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Itália quer extradição de traficante condenado no Rio com nome falso

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O governo da Itália, através de sua embaixada em Brasília, ingressou em julho no Supremo Tribunal Federal com pedido de extradição -- processo Ext. 932 -- do traficante italiano Corso Domenico Pantaleo, de 38 anos. Desde agosto de 2003, Pantaleo está preso no Rio de Janeiro, condenado a cinco anos de reclusão em regime fechado, mas identificado com o falso nome de Fábio Marini, de 35 anos, casado com a brasileira Maria de Jesus Nascimento Lopes, com quem teria tido um filho brasileiro, hoje com um ano e meio.

A descoberta da verdadeira identificação do preso, conforme noticiou o jornal O DIA, só foi possível depois que a Polícia Federal do Rio enviou para a sede internacional da Interpol, na França, as impressões digitais do preso identificado como Fábio Marini. A providência foi tomada depois que se verificou junto às autoridades italianas que não existia passaporte daquele país com esta identificação.

Esta semana chegou à Superintendência do DPF no Rio a confirmação de que Marini na verdade é Pantaleo, traficante foragido da Itália, que em 2000 foi condenado pela Justiça Italiana como importante criminoso no tráfico internacional de drogas, provavelmente ligado à máfia.

Com a identificação de Fábio Marini, Pantaleo está no Rio de Janeiro desde 1999, onde se estabeleceu no balneário de Búzios, cidade do litoral norte do estado, freqüentada pela elite fluminense. Naquela cidade, ele montou uma locadora de carros e uma agência de viagens, ambas denominadas Marbella e localizadas na rua Manoel Turíbio de Farias, no centro da cidade.

A mulher do traficante, em Búzios, era conhecida como Márcia. Os dois residiam no condomínio fechado Beach Club, na badalada praia de Geribá, onde fica a casa de veraneio do técnico de futebol Renato Gaúcho. Na Praia Brava, no mesmo município, ele teria comprado um terreno de cinco mil metros onde falava em construir um hotel.

O italiano foi preso no dia 21 de agosto do ano passado, depois que a polícia fluminense, através de informações passadas ao Disque Denúncia do Rio, prendeu um jovem de 16 anos com cinco quilos de cocaína saindo do apartamento 117 do Condomínio Barra Bella, na Barra da Tijuca. O apartamento estava alugado por 30 dias em nome de Fábio Marini e o jovem não custou a entregar o responsável pela droga que, naquela hora, estava em um apartamento do Copacabana Mar Hotel, na rua ministro Viveiro de Castro, em Copacabana.

No hotel, a polícia o encontrou no quarto. Mas antes que a porta fosse aberta com ajuda de chave mestra, o italiano escapou por uma laje junto à janela, pulando para o apartamento de um aposentado e escondendo-se no quarto de empregada, onde acabou sendo preso. A fugir, o traficante deixou para trás o filho de meses e, num dos armários do apartamento, outro pacote com dois quilos de cocaína.

Ainda com a identificação de Fábio Marini, o italiano foi julgado e condenado, em novembro passado, a cinco anos de prisão, em regime fechado, por tráfico de drogas. A decisão foi do juiz Roberto Rocha Ferreira, da 35ª Vara Criminal do Rio.

Hoje, o italiano ainda recorre da sentença junto à Quarta Câmara Criminal do Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro, mas ele sempre soube que tinha poucas chances de ser absolvido tanto que, segundo um dos muitos advogados que trabalharam em sua defesa, sua maior preocupação era de conseguir a transferência para um hospital psiquiátrico de onde, possivelmente, tentaria fugir.

 é repórter da sucursal do Rio de Janeiro de O Estado de S.Paulo.

Revista Consultor Jurídico, 31 de agosto de 2004, 21h06

Comentários de leitores

1 comentário

Acho melhor extraditar. No Brasil a judicatura...

Willians Makenzie (Funcionário público)

Acho melhor extraditar. No Brasil a judicatura acabou faz muito tempo. Vi recentemente em São Paulo, vários slogans em autos com os dizeres "Judiciário garantia de corrupção" Penso que tudo deveria ser concentrado no Executivo (já há as medidas provisórias, sem precisar do legislativo), então para que o judiciário? Façamos como antanho. Os alemães dão rizadas das decisões da judicatura tupiniquim, principalmente em matéria constitucional E isso, confesso que lá assisti. Lulalá!

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