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Debaixo da batina

Mais de 10 mil crianças teriam sido molestadas por padres

Exatamente 10.667 crianças relataram sido molestadas por padres entre 1950 e 2002. E foram 4.392 os religiosos algozes. Os dados são de reportagem do New York Times, publicada nesta sexta-feira (27/2), e baseados em dois estudos revelados nos Estados Unidos.

Segundo um dos relatórios, a igreja católica sofreu uma epidemia de abuso sexual de menores, envolvendo pelo menos 4% dos padres. O jornal aponta que os casos tiveram seu auge em 1970, quando um em cada dez padres era eventualmente acusado de molestar crianças.

A reportagem dá conta de que os números podem estar subestimados, já que os dados dependem de relatos dos próprios bispos americanos. A arquidiocese de Boston disse na quinta-feira que 7% de seus padres foram acusados de abuso nos últimos 50 anos.

Um grupo de acadêmicos do John Jay College of Criminal Justice, de Nova Iorque, conduziu um dos estudos. E disse que 97% das dioceses ficaram fora de sua pesquisa.

O outro relatório, sobre as causas e o contexto dessa crise, foi escrito por uma equipe de proeminentes advogados católicos, juízes, homens de negócios e bispos, e apontou profissionais para um conselho de revisão nacional, escreveu o diário.

Segundo a reportagem, esse estudo foi feito com base em entrevistas com 85 bispos e cardeias, oficiais do Vaticanos, especialistas no assunto e diversas vítimas. Com 145 páginas, ele faz recomendações para melhorar esse quadro, mas não diz se a doutrina ou regras da igreja devem ser mudadas.

"O problema que a igreja enfrenta não foi causado por sua doutrina e a sua solução não será encontrada questionando essa doutrina", diz o estudo, de acordo com o jornal. (Findlaw)

Revista Consultor Jurídico, 28 de fevereiro de 2004, 12h35

Comentários de leitores

4 comentários

Inversamente ao que afirma o advogado Carlos Au...

Joézer Herrerias Valvassori ()

Inversamente ao que afirma o advogado Carlos Augusto Costa, uma análise sóbria (e livre de influências emocionais, as quais obviamente impregnam os membros da Igreja Católica) sobre o assunto em questão, mostra que a doutrina da Igreja é fator preponderante no que se refere à atitude escandalosa e inaceitável desses sacerdotes. Uma vez que, contrariando a própria doutrina bíblica (que em muito difere da doutrina católica), a Instituição impõe o celibato ao sacerdócio, gera uma série de distorções pisíquicas, considerando-se que o sexo, é uma necessidade inerente ao ser humano, e a reprodução (e o casamento, em última análise) foi criada e dada ao ser humano pelo próprio Deus, segundo a narrativa bíblica. O que se vê, é que, em termos bíblicos, a Igreja Católica está "colhendo o que plantou". E, espera-se que a mesma assuma as conseqüências de seus atos.

A abordagem jurídica da questão, insistimos, é ...

LUÍS  (Advogado Sócio de Escritório)

A abordagem jurídica da questão, insistimos, é no sentido da responsabilidade da instituição, seja ela igreja, empresarial, associativa ou estatal, pelos atos de seus prepostos. Não quer dizer que a igreja seja boa ou ruim, assim como uma empresa pode ser boa, e o seu funcionário não. O que ocorre, é que a atitude nociva do preposto gera o direito à indenização por parte do lesionado. A discussão, portanto, do ponto de vista jurídico é que a boa árvore que der frutos ruins haverá, sim, de responder pelos danos que esses "frutos" causarem à terceiros. A busca pela Justiça, inclusive, implica que as boas instituições façam tudo que for necessário para reparar os atos daqueles que, utilizando-se erroneamente da instituição, prejudicam os inocentes. Daí porque o direito dispõe sobre a "culpa in vigilando e in iligindo". A culpa da instituição não ter vigiado adequadamente aqueles que prestam serviços, ou a culpa por ter elegido indevidamente pessoas para responderem pela instituição. Portanto, advirto ao nobre colega que não se discute o caráter da igreja e a fé, mas sim aborda-se a questão pelo aspecto jurídico.

Com todo respeito que merece o Digníssimo Procu...

Carlos Augusto Costa ()

Com todo respeito que merece o Digníssimo Procurador, e não só ele, mas todas as pessoas, quer físicas ou jurídicas, que se dispõe em lutar pela justiça, como é o caso da Igreja Católica, da qual me honra participar, é de se perguntar, a nós operadores do direito, se a doutrina que estudamos é capaz de nos fazer melhores ou piores caso não queiramos? Se o fato de pertencermos a uma instituição implica, obrigatoriamente, que sejamos melhores ou que não possamos dissimular o nosso comportamento ou tendências? Ora, a toda evidência, não é fazer justiça condenar uma árvore que dá cem frutos, por causa de sete frutos ruins. Aliais, o joio está no meio do trigo. Ainda, a Igreja é santa e pecadora. Santa, porque é a Igreja de Deus, e pecadora, porque é feita de homens, assim como eu e o nobre Procurador, e àqueles infelizes padres que cometeram tamanha atrocidade.

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