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Cola de ponta

Alunos obtiveram pontuação idêntica em vestibular

Vinte e um alunos de Medicina da Universidade Federal do Acre foram afastados pela Justiça Federal. Eles são acusados de fraudar o vestibular 2002.

Em maio de 2004, o Ministério Público Federal ajuizou Ação Civil Pública em caráter liminar contra a UFAC, cumulada a uma Ação de Improbidade Administrativa, para que os alunos fossem afastados da sala de aula.

O MPF apurou que um grupo de estudantes, vindos em excursão para prestar vestibular ao curso de medicina, obteve pontuação absolutamente idêntica. Os resultados apresentaram, inclusive, o mesmo escore padrão total nas provas da primeira etapa, ou seja, eles acertaram e erraram as mesmas questões.

Todos os alunos citados na Ação conseguiram aprovação na primeira fase do Vestibular 2002 da UFAC com notas altíssimas. Na segunda fase, os mesmos 21 candidatos caíram bruscamente em suas classificações, obtendo, todos, nota inferior a 15 pontos na redação.

Com exceção de três deles, os candidatos obtiveram notas iguais (12 pontos) na prova de língua Inglês. As investigações apuraram que cerca de 11 dos candidatos vieram da Bolívia, onde já estudavam medicina há pelo menos dois anos, e mesmo assim optaram por fazer as provas de língua inglesa no vestibular da UFAC e não língua espanhola, na qual, presume-se que eles obtêm maior conhecimento.

Uma avaliação pericial foi feita, comparando o desempenho dos 21 pretensos fraudadores com o dos outros 19 aprovados no mesmo concurso. A diferença é espantosa. O grupo acusado da fraude teve, no primeiro dia de provas, por exemplo, uma probabilidade cem vezes maior de acertar todas as questões do que os demais candidatos. Número praticamente impossível de ocorrer em um concurso de provas.

Testemunhas denunciaram o esquema da fraude

O depoimento de uma mulher que tem filhos estudando na Bolívia levantou a suspeita de que os candidatos teriam se utilizado de um dispositivo eletrônico para a fraude, de acordo com informações do MPF. O aparelho tem a aparência de uma caixinha de chicletes e possui abertura que dá acesso a um visor de cristal líquido, como de celulares, para obter as respostas corretas.

Professores e alunos do curso de Medicina foram ouvidos. Em seus depoimentos, alguns professores afirmaram que existem alunos que não possuem capacidade intelectual suficiente para terem passado com notas tão excelentes no processo vestibular. Muitos deles reprovaram em algumas disciplinas logo no começo do curso.

Depois de as investigações terem sido imaturamente publicadas, os integrantes do grupo demonstraram-se irritados e passaram a ameaçar pessoas que conheciam dos fatos que os comprometiam. Como, por exemplo, um estudante que depôs contra eles e tiveram de ser transferido para outro estado por causa das sucessivas ameaças que recebiam.

A Justiça Federal ordenado que a UFAC afaste imediatamente os 21 alunos e que cancele suas respectivas matriculas, sob pena de multa de R$ 10 mil por cada dia de atraso no comprimento da sentença e a outras penas.

Revista Consultor Jurídico, 23 de junho de 2004, 20h15

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