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Caso CRT

Livro conta em detalhes alvo de investigação da Kroll

Em nota oficial publicada nos principais jornais do país, a empresas de "consultoria de risco" Kroll, afirma que foi "contratada pela Brasil Telecom para obter provas das eventuais irregularidades que forçaram a operadora de telefonia brasileira a adquirir o controle da CRT -- Companhia Riograndense de Telecomunicações".

Ainda segundo a nota, "a compra dessa empresa foi concretizada por um preço muito acima do que seria necessário". A situação teria sido provocada pela Telecom Italia que, embora acionista da Brasil Telecom, teria prejudicado a empresa pelo fato de as duas serem concorrentes.

Não se sabe, ao certo, até que ponto a acusação é verdadeira. Mas uma coisa é certa: novidade não é -- a exemplo de muitas outras revelações disponíveis na Internet e nas páginas das dezenas de litígios que as duas empresas mantém na justiça.

O caso da CRT é detalhadamente analisado no livro O Caso Telecom -- O mais grave escândalo político-financeiro da Itália contemporânea" , escrito pelos jornalistas italianos Giuseppe Oddo e Giovanni Pons.

Leia o trecho do livro em que as supostas tramas são narradas:

"Ingleses, franceses, alemães e espanhóis têm a seu favor os governos,a diplomacia, os serviços de informação de seus países, todo um aparato de inteligência considerado indispensável para concluir grandes negócios internacionais. Em vez disso, a Itália movimenta-se sob uma ordem inconsistente, com a diplomacia pronta a dar um passo atrás, quando precisa apoiar uma operação econômica, por medo de comprometer as suas realizações políticas.

Na atividade de penetração no exterior, a cúpula dá STET procura, portanto, a colaboração de todos aqueles meios que possam ser úteis para um negócio: dos grandes intermediários internacionais até o Vaticano, às organizações religiosas mais radicadas no continente latinoamericano, tais como a Opus Dei e os Legionários de Cristo, às quais Pasquale parece estar próximo.

Depois do negócio falido com a Rússia, a STET lança âncora em Santiago do Chile: com um cheque de 273 milhões de dólares, adquire, em junho de 1996, 19% da Entel Chile. Uma cota idêntica da sociedade chilena vai ter à Chilquinta, o grupo controlado por uma família de industriais chilenos, com que a STFT firma um pacto empresarial.

A Entel Chile opera na telefonia de longa distância nacional e internacional, com 300 milhões de dólares de faturamento em 1995 e um lucro líquido de 25 milhões de dólares. Argentina, Bolívia, Cuba, Chile. Entre 1995 e 1998, a STET adquiriu participações por oito bilhões de dólares: uma soma bastante relevante. E agora Pascale prepara o desembarque no Brasil, a presa mais ambicionada.

A primeira disputa brasileira é a da CRT, a Companhia Riograndense de Telecomunicações, a operadora de telefonia de rede fixa do Rio Grande do Sul. A STET participa da disputa junto com o Banco Bradesco, um dos maiores grupos financeiros, que controla o maior banco do Brasil, e com a Camargo Correa, uma empresa de construções.

Mas sobre a CRT encaminha-se ainda a Telefonica -- em consórcio com o Citicorp e outras duas companhias sul-americanas -, que depois do vexame na Bolívia quer tirar a desforra a todo custo, mesmo porque o Brasil é o mercado-chave para todo o subcontinente. Quando são abertos os envelopes, os homens da STET International se dão conta do que os espanhóis são capazes para vencer uma disputa.

A Telefonia adjudica-se à operadora do Rio Grande do Sul com uma oferta de 656 milhões de dólares, contra 652 milhões oferecidos pela companhia italiana. A STET perde a disputa em dezembro de 1996 por somente quatro milhões de dólares. Estatisticamente, quando numa disputa a diferença entre as duas ofertas é assim tão baixa, normalmente é sinal de que o vencedor conseguiu saber antecipadamente, por meios escusos, a oferta concorrente.

Depois do Rio Grande do Sul, o governo de Brasília leva a leilão as licenças de telefonia móvel, e a Telecom, em julho de 1997, adjudica-se – por intermédio dos 43,15% do consórcio Vicunha (do qual participaram o grupo brasileiro homônimo, a Globopart e o Banco Bradesco) – às licenças de banda B da Bahia e Sergipe: um potencial de mais de 14 milhões de habitantes.

Mas o objetivo mais importante, tanto para a Telecom quanto para a Telefônica, é a Telebras, a grande federação de sociedades telefónicas que opera em todo o território brasileiro. Para se preparar para esse evento, a Telecom não poupa despesas e manda para o Brasil Carla Cico, uma jovem administradora formada por Masini e Aloia, que amargou na Italtel durante a gestão de Marisa Bellisario, por quem foi mandada administrar uma empresa na China.

No Brasil, Carla Cico organiza um grupo de uma centena de pessoas, entre administradores, consultores empresariais e financistas. Também para as disputas da Telebras, na falta de uma base sólida e de relacionamentos diretos com o meio político-econômico brasileiro, é preciso conseguir aliados locais importantes. Entretanto, em 1997, Pascale deixou a direção da STET, que nesse meio-tempo foi fundida à Telecom e privatizada.

Revista Consultor Jurídico, 24 de julho de 2004, 18h54

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