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Linhas cruzadas

Deputado do PT pediu ao MP a mesma investigação feita pela Kroll

-- Doc.02 -- cópia de Relato de Henrique Neves, Ex-Presidente da Brasil Telecom Participações S/A e Brasil Telecom S/A sobre a participação dos representantes da Telecom Itália na aquisição do controle da CRT, principais trechos ora transcritos

“Em meados de agosto formalizou-se o interesse da TCS na aquisição do controle da CRT junto aos acionistas controladores desta e à ANATEL. Estranhamente, o Presidente da Telecom Itália do Brasil e conselheiro da TCS, Sr. Carmelo Furci, repreendeu-me verbalmente por tomar esta iniciativa alegando que não havia aprovação do Conselho de Administração da empresa. Não só a aquisição constava dos planos de negócio aprovados pela empresa, como, em 11 de maio de 1999, o Sr. Giovanni Grandi, da Telecom Itália, havia proposto a organização de um projeto visando a aquisição da CRT, sob a sua direção, que todavia não mereceu aprovação.”

“No mês de setembro de 1999 realizei uma visita aos Secretários de Minas, Energia e Telecomunicações, Senhora Dilma Roussef, e ao Vice-Governador, Sr. Miguel Rosseto, do Estado do Rio Grande do Sul, que era acionista minoritário da CRT, para informar que a TCS estava interessada em adquirir o controle da CRT, que a Telefonica e demais empresas do grupo de controle estavam obrigadas a vendê-lo e que, ao contrário do que dizia a Telefonica, a Portugal Telecom não poderia ser a compradora.”

“33.Entre o dia 16 de junho e o dia 20 de junho realiza-se uma reunião entre o Presidente da Previ, Sr. Luis Tarquínio Sardinha Ferro, o Sr. Mauro Salles e eu, na qual o Sr. Tarquínio enfatizou que estávamos autorizados a pagar 850 milhões de dólares e que era importante concluir as negociações o mais rápido possível”

(...)“36. No dia 20 de junho, a ANATEL alegando o objetivo de preservar a competição (?), a gestão eficaz dos negócios (?) e resguardar o modelo preconizado pela Lei Geral de Telecomunicações, baixa o Ato 9.607 determinando a intervenção na CRT e, logo após, notificou a TCS que estava instaurando um processo administrativo contra a empresa e seus acionistas pelas infrações que motivaram o referido Ato. Este Ato marca uma mudança de rumo, pois a TCS era, por pessoas por ela indicadas, a administradora da CRT e cabia à ANATEL ou fazer com que o fideicomisso alienasse as ações ou cassar a concessão, para licitá-la novamente. Ao invés disso, a ANATEL abria um processo administrativo contra a empresa por não ter comprado o controle da CRT. Mais uma pressão do Governo para que a TCS concluísse a aquisição da CRT.”

(...)“38. Nos primeiros dias do mês de julho recebi um telefonema do Ministro das Comunicações enfatizando a importância de se resolver a questão da aquisição do controle da CRT.”

(...)“39.No dia 12 de julho o Presidente da ANATEL solicitou a presença dos representantes dos acionistas da TCS e da Telefonica, tendo comparecido comigo os Srs. Carmelo Furci e Artur Carvalho. Nessa oportunidade, o Sr. Renato Navarro Guerreiro solicitou que fossem feitos esforços no sentido de resolver o impasse e colocou à disposição as instalações da ANATEL para as negociações. Ao final da reunião o Sr. Carmelo Furci fez questão de anunciar em alto e bom som que tínhamos autorização para negociar o preço até 850 milhões de dólares.”

“41.(...) É forçoso reconhecer que o comportamento da Telecom Itália gerou uma inflexibilidade negocial por parte dos vendedores e uma intervenção do Governo forçando a conclusão da negociação a um preço oneroso. É indiscutível, portanto, a meu ver, que a atuação da Telecom Itália causou prejuízo à Brasil Telecom e que os conselheiros da Telecom Itália faltaram com o dever de lealdade à Companhia.”

Doc.03 -- Declaração prestada por Antônio Luiz Freitag de Mello, então Gerente de Equipe de Investimentos em Infra-Estrutura da Previ, com principais trechos:

“Finalmente, o Conselho de Administração da Brasil Telecom (Tele Centro Sul Participações S.A), conforme ata da reunião que ocorreu em 31/janeiro/2000, aprovou a proposta de aquisição da CRT, proposta por unanimidade entre os integrantes do Comitê Especial, pela faixa de preço, “range”, entre US$ 550 milhões e US$ 750 milhões. Na ocasião, não ocorreu nenhum registro de manifestação contrária, discordância, por qualquer dos membros do referido conselho.

Considerando-se, todavia, se tratar esta operação de venda da CRT um caso totalmente atípico no mundo dos negócios, onde só existia um comprador, numa posição de vantagem pela necessidade do vendedor, os espanhóis, obrigados a alienar o controle da CRT, sob pena real de perderem a concessão, a expectativa dos principais envolvidos na precificação, es especulações no mercado e, particularmente, a minha opinião como Gerente de Equipe da PREVI responsável pelos estudos de precificação, era de que a decisão final de oferta não poderia ser outra, senão o preço mínimo do referido intervalo proposto e aprovado pelo Conselho de Administração, isto é, US$ 550 milhões.”

Revista Consultor Jurídico, 24 de julho de 2004, 10h51

Comentários de leitores

3 comentários

É esse poder de investigação que o MP tanto def...

João A. Limeira ()

É esse poder de investigação que o MP tanto defende? INVESTIGAÇÃO SEM CONTROLE DÁ NISSO.

eu não acredito que a esquerda brasileira estej...

Cláudia ()

eu não acredito que a esquerda brasileira esteja colaborando com silvio berlusconi e com o tio sam!!!!!!!!!!!!! telekom serbia é jogo de berlusca - cia para atacar romano prodi e a esquerda italiana, a qual estava no governo italiano por ocasião do negócio com a iugoslávia.

O representante do MP Federal deve ter cometido...

Gilberto Aparecido Americo (Advogado Autônomo - Criminal)

O representante do MP Federal deve ter cometido um pequeno equívoco, talvez até por excesso de investigações, mas nada obsta que a "tunga"de 250 milhóes de dólares seja convenientemente apurada. Há rumores de que o valor foi remetido ao exterior. Como os fatos são relativamente recentes é só perseguir "las ganancias", como dizem os latinos de lingua espanhola, que saberemos o(s) nome(s) do(s) felizardo(s). Os perdedores, para variar, somos nós, as vitimas da "globalização"(as bolas eternas, sempre chutadas por sapatos de cromo alemão), pobres mortais responsáveis pelos pagamentos de toda sorte de tributos utilizados na manutenção do conforto e satisfação da gula dos capitalistas internacionais e tupiniquins de sempre. Que tal uma CPI instaurada com a finalidade de lavar a honra do ministro "alemão" Gushiken ? Mãos à obra Deputado Cardozo. Por que náo voltar aos tempos de oposição ao Maluf. Bons tempos aqueles, deputado! Não? Gilberto Aparecido Américo advogado

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