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Erro farmacêutico

Farmácia é condenada por vender remédio errado à consumidora

O dano moral não existe apenas quando o fornecedor -- pessoa física ou jurídica, pública ou privada, que possui de produção, montagem, criação, construção, transformação, importação, exportação, distribuição, ou comercialização de produtos ou prestação de serviços -- age com culpa. Configura-se também quando o ato danoso é demonstrado.

Com esse entendimento, a 7ª Câmara Cível do Tribunal de Alçada de Minas Gerais rejeitou recurso impetrado pela Farmácia Santa Martha. Condenada pela Comarca de Belo Horizonte a indenizar uma consumidora, a quem foi vendido medicamento errado, em R$ 12 mil, a farmácia pediu que a sentença fosse reformada e o valor diminuído.

A ação indenizatória foi motivada pelo equívoco do vendedor da farmácia ao entregar o remédio Laxonin, quando a receita prescrevia o medicamento Loxonin. O remédio causou diarréia, vômitos e febre por cerca de uma semana na consumidora.

No recurso, a farmácia alegou que o erro não foi só do vendedor, mas das próprias consumidoras -- tia e sobrinha -- que, sem conferir se o medicamento era o prescrito, efetuaram a compra e pagaram o valor devido. Diz, também, que a sobrinha não teve o cuidado de ler a bula e verificou o remédio sem conhecimento de suas indicações. Pediu a redução do valor da indenização para que não fosse motivo de enriquecimento.

A Turma, no entanto, entendeu que as consumidoras confiaram na “presteza e no conhecimento sobre remédios” ao entregar a receita ao atendente da farmácia. “Em decorrência da troca dos medicamentos, a paciente permaneceu por mais ou menos uma semana” com mal estar.

Segundo o voto do relator, juiz Unias Silva, também foi indeferida a possibilidade de exclusão da sobrinha, como pedido pela farmácia. Dada a idade avançada da paciente, para a sobrinha coube a responsabilidade de verificar o medicamento, que como era o errado, “podia tê-la levado à morte”. Argumentou que a sobrinha passou pelo sofrimento de poder ser responsabilizada por intoxicar e matar a tia.

Leia ementa do acórdão e íntegra do voto

AÇÃO DE INDENIZAÇÃO - RELAÇÃO DE CONSUMO - INVERSÃO DO ÔNUS DA PROVA - RESPONSABILIDADE OBJETIVA -RESPONSABILIDADE DE TERCEIRO - DANO MORAL CONFIGURADO - PEDIDO PROCEDENTE - FIXAÇÃO DO QUANTUM.

A teor do disposto no artigo 6º, VIII do Código de Defesa do Consumidor, o fornecedor é que terá de provar que a alegação do consumidor não é verdadeira, quando, a critério do órgão julgador, os fatos alegados pelo mesmo forem verossímeis ou quando for hipossuficiente.

Embora a avaliação dos danos morais para fins indenizatórios, seja das tarefas mais difíceis impostas ao magistrado, cumpre-lhe atentar, em cada caso, para as condições da vítima e do ofensor, o grau de dolo ou culpa presente na espécie, bem como os prejuízos morais sofridos pela vítima, tendo em conta a dupla finalidade da condenação, qual seja, a de punir o causador do dano, de forma a desestimulá-lo à prática futura de atos semelhantes, e a de compensar o(s) ofendido(s).

ACÓRDÃO

Vistos, relatados e discutidos estes autos de Apelação Cível Nº 447.719-2 da Comarca de BELO HORIZONTE, sendo Apelante (s): FARMÁCIA SANTA MARTHA LTDA. e Apelado (a) (os) (as): EVANGELINA ALVES MURTA E OUTRA,

ACORDA, em Turma, a Sétima Câmara Cível do Tribunal de Alçada do Estado de Minas Gerais NEGAR PROVIMENTO.

Presidiu o julgamento o Juiz JOSÉ AFFONSO DA COSTA CÔRTES (Vogal) e dele participaram os Juízes UNIAS SILVA (Relator) e D. VIÇOSO RODRIGUES (Revisor).

O voto proferido pelo Juiz Relator foi acompanhado, na íntegra, pelos demais componentes da Turma Julgadora.

