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Ponto estratégico

Avó quer que Suzane Richthofen vá morar com ela

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Suzane Richthofen, acusada de planejar o assassinato de seus pais, ganhou uma aliada esse mês: a avó paterna, Margot Gude Hahmann, 80 anos. Em depoimento prestado ao juiz presidente do 1º Tribunal do Júri de São Paulo, Alberto Anderson Filho, ela disse que não guarda ressentimentos da neta. E mais: quer que Suzane vá morar com ela.

O engenheiro Manfred Albert von Richthofen e a psiquiatra Marísia von Richthofen foram assassinados no dia 31 de outubro de 2002. Suzane confessou ter planejado o crime por amor ao então namorado, Daniel Cravinhos. Ele e o irmão -- Cristian Cravinhos -- mataram os pais de Suzane com golpes de barras de ferro no quarto da mansão onde eles dormiam, em São Paulo. O casal seria contra o namoro da filha.

Os advogados de Suzane, Antônio Cláudio Mariz de Oliveira e Sérgio Eduardo Mendonça de Alvarenga, estudam a possibilidade de entrar com Habeas Corpus na Justiça para pedir sua liberdade.

O professor Luiz Flávio Gomes, doutor em Direito Penal, disse que Suzane tem requisitos suficientes para responder o processo em liberdade. “Ainda não foi condenada, não está ameaçando testemunhas e não oferece perigo para a sociedade”, enumerou. Segundo o professor, as chances dela conseguir a liberdade são grandes, mas é preciso também demonstrar que não representa perigo de fuga.

O depoimento da avó paterna poderá ser usado pela defesa como mais um elemento para o pedido de Habeas Corpus. “Apesar de todo o ocorrido, eu não guardo qualquer ressentimento e acredito que ainda posso ser útil a minha neta, assim como ela também pode me auxiliar”, afirmou a avó.

Leia o depoimento prestado pela avó de Suzane no dia 13 de julho:

Comarca: São Paulo

1ª Vara do Júri -- Unidade III

Processo nº 4354/02

Termo de Declaração

Nome: MARGOT GUDE HAHMANN

Filiação: Ernest Matheis e Margot Matheis

Nascimento: 16/09/1923

Naturalidade: Santa Cruz do Sul – RS

Estado Civil: viúva

Profissão: Pensionista

Endereço: Av. XXXXXXXXXX nº XXXX, apto XX, XXXX XXXXXXX

As de costume disse nada. Compromissada e inquirida pelo MM. Juiz de Direito, na forma e sob penas da lei, respondeu: “Sou avó paterna de Suzane; sempre tivemos um ótimo relacionamento e ela era uma neta muito amorosa: quando a família mudou de residência, ficamos um período mais afastados. Entretanto, nunca perdemos o contato por completo; que depois que os fatos ocorreram eu não pude mais ter contato pessoal com a minha neta, uma vez que tenho inúmeros problemas de saúde e não tenho condições físicas para visitá-la;

que também além de problemas de locomoção eu sou portadora de glaucoma nos dois olhos e corro sério risco de perder a visão por completo; que me correspondo com Suzane e nas cartas que recebo, ela se mostra muito preocupada comigo e manifesta desejo de ajudar à cuidar de mim; que eu acho que também posso ajudá-la de várias maneiras, pois ela sempre foi muito próxima de mim e me ouvia bastante:

com o meu neto Andréas eu também mantenho contato, mas hoje ele está morando com a avó materna e um tio e como ainda é bastante jovem, fica mais difícil ele ir até a minha casa, além disso está se preparando para o vestibular e tem muitos compromissos que apesar de todo o ocorrido eu não guardo qualquer ressentimento e acredito que ainda posso ser útil a minha neta, assim como ela também pode me auxiliar.

AS PERGUNTAS DA DEFESA, RESPONDEU: que eu resido só e não tenho outros filhos e netos; que meu único filho era a vítima Manfred, pois, uma outra filha que tive já havia falecido anteriormente; que eu teria disposição de receber Suzane para morar em minha casa.

AS PERGUNTAS DO MP RESPONDEU: que há mais ou menos três anos fiz uma cirurgia na vista para catarata e nessa época constatou-se o glaucoma: que algumas horas do dia eu conto com o auxílio de Zuleica, que é uma amiga e mora próximo de casa; que Suzane nunca havia manifestado vontade de morar em casa porque residia com os pais, mas nossos contatos eram freqüentes;

que eu quando tinha mais condições físicas, inclusive, sempre ia buscá-la na escola e depois dela almoçar em casa levava para os pais; que naquela época eu mesma dirigia, mas hoje com os problemas da visão e também por ter osteoporose eu não mais dirijo e preciso de motorista para isso que o motorista que eu utilizo é só para eventualidade, pois ele trabalha para outras pessoas também.

Não tenho empregada fixa em casa, a faxina é feita por Zuleica; que conto com ajuda de Zuleica todos os dias, exceto aos domingos; que aos domingos passo geralmente só e recebo algumas visitas de amigos que tenho guardadas as cartas que recebi de Suzane”. Nada mais. Lido e achado conforme, vai devidamente assinado. Eu__________, (Julio P. Camargo) Escrevente dig.

 é editora da revista Consultor Jurídico e colunista da revista Exame PME.

Revista Consultor Jurídico, 19 de julho de 2004, 16h54

Comentários de leitores

7 comentários

Nada impede a fuga de um cidadão que recebe o H...

Marcus Castro ()

Nada impede a fuga de um cidadão que recebe o HC. Também nada impede a defesa de tentar o HC para sua cliente e este é o caso a ser analisado. Será que a justiça deve conceder HC apenas aos ignorantes? Ou aos pobres? Ou aos que tem parentes em ótimas condições físicas? Continuo acreditando que o pedido é legítimo, mesmo não conhecendo os autos a fundo. Vale a pena lembra que o caso é confuso e a ré ainda não foi condenada, pelo menos pela justiça.

Ao meu ver a defesa está se utilizando da avó p...

Marlei Villar ()

Ao meu ver a defesa está se utilizando da avó para colocar em prática alguma estratégia de "fuga", que talvez já esteja minuciosamente arquitetada...Pois a avó no seu depoimento não parece ser tão próxima à neta quando alega não ter condições físicas para visitá-la...Se havia realmente proximidade entre a família não seria somente com a "neta" mas também com o neto, que não tem tido "tempo" para visitar frequentemente a avó... Assim, manifesto a minha indignação com a possibilidade de prosperar o pedido de Habeas Corpus .

Sem duvida, os argumentos dos nobres colegas ad...

Amanda ()

Sem duvida, os argumentos dos nobres colegas advogados são fortes e têm grandes chances de prosperar.Pessoalmente, até acho que a ré pode responder em liberdade, por não oferecer perigo ou ameaçar testemunhas. Contudo, no presente caso, mais do que isso deve ser analisado. Não há a menor garantia de que a ré não vai fugir, pois além de inteligente, conhece outros países e linguas e, principalmente, tem dinheiro. Quem a impediria de fugir? Sua avózinha de 80 anos, doente e quase cega?

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