Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Crime organizado

Justiça Federal determina extinção da Scuderie Le Cocq

Por 

O juiz da Quarta Vara da Justiça Federal, em Vitória, Alexandre Miguel, determinou a extinção da Scuderie Le Cocq. De acordo com a sentença proferida no dia 5 de novembro, o juiz determina a dissolução da pessoa jurídica Scuderie Detetive Le Cocq, e manda suspender de imediato todas atividades da organização, exclusivamente a inclusão de novos sócios. O documento também proíbe a divulgação do nome e de símbolos da Scuderie.

A decisão da Justiça Federal acata o pedido do Ministério Público Federal, que havia ingressado há mais de dois anos na Quarta Vara pedindo a extinção da organização, com a alegação de que a Scuderie Le Cocq tem natureza paramilitar e persegue objetivos ilícitos em detrimento de órgãos e interesses da União, além disso, segundo o Ministério Público, a corporação intervém na apuração de crimes em que supostos associados estariam envolvidos, para assegurar-lhes impunidade.

A Scuderie Le Coq foi fundada na ditadura militar no Rio de Janeiro, com o objetivo de vingar a morte do detetive Milton Le Cocq e de outros policiais. Seu símbolo é o mesmo dos esquadrões de morte: uma caveira, duas tíbias e as iniciais EM.

No Espírito Santo, chegou a ser formada por, pelo menos, 800 associados, entre policiais civis, militares, advogados, delegados de polícia, juizes, promotores, coronéis e políticos. O grupo é acusado de assassinar pessoas que se opõem aos seus interesses e estaria envolvido em dezenas de crimes, como tráfico de drogas, jogo do bicho, roubo de carros e sonegação de impostos.

Em maio de 2002, a Anistia Internacional divulgou um relatório em que o Espírito Santo era citado como um Estado em que os "defensores dos direitos humanos sofriam ameaças crescentes" e classificou a Scuderie Detetive le Cocq como "uma estrutura paramilitar", "com poderosos grupos econômicos e políticos no Estado, incluindo membros dos poderes executivo, legislativo e judiciário".

Diversas investigações federais, segundo o documento, já haviam implicado a Le Cocq em execuções extrajudiciais, homicídios de defensores dos direitos humanos, corrupção e crime organizado.

Na época, o relatório motivou o presidente da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), Rubens Approbato, enviar um relatório ao então Ministro da Justiça, Miguel Reale Júnior, pedindo a intervenção federal no Estado do Espírito Santo, sob a alegação de que instituições criminosas, como a Escuderie Le Cocq, estavam infiltradas em muitas instituições do governo capixaba.

Em julho de 2002, o Conselho de Defesa dos Direitos da Pessoa Humana chegou a aprovar o relatório que sugeria a intervenção federal, mas o pedido foi arquivado.

O Espírito Santo chegou a ser tema do jornal americano "The New York Times", em setembro daquele ano. O jornal comparava o Estado com a Colômbia e a capital Vitória seria a "nova Medelin". Ainda na reportagem, o NYT afirmava que muitos dos responsáveis pela "epidemia de violência" no Estado eram "oficiais defensores da lei". O jornal citava o poder da Scuderie Detetive Le Cocq dentro do ES.

Fonte: Gazeta – Espírito Santo

Gabriela Ribeti é repórter

Revista Consultor Jurídico, 11 de dezembro de 2004, 12h50

Comentários de leitores

3 comentários

Também sou natural do Rio de Janeiro e resido n...

