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Coração das trevas

DEA é acusada de contratar agente para matar Beira-Mar

O ministro da Justiça Márcio Thomaz Bastos, o diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, e o ministro chefe da Abin, Jorge Félix vão prestar depoimento, na próxima quarta-feira (14/4), às 10h, na Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, do Senado, em Brasília. Motivo: investigações sobre ato da DEA (Drug Enforcement Administration), a agência anti-drogas dos EUA -- que teria contratado um agente brasileiro para matar o traficante Fernandinho Beira-Mar.

Em 10 de outubro de 2003, o procurador da República Luiz Francisco Fernandes de Souza já havia encaminhado recomendação ao diretor da Polícia Federal, delegado Paulo Lacerda, para que tornasse públicas as movimentações da conta secreta número 284.002-2, agência 3476-2, do Banco do Brasil. Esta conta, de Brasília, vem sendo alimentada pela DEA, com cerca de US$ 5 milhões anuais.

O senador Eduardo Matarazzo Suplicy tomou depoimento, na terça-feira (6/4), de três horas de Maurício Vilela, o agente da DEA cuja missão teria sido envenenar Beira-Mar na cadeia. Por não ter concordado com a morte encomendada, ele teria sofrido um atentado, na zona norte de São Paulo, em que levou dois tiros -- um deles a um centímetro do coração.

Na quarta, às 16h, Suplicy esteve pessoalmente no gabinete de Donna J. Hrinak, embaixadora dos EUA no Brasil. Ela está no cargo desde 19 de abril de 2002.

Leia a entrevista de Suplicy à revista ConJur:

Como foi seu encontro?

Eu primeiro relatei à embaixadora que tinha gostado muito do documentário que foi premiado com o Oscar, do Robert McNamara, As Brumas da Guerra, pois se trata de um verdadeiro libelo em favor da paz. Quando terminei de assistir ao filme, nos Estados Unidos, que até assisti junto do embaixador Rubens Barbosa, do Brasil em Washington, eu resolvi verificar na lista telefônica de Washington e encontrei o telefone de Robert McNamara. Ele próprio atendeu ao telefone, conversei com ele, disse que tinha gostado do filme, disse que era um libelo a favor da paz. Ele me agradeceu muito o telefonema e disse que era exatamente este o propósito que ele tinha. Disse que aquilo trazia lições importantes de como nunca mais os Estados Unidos deveriam intervir unilateralmente em outro país, e ele disse que infelizmente estavam fazendo isso outra vez.

E sobre o Brasil?

Então transmiti à embaixadora Donna J. Hrinak que, nós na comissão que examina as atividades da Abin, que eu presido como presidente da Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional, ouvimos na terça-feira o senhor Carlos Alberto Costa, que foi diretor do FBI no Brasil por quatro anos, e também de um ex-cooperador da DEA, pelo menos assim denominado, e ambos relataram como diversos brasileiros e alguns policiais federais têm recebido ao longo de anos pagamentos que podem ser digamos de US$ 2 mil, de US$ 8 mil ou mais, para as mais diversas missões, que são feitas a partir de um entendimento entre os governos do Brasil e dos EUA, mas que não há qualquer registro contábil para que, seja o Tribunal de Contas da União, seja o Congresso Nacional, saibam desses pagamentos ou sobre quais as finalidades dessas missões e portanto sobre isso queremos saber a respeito, e inclusive nesta quarta-feira dia 14, às 10h da manhã, estaremos ouvindo os ministros Márcio Thomaz Bastos, acompanhado do diretor da Polícia Federal, Paulo Lacerda, bem como do Ministro Chefe da Abin, Jorge Félix, para sabermos como são tais procedimentos.

