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Sexta-feira, 20 de fevereiro.

Primeira Leitura: escândalo causou danos irreversíveis ao governo.

Por um fio - 1

O escândalo da propina envolvendo o ex-assessor do Palácio do Planalto pode não resultar na demissão do ministro José Dirceu (Casa Civil), mas já provocou danos irreversíveis no poder que ele detinha no governo.

Por um fio - 2

Dirceu se declarou "traído" pelo ex-assessor e disse ter errado ao confiar em Waldomiro Diniz. O ministro afirmou ter colocado o cargo à disposição, oferta rejeitada por Lula. Disse ainda que queria ter apresentado um pedido de desculpas público, mas o presidente entendeu que não seria o momento indicado.

Tropa de Choque

O MST, que andava sumido das discussões políticas, aproveitou sessão da Câmara em homenagem aos 20 anos do movimento para sair em defesa do governo. Num inédito discurso pró-establishment, o líder Gilmar Mauro disse que a Polícia Federal já está investigando o caso, manifestou apoio a Dirceu e disse que o caso é uma tentativa da "direita" de enfraquecer o governo Lula.

Velho hábito

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em visita a um assentamento em Minas, voltou a usar o boné do movimento.

Boca fechada

Em Minas, Lula fez campanha para o ministro Anderson Adauto (candidato a prefeito) e chamou o governador mineiro Aécio Neves de "parceiro". O presidente não fez nenhuma menção ao caso Waldomiro.

Manobra desastrada - 1

Com um dia de atraso, o governo começou a atuar contra a instalação da CPI dos Bingos. Na quarta, a CPI atingiu o número necessário de assinaturas graças ao apoio do PT. A idéia inicial foi de que essa investigação poderia atrapalhar a instalação da CPI para investigar o caso Waldomiro. Foi o presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP), quem alertou o Planalto de que a CPI dos Bingos poderia ter efeito contrário ao pretendido.

Manobra desastrada - 2

O Planalto está pedindo a senadores do PT, do PMDB e dos demais partidos aliados que retirem suas assinaturas. Mas, desavisado, o ministro Jaques Wagner (Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social) defendeu que a investigação seja aberta: "Essa [a CPI dos Bingos] me parece inclusive mais própria [que uma CPI do caso Waldomiro]."

Dedo no gatilho

A possibilidade de o ministro José Dirceu ter de sair do governo acabou determinando, junto com rumores e boatos, o comportamento do mercado financeiro. A Bovespa desabou, fechando em queda de 4,77%, aos 20.950 pontos. Os títulos da dívida externa voltaram a sofrer ordens de venda, levando a taxa de risco a se aproximar dos 600 pontos.

Expurgo

Por causa de seu envolvimento com Waldomiro Diniz, o deputado Bispo Rodrigues (PL-RJ) foi afastado de suas funções na Igreja Universal do Reino de Deus e deixou de ser o porta-voz da igreja no Congresso. As determinações foram divulgadas em uma carta do conselho de bispos da igreja, comandada por Edir Macedo.

Assim falou...Edir Macedo

"Não vamos tolerar que os políticos que se elegeram com o nosso apoio se tornem corruptos."

Do bispo primaz da Igreja Universal, no programa Fala que eu te escuto, da TV Record, ao explicar o motivo do afastamento do Bispo Rodrigues.

Futuro comprometido

Um leitor do site Primeira Leitura (www.primeiraleitura.com.br), Ricardo Valente, morador de São Paulo, fez uma observação das mais perspicazes. Dito por ele, e sintetizado do jeito que só ele soube sintetizar, está-se diante de algo que vai muito além do que só é óbvio na aparência. Em meio ao rodízio de argumentos usados pelo Planalto e pelos parlamentares do PT e aliados para justificar a existência e as tarefas de Waldomiro Diniz antes e depois de ter entrado para a equipe do ministro José Dirceu (Casa Civil), no governo Lula, Valente vai ao ponto e constata: "A história ainda não registrou o fato de alguém ter negociado propinas ou jabaculês que se refiram ao passado.

Nessa categoria estão as chantagens, mas não barganhas como a que foi proposta por [Waldomiro] Diniz ao bicheiro, bingueiro ou empreendedor do azar. Ali, em 2002, se negociava o futuro... Se negociava 2003 (...) Então, seja lá o que tiver sido negociado, a entrega se deu a partir do interior do Palácio do Planalto".

Revista Consultor Jurídico, 20 de fevereiro de 2004, 13h47

Comentários de leitores

6 comentários

Nada mais precisa ser dito. Maria Lima Maciel d...

Ana Maria ()

Nada mais precisa ser dito. Maria Lima Maciel disse tudo.

Peço licença a Sthepen Kanits, administrador po...