Jorge Aragão ()

Também sou natural do Rio de Janeiro e resido na Grande Vitória e posso dizer que fiquei perplexo com os comentários do Sr. Luís Fernando que assina como Procurador do Estado e advogado. Milito na área de segurança privada e pública a mais de 13 anos em Vitória e discordo totalmente com os comentários do Sr. Luís o que me leva a crer que ou ele não conhece o Espírito Santo ou anda por aqui de helicóptero, senão vejamos. Ele diz que "essa estória da Le Coq, por exemplo é puta palhaçada...." eu diria que essa HISTÓRIA da Le Coq é pura verdade e todos por aqui conhecem, acompanham, já sofreram a perda de algum amigo, ou ente querido ou já foi ameaçado pela Le Coq, por outro lado me causa indignação que um procurador do estado diga que tudo não passou de "Palhaçada", então quer dizer que Delegados Federais e Civis, Procuradores da República, Juízes Federais, Promotores da Justiça Comum e Juizes, policiais honestos que labutaram e derramaram o sangue para expurgar essa praga da Le Coq,Jornalistas e todos nós povo, SOMOS PALHAÇOS, sem contar que indiretamente ele também diz que o Governador do Estado do qual ele é procurador é o "Palhaço Mor" pois quem mais tem levantado essa bandeira aqui nos ES depois do Ex-Governador Max Mauro e seu filho Max Filho tem sito o atual governador Paulo Hartung. Eles também são palhaços. Uma pergunta : Será que o eminente Dr. Luís não é o mesmo que aparece em processos do famigerado José Carlos Gratz, como seu advogado? Para quem não conhece, o Gratz de acordo com a mídia, GRCO-Grupo de Repressão ao Crime Organizado e CPI do Crime Organizados, todos apontam esse senhor como o "Grande Chefe" do Crime Organizado no ES, tanto é que foi preso novamente. Se o Sr. Luís não for o advogado que aparece nos processos como Advogado do Gratz e for apenas uma grande coincidência eu antecipadamente peço minhas desculpas, mas continuo achando muito estranho suas declarações como procurador do Estado do Espírito Santo.

Estive em Vitória algumas vezes a trabalho, não...

CPS-Celso (Advogado Associado a Escritório - Trabalhista)

Estive em Vitória algumas vezes a trabalho, não tive tempo para usufruir mais daquela bela cidade, lamentavelmente. Tive o prazer de conhecer a "lendária" Cachoeiro, de Roberto Carlos. O combativo Luiz Fernando possui certa razão, Vitória não é o inferno, mas tem uns "biabinhos" violentos, mas que a midia exagera é verdade. Um advogado de Brasilia ficou admirado quando eu - morando em um Estado que dizem ser rota de tráfico de entorpecente - lhe afirmei que nunca tinha visto cocaina e que nem conhecia alguem que possuia. Isto não quer dizer que aqui não tenha droga disponível em abundancia e nem que ai a criminalidade não exubere, possivelmente voce e eu não estejamos avistando-a.

Sou natural do Rio e resido na Grande Vitória, ...

LUÍS  (Advogado Sócio de Escritório)

Sou natural do Rio e resido na Grande Vitória, e posso dizer com absoluta certeza que aqui é menos violento que o Rio e outras Capitais que conheço muito bem, como São Paulo. Existem aqui problemas muito sérios, principalmente a péssima estrutura carcerária e judiciária. Mas isso há em outros lugares também. O que acontece é que os governantes aqui exploram muito o lado negativo do Estado, porque isto dá voto. Eles pregam o combate ao tal crime organizado, porque isto dá voto. Daí, se alguém for adversário deles, eles dizem que é do crime organizado. Essa estória da Le Coq, por exemplo, é pura palhaçada. Já faz muitos anos que sequer existe tal associação. Quem lê acha que é como um Comando Vermelho ou coisa parecida, mas não chegava nem aos pés, era uma associaçãozinha que tinha pessoas bem intencionadas e outras mal intencionadas como muitas outras. Não era o que a mídia pintou. No entanto, o Jornal A Gazeta e os Governos ficam utilizando isto para difamar o Espírito Santo, e, infelizmente, quem ouve acredita. Não deixem de vir ao Espírito Santo por causa destas besteiras. Recentemente, uma tal força tarefa veio passear aqui no Espírito Santo, coisa completamente desnecessária. Possuímos polícia militar e civil com as virtudes e problemas que todos Estados possuem.

Comentários encerrados em 19/12/2004.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.