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Sexta-feira, 31 de outubro.

Primeira Leitura: Lula faz discurso destemperado e direitista.

Cadê Lulinha Paz e Amor?

No mais destemperado, direitista e autoritário discurso feito em dez meses de governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou todos os ex-presidentes da República de "covardes", disse que foi eleito para "fazer as coisas que precisam ser feitas" e que se transformou no "sindicalista mais importante deste país".

Algo no ar

Embalado e atirando para todos os lados (saiba mais acessando o site Primeira Leitura -- www.primeiraleitura.com.br), o presidente chegou a dizer que governa a "oitava (!) economia mundial do planeta Terra (sic)". Dois fatos impressionantes regem o bastidor desse discurso: foi feito de supetão, com jeito premeditado, na abertura da solenidade de inauguração de um terminal de passageiros do aeroporto de Campina Grande, e em um tom de confronto com os governos anteriores.

Algo no ar - 2

Nada disso combina com a intenção do ministro José Dirceu (Casa Civil), manifestada nesta quinta-feira, de abrandar as críticas que fizera especificamente ao ex-presidente Fernando Henrique e, segundo o governador Aécio Neves (PSDB-MG), até de telefonar para FHC.

Voluntarismo

O discurso aprofunda o voluntarismo que Lula exibia na campanha eleitoral, aquela idéia de que basta a "vontade política" de um governante para que os planos se concretizem. Despolitizado e recheado de bravatas, o texto concebido pelo presidente impressionou as lideranças políticas, em Brasília, por expor claramente o presidente como um "animador de massas" e um homem irascível diante de pequenas crises do cotidiano da política e da administração do Estado.

Pergunta

A pergunta é: se o presidente reage assim nas pequenas frustrações e se incomoda tanto com as críticas de um ex-presidente da República -- no caso, Fernando Henrique Cardoso --, o que não dirá ou fará diante de dificuldades reais, como a economia que não gera nem os empregos nem a renda prometidos na campanha eleitoral de 2002? Ou a necessidade de enfrentar uma crise externa?

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"Cheguei à Presidência da República para fazer as coisas que precisavam ser feitas neste país e que muitos presidentes, antes de mim, foram covardes e não tiveram coragem de fazer o que precisa ser feito"

"Me transformei no sindicalista mais importante deste país, sem ter medo de cara feia, de direita ou de esquerda"

"Se um pernambucano de Garanhuns tivesse medo de cara feia, não sairia sequer da barriga da sua mãe"

Do presidente da República, ontem, durante discurso em Campina Grande

Assim falou... Fernando Collor de Mello

"Não tenho medo de cara feia. Isso meu pai já me dizia desde que eu era pequeno, que havia nascido com aquilo roxo"

Do ex-presidente, que sofreu impeachment em 1992, reagindo a manifestantes da CUT durante um discurso em 1991, em Juazeiro do Norte.

Ecos do passado

Discursos auto-referentes não são novidades na política brasileira. Discursos algo machistas, também não. Discursos que associam qualidades, como a coragem, à condição social e/ou região de nascimento nunca faltaram, tampouco. Mas poucas vezes na história todos esses artifícios são usados ao mesmo tempo pela mesma pessoa. Numa dessas vezes, o autor da proeza foi o ex-presidente Fernando Collor de Mello. Ele gostava de associar a condição de nordestino à qualidade de ser forte.

E de associar a qualidade de ser forte ao fato de ser homem. Por fim, misturava o gênero masculino a um certo estado de destemor. Foi amalgamando esses elementos que deu à luz sua mais estranha criação: um presidente com "aquilo roxo". Lula, evidentemente, não é Collor. Mas a insistência de Lula em vender-se como um macho-nordestino-forte-destemido é idêntica à de Collor.

Veja-se esta frase: "Ela engravidou no primeiro dia de casamento, porque pernambucano não deixa por menos." Pois bem, foi dita por Lula, referindo-se à sua esposa, Marisa Letícia, em junho deste ano, e não por Collor de Mello. Outras frases ditas ontem (veja acima) completam um quadro que merece ser analisado.

Revista Consultor Jurídico, 31 de outubro de 2003, 9h41

Comentários de leitores

4 comentários

Lula, direitista? Só porque foi autoritário? Nã...

Octavio Motta (Advogado Autônomo)

Lula, direitista? Só porque foi autoritário? Não existe autoritarismo de esquerda? Daqui a pouco vão chamar o PT de partido "de direita" porque pratica nepotismo.

Parece que muitos ainda se entorpecem com discu...