Mas ademais eu perguntei a respeito do que diz respeito ao caso de Carlos Alberto Costa, que teria deixado de trabalhar como diretor do FBI no momento em que lhe pediram para estar acompanhando e rastreando todos os passos das pessoas que freqüentam mesquitas no Brasil, porque segundo ele isso seria algo inconstitucional, porque só por causa da crença da pessoa no Islamismo seguir os seus passos seria algo contra a Constituição e por isso ele deixou de realizar aquele trabalho . No que diz respeito a isso a embaixadora confirmou que ele trabalhou como diretor do FBI, mas que a razão de sua saída foi por justa causa e por outro motivo.

E sobre a DEA?

No que diz respeito ao colaborador do DEA que prestou depoimento na última terça-feira, por mais de três horas, perante dez deputados e senadores do Congresso Nacional, em sessão reservada ele nos revelou das inúmeras ações que realizou como cooperador da DEA, no período de quatro anos, até que foi instado a realizar uma missão que ele considerou que iria ferir a Constituição Brasileira e se recusou a fazer. E depois desta recusa em fazer tal procedimento, que consistiria em eliminar a vida de uma pessoa, então acabou ele sendo perseguido e tendo sofrido um atentado a tiros, quando estava certa vez em São Paulo, na área do Jaçanã, depois também, certo dia, foi espancado. A respeito deste rapaz, a embaixadora informou-me que ele de fato foi um dia, no final de 1999 ou início de 2000, argüido no Consulado dos EUA para ser ou não contratado pela DEA, e que entretanto depois de ter sido fotografado e interrogado, depois de terem sido catalogadas as suas impressões digitais, ele não teria sido contratado pela DEA.

O que ela disse?

Ela informou, e ele confirma isso, que por duas vezes, anteriormente a este fato, o seu visto de ingresso nos EUA teria sido negado. Eu transmiti à Embaixadora que ele sustentava que tinha sido contratado pela DEA, e que inclusive lá por volta de 2000 realizou um curso de 230 horas, que durou pouco mais de um mês, em Nova York, ocasião em que lá esteve a convite da DEA. A Embaixadora disse que isto não teria ocorrido.

Ele teria sido contratado para matar Beira-Mar?

A missão que ele foi convidado a realizar, e ele se recusou a fazer, era de levar dois tubos, cujo conteúdo era de bactérias, para dois policiais militares do Batalhão em que estava detido Fernandinho Beira-Mar. Ele deveria entregar US$ 20 mil para os dois PMs. E ele então perguntou “Para que servem estes dois tubos?”. Disseram que eles continham bactérias que, se colocadas na alimentação da pessoa, ela terá uma infecção generalizada e em 30 até 90 dias virá a falecer. Diante desta informação ele se recusou de realizar a missão. Ele devolveu a caixa de isopor com os tubos e os US$ 20 mil e foi até a OAB do Rio do Janeiro, onde relatou o episódio. Disse que relatou à DEA que estava denunciando isto, então foi posteriormente objeto de atentado a tiros que por pouco não o levou ao falecimento, porque o tiro passou a um centímetro de seu coração e as marcas de tiro essas são verdadeiras, nós vimos as cicatrizes dois tiros no seu corpo.

Revista Consultor Jurídico, 8 de abril de 2004, 17h11

Comentários de leitores

2 comentários

Pessoal que está por fora e não sabe o que ocor...

Carlos Henrique ()

Pessoal que está por fora e não sabe o que ocorre dentro da justiça fala besteira e não tem vergonha. Nem sequer procuram saber a verdade efetiva das coisas. É uma blasfemia dizer que é necessário criar um órgão fora do judiciário com o intuito de controlar e punir os magistrados. Corregedoria serve p/ aque afinal? Quando nosso querido presidente disse "controle do judiciário" e "caixa preta do judiciário" foi uma agressão aos ouvidos. Me causou até um mau estar.. Americanos... americanos.. se não encontram o Bin Laden.. o que os faz pensarem que irão conseguir matar a praga do Beira-Mar?

Que coisa! Estou me sentindo um 'verme' diante ...

Luiz Conceição Magniccaro ()

Que coisa! Estou me sentindo um 'verme' diante de tanto poder, e ainda querem a fiscalização externa no judiciário.Já temos ela já existe.Taí a prova.

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