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Alto e bom som

Presidente da CPI do Banestado defende demissão de Dirceu

O presidente da CPI do Banestado, senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), defendeu nesta sexta-feira (13/2) a imediata demissão do ministro José Dirceu por causa da reportagem da revista Época. De acordo com a notícia, o homem de confiança do Planalto -- subchefe da Casa Civil para Assuntos Parlamentares, Waldomiro Diniz, -- acertou o recebimento de dinheiro do jogo do bicho para a campanha eleitoral do PT e para ele próprio.

Antero afirmou em seu discurso no Senado: "Ou o Presidente da República respeita as instituições democráticas e demite hoje, já, agora, não mais do que daqui a pouco, ainda pela manhã, o ministro José Dirceu e seu assessor lotérico, ou jogará sua credibilidade e sua história bem distante da história que todos nós conhecemos e, com muita sinceridade e certeza absoluta, todos admiramos, mesmos nós que fomos derrotados".

O senador, que defende a saída de Dirceu, foi acusado no ano passado de utilizar dinheiro da factoring de João Arcanjo Ribeiro -- bicheiro que está preso no Uruguai -- para campanha eleitoral em Mato Grosso.

O ex-contador de Arcanjo, Luiz Alberto Dondo Gonçalves, disse em depoimento à Justiça Federal, que a factoring do bicheiro emprestou dinheiro ao Grupo Gazeta para o financiamento da campanha de Antero, que concorreu ao governo de Mato Grosso em 2002.

Na ocasião, o senador disse à revista Consultor Jurídico: "Nunca fiz e jamais autorizei qualquer pessoa física ou jurídica a fazer empréstimo em meu nome".

Leia o discurso de Antero

O SR. ANTERO PAES DE BARROS (PSDB - MT. Pronuncia o seguinte discurso. Sem revisão do orador.) - Srª Presidente, Srªs e Srs. Senadores, ocupo esta tribuna hoje mas ressalto, desde logo, que não trago nesse momento a minha posição de Senador do PSDB. Tão pouco falarei na condição de Senador pelo meu Estado de Mato Grosso. V. Exªs ouvirão aqui agora unicamente a voz de um Senador da República preocupado com os supremos interesses nacionais e disposto a dar a sua contribuição para que eles sejam, acima de tudo, preservados. O momento é grave para que qualquer um de nós caia na tentação de extrair vantagens políticas. Eu diria que este é o mais grave momento desta Nação depois da eleição do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Pais acordou hoje sob o impacto de grave denúncia publicada pela revista Época com o título "Dinheiro sujo" estampado na capa e "Bicho na campanha" em páginas internas. A revista dá conta de um escandaloso caso de corrupção, tráfico de influência, falta de decoro funcional protagonizado pelo mais importante assessor do mais poderoso Ministro do Governo do Presidente Lula, ou seja, pelo mais importante assessor do Ministro José Dirceu.

Irei me deter primeiro na pura e simples exposição dos fatos tornados públicos pela revista. De maneira didática e com todo o cuidado para não incorrer em distorções, relacionarei os fatos com outros amplamente conhecidos pela maioria dos Senadores. Só depois direi o que penso e o que proponho que esta Casa faça.

Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, há cerca de 20 dias documentos e fitas de vídeo me foram enviados por remetente anônimo. Esses documentos e essas fitas de vídeo revelam um caso de corrupção só comparável ao episódio que envolveu o ex-Presidente Fernando Collor e o tesoureiro da sua campanha, Paulo César Farias. As provas que a revista Época publica hoje atingem o coração do Governo do Presidente Luiz Inácio Lula da Silva e de seu mais importante auxiliar, o Chefe da Casa Civil da Presidência da República, Ministro José Dirceu. Falo com profundo conhecimento do assunto. Quando me chegaram os fatos - há mais de 20 dias - percebi, de imediato, que o seu conteúdo não tinha nenhuma relação com a CPMI do Banestado, que presido. Compreendi a enorme gravidade do que ali estava e, não conhecendo o personagem principal do documento, tive o cuidado de encaminhá-los ao Ministério Público Federal para que fossem avaliados e periciados. Apesar do explosivo documento, durante todo esse tempo, guardei absoluto silêncio do seu conteúdo. Não conversei com ninguém, nem nesta Casa, nem sequer na minha casa.

Foi com tristeza e com espanto, Sr. Presidente, Srªs. e Srs. Senadores, que soube ontem que aquele documento que imaginava explosivo eram, na verdade, provas contundentes, absolutamente irrefutáveis, de um dos maiores escândalos já vistos nesta República. E os fatos não são novos, já vêm de algum tempo. A Isto É trouxe, em sua edição de nº 1.761, reportagem sob o título "Corrupção, rede da fortuna", revelando as ligações entre a máfia dos jogos de azar e caça-níqueis e políticos ligados ao jogo clandestino. A revista citava nominalmente o Assessor Especial da Casa Civil, Waldomiro Diniz da Silva*, ex-presidente da loteria do Rio de Janeiro, como um aliado dos contraventores e criminosos. Dias depois, em um site que circula na Internet, do jornalista Cláudio Humberto, aparecia uma interferência do Ministro José Dirceu não para apurar as denúncias, mas para abafá-las.

Revista Consultor Jurídico, 13 de fevereiro de 2004, 15h15

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