Alexandre Lawrence de Moura Dias ()

Peço licença a Sthepen Kanits, administrador por Harvard (www.kanitz.com.br) para trazer ao conhecimento de alphalux, valdecir e Gesiel que expuseram suas convicções políticas neste espaço democrático, um tema sonegado convenientemente pela grande mídia e publicado na revista Veja, 14.01.04, fls 24, que certamente lhes permitirá refletir sobre a conveniência ou não de reavaliar o "preconceito" demonstrado para com o Presidente Lula e membros de sua administração, até porque, não há maneira mais democrática de se tratar comparativamente os temas abordados quando o assunto é coerentemente debatido. Vejamos: "Vocês que estão com medo de um calote ou espalhando por aí que o calote é inevitável esquecem que o governo Lula pagou nada menos que 9% da dívida interna em 2003. Neste ritmo, em dez anos a dívida acaba, mas isso não vira notícia." Ora caros amigos, esta notícia é importantíssima e somada a diversas ações de governo tomadas no interesse direto da sociedade pelo Presidente Lula e por "pessoas sem cultura" que integram seu governo, aliás devidamente reconhecidas por diversos organismos internacionais, devem ser "digeridas" e na medida do possível debatidas e expandidas na sociedade, prociciando conhecimento pleno da realidade nacional e, em conseqüência do domínio das matérias de interesse coletivo, propiciar o aprimoramento de nossas instituições de forma democrática. Em contacto com a notícia não basta apenas exprimir nossas convicções de modo açodado e simplista, é preciso primeiro conhecer a fundo o tema, posto que, embora democrático o espaço, estas manifestações tendem a confundir o internauta menos atento, aquele "sem cultura", aliás, sabiamente referido neste espaço pelo Dr. Antônio Marcos de Paulo. Neste momento importante que a economia nacional vive, com possibilidades reais de recuperação do crescimento econômico, geração e melhor distribuição de renda, propiciadas pelo trabalho incansável destas pessoas "sem cultura", é importante a união de todos os brasileiros "do bem" em torno deste projeto, atuando contra todas as forças retrógradas que insistem em negar o que é visível para todos os organismos internacionais que se manifestam diariamente sobre a correção da direção implementada pelo Governo Lula. Somos um país de pessoas em busca de aprimoramento cultural, e isto incomoda àqueles encastelados no alto de sua irresponsável atitude de jogar pedras no telhado alheio, sem se aperceber que o seu pode ser a próxima vítima. DIGNIDADE JÁ!

QUANDO SE PERDE A ALMA CLÓVIS ROSSI Quand...

Maria Lima (Advogado Autônomo)

QUANDO SE PERDE A ALMA CLÓVIS ROSSI Quando se perde a alma PARIS - Quando você chama Orestes Quércia de ladrão de carrinho de pipoca e depois pede e recebe o apoio dele; quando você passa a vida chamando Paulo Salim Maluf de tudo quanto é nome e depois incorpora o partido dele à sua base de apoio no Congresso; quando você inferniza o governo José Sarney e toda a herança dele, inclusive a candidatura de sua filha à Presidência, e depois o transforma em um sábio conselheiro de seu governo; quando você diz o diabo de Antonio Carlos Magalhães e depois aceita o apoio dele. Quando você ataca feroz e vigorosamente a política econômica do seu antecessor e depois pratica política idêntica; quando você sataniza toda a sua vida o Fundo Monetário Internacional e depois aplica condições (não pedidas) ainda mais draconianas para o acordo com o ex-Satã; quando você passa a vida ensinando os outros quais são as políticas sociais certas e depois não consegue fazer a política social certa, a ponto de ter que demitir, em apenas um ano, dois dos responsáveis por elas. Quando você se alia aos antigos inimigos e expulsa antigos companheiros cujo único crime foi o de continuar defendendo o que você defendia até a véspera; quando você faz campanha eleitoral prometendo mudanças e inicia o discurso de posse com uma única palavra (exatamente "mudança") e depois muda muito pouco ou nada. Quando você faz tudo isso, você rifou seus princípios, vendeu a sua história e tornou-se um ser amorfo, sem alma, sem projeto, a não ser o projeto de permanecer no poder. Enterra o orgulho pela história já vivida porque não pode permitir que investiguem a sua nova história. Nem você mesmo sabe se existe ou não "conduta irregular" de um funcionário seu, como admite agora até o seu líder no Senado, Aloizio Mercadante. Enfim, tem de jogar o jogo como quase todos jogaram antes de você. E fracassaram. Temo que seja tarde para voltar atrás e re-reescrever a história e que um filme velho e triste está sendo reencenado com novo elenco. Novo? Folha de S. Paulo, 20.02.2004

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