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Passando a limpo

Acusados de traficar rins começam a depor em Pernambuco

Começam nesta quarta-feira (14/1), na sede da Justiça Federal em Pernambuco, a serem ouvidos os 28 denunciados pelo Ministério Público Federal por participação no esquema de tráfico de órgãos.

Todos os suspeitos são identificados como organizadores e aliciadores que agiam dentro da rede, captando e selecionando doadores e providenciando todos os documentos necessários à viagem deles para a cidade de Durban, na África dos Sul, onde os transplantes eram feitos. Para tanto, os voluntários recebiam valores que variavam de US$ 6 mil a US$ 10 mil. Por conta dos indícios de envolvimento dos acusados, onze deles estão temporariamente presos por ordem da Justiça.

Para esta quarta, primeiro dia das oitivas, foram marcados nove depoimentos, que devem ser prestados à juíza responsável pelo processo, Amanda Torres de Lucena.

Entre os depoimentos, os mais esperados são os do oficial da reserva do Exército israelense Gady Tauber, suspeito de ser o cabeça da quadrilha, da sua namorada Maria Fernanda e do capitão da Polícia Militar Ivan Bonifácio.

Tanto Tauber quanto Bonifácio foram ouvidos na manhã desta quarta pela Comissão Parlamentar de Inquérito especialmente instalada para investigar o caso na Assembléia Legislativa de Pernambuco. Na ocasião, o israelense se defendeu afirmando não ter participação no esquema. Segundo ele, suas freqüentes vindas ao Brasil e os seus contatos com o capitão Bonifácio se deviam ao seu trabalho numa empresa de segurança privada em Israel, que manteria negócios com a Polícia Militar Pernambucana.

Já Bonifácio contou aos parlamentares vários detalhes sobre o esquema e explicou minuciosamente como a quadrilha agia. De acordo com ele, que recebia US$ 2 mil por cada transplante feito, a notícia sobre a procura de pessoas dispostas a vender um dos rins se espalhou rapidamente depois dos primeiros transplantes e tomou um vulto enorme.

Ele também confirmou que a quadrilha chegou a sondar alguns hospitais no Nordeste para possibilitar que os transplantes fossem feitos no Brasil e facilitassem o procedimento. Os responsáveis, entretanto, foram informados de que isso só seria possível se os doadores fossem parentes dos receptores ou se os doentes constassem da lista nacional de transplantes. (MPF-PE)

Revista Consultor Jurídico, 14 de janeiro de 2004, 17h20

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