Belo Horizonte, 20 de maio de 2004.

JUIZ UNIAS SILVA

Relator

VOTO

O SR. JUIZ UNIAS:

Cuida-se a espécie de recurso de apelação aviado por Farmácia Santa Martha Ltda contra decisão proferida pelo MM. Juiz primevo - fl.62/64, que, nos autos da ação de indenização movida contra aquela por Evangelina Alves Murta e outra, julgou procedente o pedido condenando a ré a pagar a autora a indenização no valor de R$12.000,00, a título de danos morais, atualizado este valor com juros de 1% ao mês e demais correções pela tabela da Corregedoria, a partir da prolação da sentença.

Inconformada, recorre a ré às fl. 66/76, pugnando, em suma, pelo provimento do recurso para que, reformada integralmente a sentença de primeiro grau, seja julgado o pedido inicial totalmente improcedente, invertendo-se os ônus da sucumbência.

Alega que, dentre os medicamentos prescritos, foi-lhe entregue uma caixa de LANOXIN em lugar do medicamento LOXONIN, por equívoco não só do vendedor, mas também das próprias consumidoras que, sem qualquer conferência da mercadoria, efetivaram a compra e pagaram o valor devido.

Sustenta que, a segunda apelada -- sobrinha da paciente -- , sem os cuidados primários, indispensáveis na utilização de qualquer medicamento, como ler as informações sobre o mesmo, posologia e reações adversas, constantes em sua bula, ministrou o LANOXIN à primeira apelada, ensejando a ocorrência do mal-estar provocado pela medicação errada.

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Revista Consultor Jurídico, 15 de julho de 2004, 17h45

Comentários de leitores

6 comentários

Gostaria que alguem me respondesse que medicame...

Rodrigo Fabri ()

Gostaria que alguem me respondesse que medicamento é este *Laxonin* e de qual Laboratório Pertence? Rodrigo Fabri rodrigo.farmais@bol.com.br

Para prevenir ou corrigir uma patologia, é prec...

Robson (Advogado Sócio de Escritório)

Para prevenir ou corrigir uma patologia, é preciso fazer um bom diagnóstico. Cada doença tem sua etiologia e seus desdobramentos. Tomar o remédio errado pode ser mais grave do que não tomar nenhum. A mudança organica logo após a administração de medicamento, sem qualquer outra explicação, aliada a outros efeitos trágicos atribuídos à medicação leva à conclusão juridicamente segura de relação de causa e efeito; isto é, de que tal mudança é conseqüência imediata da administração do medicamento errado, impondo-se o reconhecimento da responsabilidade de seu fabricante, médico que o prescreveu e ou erro na compra, fundada no princípio de que este garante a qualidade e utilidade do produto, mormente, como no caso, a bula que acompanha o remédio não . A indenização por danos morais é cumulável com a decorrente por danos materiais, salvo em se tratando de lesão ou de deformidade, podendo haver, para o próprio lesado ou deformado, uma indenização conveniente, arbitrada simultaneamente com a reparação direta da lesão física. É jurisprudência predominante no sentido de fixar-se, no caso de responsabilidade civil como no presente caso, a pensão indenizatória até quando a vítima complete vinte e cinco anos de idade ou sai desse mal súbito. Essa regra não é absoluta, podendo tal limite variar para mais ou para menos, conforme a circunstância. Colaboração AMG_ Advocacia Martins Gonçalves Http://geocities.yahoo.com.br/robadvbr Dr. Robson Martins Gonçalves

Esse caso vem aumentar a minha convicção de que...

Brent (Médico)

Esse caso vem aumentar a minha convicção de que agora, no Brasil, o melhor negócio é "sofrer danos morais". Há anos já desisti de ganhar nas loterias e lotos da vida, e já vi que mais fácil será ganhar na Loteria Judiciária. POR FAVOR, alguém me atinja com gravíssimos danos morais ! Serve pisar no meu pé num ônibus lotado, me chamar de gordo ou balofo, enfim , qualquer coisa ! EU QUERO SOFRER DANOS MORAIS !! Não é bom também para os advogados, que faturam uma porcentagem da causa ??

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