Alex A. Ferraresi ()

Parece que muitos ainda se entorpecem com discursos populista e demagogos, revestidos de um fundo ideológico da pretenciosa posse da verdade universal. Este presidente, e o grupo que o acompanha é provavelmente, o maior desastre da história brasileira.Não votei e nunca votaria nesta pessoa, menos por questões ideológicas, e mais por respeitar minha capacidade intelectual. Não me parece sensato que pessoas coerentes e com razoavel grau de cultura não percebam a ingenuidade e o reducionismo do presidente e de sua equipe em seus discursos e propostas. Isto demonstra a incapacidade de entender a complexa relação das coisas. Falta visão sistêmica, além de cultura. Sinto-me ofendido intelectualmente ouvindo pasmaceiras e discursos desconexos e redundantes, e ao mesmo tempo, vendo a incompetência gerencial desses que pretendem administrar o país. A questão não é a baixa escolaridade em si, mas a maneira, a capacidade, a forma de ver o mundo.Estes discursos, recheados de argumentações adolescentes - e esta é a melhor comparação a meu ver - não chegam a lugar nenhum. ~Se somente vontade e intenção mudassem o mundo, ele seria muito diferente. Provavelmente seria dos adolescentes, porque estes são, além de tudo, monolíticos em suas idéias, além de revoltados e donos da verdade. Falta competência. Regredimos à década de 50 em termos políticos e administrativos. Este governo politizou a educação, a contratação de servidores, a saúde, enfim, preenchendo cargos de acordo com com a ideologia atrasada dominante em boa parte do PT. O nepotismo e o fisiologismo parecem ser a marca registrada de um governo populista que pretenciosamente é detentor da única maneira correta de fazer as coisas. Ouvir este cidadão eleito presidente discursar deveria arrepiar qualquer pessoa consciente do que vem sendo "modificado" em nossa sociedade. Falta respeito! Lamentável !!!

Inicialmente, convém esclarecer que a "isenta" ...

Silvio Luiz Januário, Silviolj@uol. Com. Br (Advogado Sócio de Escritório - Trabalhista)

Inicialmente, convém esclarecer que a "isenta" revista PRIMEIRA LEITURA possui como "Publisher" o Sr. Luiz Carlos Mendonça de Barros, aquele ex-ministro das comunicações e da tropa de choque de FHC, aquele que se viu compelido a se afastar "espontaneamente" do Governo FHC em razão do "duvidoso" processo de privatização da Tele Norte-Leste, das relações com Ricardo Sérgio (caixa de campanha de FHC??), etc, etc, etc. Pois bem, a forma com que o "PRIMEIRA LEITURA" se reporta ao presidente Lula poderia induzir o leitor a algum tipo de preconceito impregnado no texto. Entretanto, na verdade, vislumbro um profundo ressentimento político da tropa que afundou o País, colocando-o com os joelhos e mãos espalmadas rente ao nível do solo, bastando analisar o legado que os 8 anos de cultura econômica dos "cultos", entre os quais Mendonça sempre fez questão de se incluir, deixou para o atual governo. Mendonça e sua trupe do PRIMEIRA LEITURA tentam igualar Lula a Collor, o que se traduz numa ação rasteira e rançosa. A trajetória política de Lula certamente causa inveja a Mendonça e talvez esteja aí a sua frustração e mágoa. Embora "letrado", Mendonça está na memória do povo por motivos muito diferentes daqueles que elevou Lula ao cargo máximo do nosso País e, sem os mesmos "predicados" de Mendonça, está, em menos de 1 ano, reparando os perversos danos causados ao País pela tropa de FHC nos seus longos 8 anos. Os números da dupla Gestão FHC, que o País conhece suficientemente, são capazes de indignar a todos e Mendonça, economista conceituado, os conhece melhor do que eu. Do que disse Lula e que motivou Mendonça a compará-lo a Collor, a mim, cabe apenas uma pergunta ao País: Pode um Presidente se indignar com a situação de penúria gerada por sucessivos (des)governos (Regime Militar, Sarney, Collor, FHC)? A minha resposta é uma só: Pode e deve. O dia que Lula achar normal a enorme miséria dentro de um País tão rico, esse não será o Lula que gera tanta esperança ao povo sofrido, será o Lula que se curvou ao medo e abandonou a esperança. Lula, não se curve a pessoas como Mendonça de Barros. Afinal, mesmo diante do cadafalso nos sombrios porões da ditadura, você não se curvou aos algozes. Além do mais, aqueles verdugos, além de não se esconderem atrás das revistas da época, eram seguramente mais violentos.

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