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Segurança na compra

Site de leilão tem mais responsabilidade que classificado de jornal

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O argumento de que o iBazar é como um classificado de jornal foi herdado do Mercado Livre, que já usa a afirmação desde antes de os dos dois sites se associarem.

A principal explicação da empresa para se isentar de responsabilidades pelo produto ofertado está destacada em vermelho numa das páginas do site, e é repetida exaustivamente na comunicação com os usuários e a imprensa.

Em uma recente reportagem do Correio Braziliense, intitulada "Golpes nada virtuais", a comparação foi novamente utilizada por Stelleo Tolda, diretor-presidente do Mercado Livre. "Não vendemos e não recebemos dinheiro. Somos equivalentes ao classificado de jornal", disse.

Mas as duas coisas são muito diferentes. Os sites de leilões são uma forma de comércio eletrônico típica dos tempos de Internet. Classificados de jornal normalmente têm alcance local. Comprador e vendedor costumam ser da mesma comunidade e se encontram fisicamente para efetuar a transação.

Num site de leilões, o anúncio é feito na rede mundial de computadores. O vendedor pode estar no Amazonas e o comprador no Rio Grande do Sul (quando não em outros países).

A transação normalmente é feita por e-mail ou telefone, o que aumenta consideravelmente o risco de fraudes. A reportagem do Correio Braziliense informa que os sites de leilões são "líderes absolutos em queixas nos EUA" e respondem por "42,8% das fraudes registradas”.

O próprio Stelleo Tolda admite que "por trás de um monitor é muito fácil praticar fraudes". Em um classificado, o anúncio é pago com antecedência, por isso o jornal tem liberdade de publicar nome, telefone e endereço do vendedor, pois já recebeu pelo serviço.

Os sites de leilões fazem os anúncios gratuitamente. Só recebem quando a mercadoria é efetivamente vendida, por isso retêm os dados do vendedor e do comprador e até proíbem que sejam publicados quaisquer dados pessoais no site. As informações são a sua garantia de recebimento da comissão.

A primeira coisa que um comprador faz após ler um classificado que lhe interessa é ligar para o vendedor e marcar um encontro para verificar a mercadoria, já que normalmente ambos moram na mesma cidade ou em cidades próximas.

Só depois de ver a mercadoria, o comprador faz uma oferta. Num site de leilões isto nunca acontece. A primeira coisa que o comprador interessado faz é uma oferta. Só depois de aceita sua oferta é que saberá quem é o vendedor. Normalmente, o comprador também não vê o produto antes de pagar por ele, já que muitas vezes as partes envolvidas moram em cidades distantes.

Um anúncio de jornal é estático. Toda a transação de venda é feita posteriormente entre as partes, fora do espaço do jornal. Um site de leilões é dinâmico. Boa parte da discussão sobre a venda é feita dentro do espaço do site. O que ocorre "do lado de fora" é apenas a parte final da venda, isto é, a entrega do dinheiro e da mercadoria.

Por tudo isto, é essencial que haja segurança nas transações e que os usuários confiem nos sites de leilões. Estes, por sua vez, comprometem-se a verificar se as informações fornecidas são verdadeiras. A responsabilidade de um site de leilões, portanto, é muito maior do que a de um jornal de classificados.

(Nota: este texto faz parte de uma série de reportagens publicadas em 2002 no site InfoGuerra, a respeito de fraudes ocorridas no iBazar/Mercado Livre, e foi enviado pelo autor a título de réplica ao artigo "Sites não são responsáveis pelos negócios que promovem".)

 é jornalista e responsável pelo site sobre segurança e privacidade InfoGuerra.

Revista Consultor Jurídico, 1 de julho de 2004, 16h51

Comentários de leitores

1 comentário

Esta explicação faz muito mais sentido que a de...

Rodrigo Laranjo ()

Esta explicação faz muito mais sentido que a desculpa que os sites de leilão dizem. Porém, vamos ser práticos. Esta discussão não nos leva à nada. Os sites de leilão vão continuar como estão. É neste ponto que creio que uma atitude valeria a pena. www.magna4.com.br

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