com o nosso futuro político, social e cultural? O que sobrará da nossa omissão? Até quando olharemos tudo da platéia sem aplaudir? Apáticos. Críticos obstinados. Cazumbis da lei de Gerson? O que mais posso desabafar? Já sei: "Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, e quem não se deixa ajudar".

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