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Índice de reprovação em exame da Ordem chega a 70% no Pará

Mais da metade dos bacharéis em Direito que participaram da última edição do exame para ingresso na Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Pará, foram reprovados. Os números chegaram a 70% e levaram o presidente regional do órgão, Ophir Cavalcante Júnior, a querer instalar um fórum permanente de discussão em torno da melhoria da qualidade do ensino jurídico.

Nessa quinta-feira (22/4), a OAB reuniu sua Comissão de Ensino Jurídico em parceria com a Comissão de Estágio e Exame de Ordem, a Escola Superior de Advocacia e representantes de universidades do Estado para iniciar o debate. Na reunião, a Ordem sugeriu às instituições a instalação do fórum, que contaria com a participação de representantes de instituições de ensino superior e também de centros acadêmicos de estudantes.

O objetivo é identificar os problemas mais urgentes e buscar soluções para a crise que vive o ensino jurídico. Segundo Cavalcante Júnior, a iniciativa foi bem recebida pelas entidades. "Ao instituir uma nova cultura de discussão do ensino jurídico, a OAB deixa a postura de mera fiscalizadora para atuar como partícipe de um processo maior, que tem como fundamento a melhoria da qualidade do ensino".

Também participaram da reunião representantes da Universidade da Amazônia (Unama), do Centro Universitário do Pará (Cesupa), da Faculdade Ideal e da Faculdade do Pará (FAP).

O reitor da Universidade da Amazônia (Unama), professor Edson Franco, ressaltou que a OAB inova positivamente para melhorar a integração acadêmica com os alunos e a Ordem. "A interlocução que esse fórum proporcionará será fundamental à construção de um ensino jurídico voltado para a formação de bons operadores de Direito." (OAB)

Revista Consultor Jurídico, 23 de abril de 2004, 18h52

Comentários de leitores

2 comentários

Parabens a iniciativa, pois mais uma vez se vê ...

Alvaro Benedito de Oliveira (Advogado Autônomo)

Parabens a iniciativa, pois mais uma vez se vê retratada a nescessidade de se inteirar ao estudante a possibilidade de estágio junto às lides forenses, que deveria iniciar-se logo no segundo ano do curso de bacharelado, propciando assim aos academicos melhor absorção e entendimento das aulas que lhes são ministradas e ainda dos termos e principios juridicos e de direitos basilares as profissões voltadas e embasadas no direito e não só a advocacia. Espero que seja cumprida a meta idealizada e propalada por Dr.Luiz Flavio DUrso, de extender o estagio aos estudantes.

O Presidente Ophir, ao chamar a atenção para es...

Luís Carlos Moro (Advogado Sócio de Escritório)

O Presidente Ophir, ao chamar a atenção para essa importante temática, dá um passo adiante no tratamento da enfermidade social que se traduz na baixa qualidade média do ensino jurídico das mais de setecentas faculdades de Direito do país. Não basta a vedação do acesso à advocacia aos bacharéis que não reúnam condições para o exercício da profissão. É necessário que os responsáveis pelo ensino jurídico compreendam o papel institucional da Ordem, na preservação da reserva técnica da advocacia. Ao revés do que possa eventualmente aparentar, tal reserva não tem o propósito de assegurar mercado aos advogados, mas fundamentalmente o de preservação da qualidade do exercício da profissão, que não pode ser ainda mais degradada do que já o foi, ao longo de tantos anos em que o Ministério da Educação e Cultura, contra os pareceres emitidos pela Ordem dos Advogados do Brasil, autorizava a abertura de novos cursos jurídicos, cada vez mais voltados à captação de uma clientela com severos vícios de educação fundamental, mas com capacidade econômica de proporcionar lucros às faculdades, muitas "sem fins lucrativos". É um sistema doentio, do lucro "sem fins lucrativos", do ensino sem aprendizado, da diplomação da ignorância. Incumbe-nos a todos, Ordem, instituições de ensino, estudantes e sociedade, tentar prover as vítimas da deficiência do sistema de condições mínimas para que, mais que consumo de educação, haja aprendizado. Mais que bacharelismo, haja bacharelado. Valer-se do ardil de oferecer bacharelado sem que o bacharel acresça algo à sua formação e potencialidade profissional é algo que, senão configura, aproxima-se muito de um tipo penal. Parabéns ao presidente Ophir. Não basta reprovar. É preciso ensinar.

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