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Lado escuro

Caso Waldomiro Diniz é coisa normal do ser humano, diz Fonteles.

O escândalo da cobrança de propina envolvendo Waldomiro Diniz, ex-subchefe de Assuntos Parlamentares da Presidência e ex-assessor do ministro José Dirceu, é uma coisa "normal do ser humano". Afinal, "todos temos um lado escuro".

Assim o procurador-geral da República, Cláudio Fontelles, definiu o caso que abalou as estruturas do Palácio do Planalto.

Contudo, o procurador disse que as providências pertinentes ao Ministério Público Federal já foram tomadas com a designação da procuradora Andréa Albuquerque, da Câmara municipal do Rio de Janeiro, para acompanhar as investigações em parceria com a Polícia Federal.

"Todos temos o nosso lado escuro, que eu chamo de dark. Isso existe em partidos políticos, nas agremiações, nas próprias famílias, é parte da vida. E o que nós devemos fazer é combater esse tipo de conduta, quando essas pessoas deixam transparecer esse lado", afirmou o procurador-geral.

Fontelles explicou que o caso está sendo investigado por uma procuradora do

Rio de Janeiro porque, pela denúncia, a cobrança de propina ocorreu naquele

Estado, e porque Waldomiro Diniz, exonerado na última quinta-feira, não goza

de foro privilegiado por prerrogativa da função.

O procurador-geral falou ainda que esse tipo de denúncia vai persistir enquanto a maior parte da população continuar vendendo seus votos. "Se nós tivéssemos consciência na hora de votar, o dinheiro não teria grande relevância. É que lamentavelmente, neste país, as pessoas trocam seu voto por uma camiseta, por uma entrada de futebol, por um liquidificador", afirmou.

A independência do Ministério Público Federal em relação ao Executivo foi frisada por Fontelles. "A nossa postura é extremamente independente. Fui o

primeiro procurador a fazer uma recomendação ao presidente. Recomendei que a verba da Saúde fosse preservada, quando cogitaram cortes no setor. Além disso, processamos a ministra Benedita da Silva por conta daquela viagem ao exterior. São fatos concretos que demonstram nosso posicionamento, concluiu o procurador. (Com informações do Jornal do Commercio)

Revista Consultor Jurídico, 17 de fevereiro de 2004, 17h36

Comentários de leitores

7 comentários

Achar que alguém ocupante de um cargo relevante...

Ageu de Holanda Alves de Brito (Professor Universitário - Empresarial)

Achar que alguém ocupante de um cargo relevante não poderia cometer crimes, é fechar os olhos e deixar o poder sem controle. Não vejo nada de anormal nas palavras de Fontelles, afinal, que terá coragem de atirar a primeira pedra. Deve-se sim, apurar com rigor e punir dentro dos padrões da lei.

"Todos temos o nosso lado escuro, que eu chamo ...

Maria Lima (Advogado Autônomo)

"Todos temos o nosso lado escuro, que eu chamo de dark. Isso existe em partidos políticos, nas agremiações, nas próprias famílias, é parte da vida". Quanta bondade! Quanta compreensão! É o Santo Daime, só pode ser. Como uma pessoa desse nível, com a repercussão que tem sua fala, expõe essa colocação esdrúxula, no mínimo? O lado, digamos, dark, das pessoas, tem um certo charme, evoca algo como uma tatuagem ousada (pleonasmo), olheiras misteriosas (e encantadoras), roupas desestruturadas, um leve toque de "superior tédio" para com pessoas "comuns", e, claro, roupas pretas... amaldiçoar o Sartre, em público (e reler sempre "A Idade da Razão", em casa, tomando aquele conhaque francês...). Adoro o "dark", nas pessoas. É um ESTILO, tipo: "Não gosto que me peguem no braço" (F. Pessoa). Mas, o crime, e é de crime que se trata, gravíssimo, envolvendo toda essa nojeira de poder sem freios? Crime contra o País! Condescender com o crime infamante, entender os humores internos do criminoso! Isso lá é papel do jurista, seja ele quem for? A lei é para ser aplicada. Se o intérprete da lei quer psicanalisar o criminoso, é problema dele! Quem dera o Zé Mané, torturado nas delegacias de polícia do "Continente", fosse visto com tanta candura! Quem manda o Zé Mané não ter um advogado decente, com aquele indispensável conhecimentozinho, digamos, básico, de Psicologia? Nunca fiz advocacia criminal; por honestidade, pensava que, para tanto, teria que ler Bettiol, Reale Júnior, Ariel Dotti, Damásio... estava enganada! Hoje mesmo vou ler um Freudizinho, quem sabe até me anime, e arrisque um Pavlov: vou defender o réu dizendo que, de tanto roubar, se acostumou; é o tal do "reflexo condicionado"; assim, como só exercitou seu lado dark, a vida inteira, não poderia ter outra conduta! O leitor Júlio está certo, isso tem cara de samba-enredo (todos são ruins, sem problema, aqui). É o SANATÓRIO GERAL. Não tem jeito. Pelo menos, salva-se a genialidade do Chico Buarque. De amargar. Maria Lima

Se o MP diz estar ciente de que os mandatos são...

Julio Santa Cruz ()

Se o MP diz estar ciente de que os mandatos são comprados de alguma maneira, é preciso maior vigilância sobre a obscuridade. O grande problema é que, ante o perigo de que alguém acenda uma lanterna, logo se erguem barreiras, como a tese da "normalidade" abraçada, logo logo adotada pelo povo para compor uma música de carnaval.

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