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Terça-feira, 14 de outubro.

Primeira Leitura: "reação sobre inspeção da ONU é despropositada."

O pêndulo do PT

O presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), afirmou ontem que não aprovaria uma fiscalização da Organização das Nações Unidas no poder Legislativo, caso fosse proposta. Mais do que isso, considerou que uma interferência externa do Poder seria "inaceitável".

O pêndulo do PT - 2

A opinião de João Paulo, uma estrela em ascensão no PT, se choca com a posição do Planalto de defender fiscalização externa no Judiciário por inspetores da ONU. João Paulo apoiou os protestos de juízes contra essa posição do governo Lula. "O problema do Judiciário tem que ser discutido aqui dentro do país", disse, usando também a palavra "ingerência" para qualificar a inspeção.

É método, não racha

A posição de João Paulo confronta a posição do Planalto. Será um racha, perguntará alguém mais crédulo? Não. É método. O PT vem efetuando um trabalho regular de ocupação de espaços na política. Todos os espaços. Até o que deveria ser o da oposição.

É método, não racha - 2

Já o presidente do PT, José Genoino, afirmou ontem que a reação dos juízes sobre a possibilidade de a ONU enviar um observador ao sistema judicial do país é "despropositada". Para Genoino, a medida não pode ser classificada como interferência em assuntos internos. Lá foi o pêndulo petista para o outro lado, de novo.

Indefensável

Genoino defendeu, assim, o indefensável: o uso das Nações Unidas como arma numa desavença entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Maurício Corrêa, que criticou duramente seu governo em entrevistas concedidas no mês passado.

Falso dilema

O coordenador da Mobilização Social para o Programa Fome Zero, Frei Betto, criticou a disparidade entre a quantidade de recursos que os países aplicam no combate à fome e aqueles usados para combater a aids. Segundo sua lógica, a fome mata mais, e portanto deveria receber mais recursos. Trata-se de um falso dilema. Os programas de combate à fome e às doenças transmissíveis devem receber recursos suficientes, competindo com orçamentos menos prioritários, e não disputando recursos entre si.

Que Alca é essa?

O ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, tentou esfriar a crise do governo sobre como negociar a Alca. Depois de afirmar que "não existe divisão interna no governo" sobre o assunto, Amorim tentou dar fim às especulações sobre o afastamento da equipe de negociadores. "Quem comanda as negociações internacionais, por ordem do presidente Lula, sou eu", disse Amorim.

Dissenso de Brasília

Ou seja, às vésperas de o Brasil assinar o tal do "Consenso de Buenos Aires" -- texto sobre o qual nada se sabe, além do óbvio apelo de marketing --, o governo Lula vive o seu "Dissenso de Brasília", prova cabal de que, como afirmou este Primeira Leitura, o país não tem nenhuma carta na manga para seguir inflexível na negociação.

Correção de rota

Amorim deve reunir-se com outros ministérios para avaliar qual é a margem de negociação na próxima rodada de negociação da Alca, em Miami (EUA), em novembro. Vale lembrar que, até a atual crise, os ministérios do Desenvolvimento e da Agricultura estavam sendo deixados de fora das negociações.

Assim falou... Celso Amorim

"Seria como usar a bomba atômica em um conflito de estilingue."

Do ministro das Relações Exteriores, sobre o alerta da Fundação Getúlio Vargas de que os EUA têm uma arma poderosa nas negociações comerciais, que é o poder de desvalorizar o dólar, diminuindo o ritmo da economia mundial e criando problemas para o resto do mundo. Na prática, os EUA já estão usando essa arma.

A verdadeira herança maldita

Lula quer saber o que é herança maldita? Basta olhar para a América Latina! Isso é herança maldita, sr. presidente, não a institucionalidade mais arrumada do subcontinente herdada por Vossa Excelência, essa mesma que o sr. e seu partido tentam a todo custo desarrumar. E tentam como? Não seguindo as leis vigentes (a MP antiinvasões, por exemplo) e satanizando o Judiciário (pedindo inspeção da ONU na Justiça brasileira, por exemplo).

Eis aí. Como é que vocês acham que se fizeram esses países latino-americanos, a exemplo da Bolívia -- que tem o maior índice de golpes de Estado da história --, em que irrupções irracionais de nacionalismo levam milhares às ruas, só controlados por soldados armados até os dentes, que não hesitam em atirar? Como é que vocês acham que se faz uma Colômbia, se não for com o concurso, de um lado, de elites irresponsáveis e, de outro, do discurso fácil da resolução dos problemas na base do grito?

Revista Consultor Jurídico, 14 de outubro de 2003, 9h48

Comentários de leitores

2 comentários

Belas palavras do Dr. Antonio Fernandes Neto. ...

Maria Lima Maciel ()

Belas palavras do Dr. Antonio Fernandes Neto. O Legislativo sempre foi vassalo histórico do Executivo. Jamais nosso Poder Judiciário se igualou àqueles Poderes, nem, jamais, governante algum prescindiu do respeito ao Poder Judiciário, para dar credibilidade ao seu próprio mandato. Ao invés de fortalecer as instituições, Lula, o "trapalhão planetário", bravateador e presunçoso, vai levar o País à convulsão social. Cuspiu no MST, nos servidores que o elegeram, aliou-se à corja da corja da política brasileira... Lula é indigno do País que o elegeu, por conta dessa droga de obrigatoriedade do voto, como diria Mainardi. Não vai achincalhar o Poder Judiciário (o maldito quer mesmo é derrubar o Poder instituído, valores estabelecidos). Não valmos permitir. Os Juízes estão atônitos com os ataques gratuitos, mas, se acharem um jeito de lutar... estarei com eles. Maria Lima Maciel

O guerrilheiro do Araguaia, e seus demais compa...

Antonio Fernandes Neto (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)

O guerrilheiro do Araguaia, e seus demais companheiros, inconformados com a derrota continua querendo o domínio do País por forças estrangeiras. Felizmente não existe mais a URSS e a Albania nunca contou. Cuba continua como a vitrine inspiradora. Despropositada foi a sua intenção e petulância em ser governador deste Estado de São Paulo. Não há necessidade de profunda ilação para se saber o por quê desse seu comentário sobre o Poder Judiciário. É com um Judiciário combalido e um Legislativo comprado que se implantam as ditaduras de esquerda. Aconselhe o guerrilheiro do Araguaia a seu companheiro que está como chefe do poder executivo, que fome e desemprego se combate com menos tributos e mais auxílio a creches, orfanatos e instituições de caridade e que nao adiantam engodos como o tal de fome zero e muito menos colocar em sua coordenação um frei, que faz parte de uma instituição que de há muito só faz política-partidária e deixou de cuidar dos pobres e necessitados. Falo contigo, ó guerrilheiro do Araguaia, porque aquele que ocupa o cargo de chefe do executivo nacional não está para ouvir o povo, senão somente aqueles que de suas churrascadas e peladas de futebol participam. E para nos envergonhar, ainda diz que é Corinthiano como nós o somos.

Comentários encerrados em 22/10/2003.
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