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Mercado jurídico

Gestão racional combate crise em escritórios de advocacia

O fenômeno da Globalização, de forma avassaladora, tem modificado a realidade de consumidores, governos e sobretudo das empresas, sejam elas pequenas ou grandes, de serviços ou de produtos. Enquanto fenômeno, trouxe consigo o crescimento dos fluxos de comércio de bens e serviços e do investimento internacional. Trouxe também a aceleração dos fluxos de capitais e tecnologias, cujos efeitos atingem a todos, ocasionando aumento de concorrência e instabilidade econômica.

Por vezes, os efeitos desse fenômeno abrem horizontes para algumas empresas, porém também fazem com que outras evaporem em meio à acirrada competição que se instaurou no mercado.

É neste cenário que se percebe o quanto é difícil e pesada a responsabilidade dos administradores e executivos na tarefa de gerenciar suas empresas, superar as adversidades e equilibrar a competitividade.

No caso específico do mercado jurídico brasileiro, um crescimento significativo no setor foi sentido nos últimos dez anos, ocasionado pela expansão geográfica das grandes corporações, pelos processos de privatização, fusão e aquisição de empresas, dentre outros fatores.

Os escritórios de advocacia, por sua vez, perceberam os efeitos do fenômeno citado através do aumento da demanda por serviços jurídicos mais especializados, das facilidades e rapidez na comunicação, e das alterações no perfil da atividade econômica dos clientes, o que, numa análise superficial, pode significar grandes oportunidades.

Ocorre que, de oportunidades, tais efeitos podem se transformar em ameaças, caso os recursos humanos e financeiros não sejam otimizados, caso não se atente ao controle rigoroso na qualidade dos serviços, caso não se atinja uma alta performance técnica, enfim, caso as ações administrativas não sejam planejadas.

Nesse ambiente crítico e inseguro, observa-se que muitos escritórios de advocacia, especialmente os de pequeno e médio porte (que são a grande maioria da "indústria jurídica") e os de origem familiar, ainda não praticam o planejamento de suas atividades com vistas a aproveitar as demandas e neutralizar as ameaças, nem criam no ambiente interno uma mentalidade mais aberta a responder às mudanças, sejam elas de que natureza forem.

Será, portanto, altamente recomendável que os escritórios profissionalizem suas estruturas e sua gestão como verdadeiras empresas. Será preciso também que se adaptem às novas necessidades do mercado, com prudência na seleção de estratégias e implantação de novas formas de administração.

Esse parece ser o grande convite feito aos advogados para que iniciem um processo de reflexão sobre seu "negócio", atualizem seu talento administrativo, e percebam como podem vir a se tornar mais eficientes no combate ao ambiente instável e turbulento predominante na economia atual, caso façam uso dos conceitos empresariais em suas atividades administrativas.

A gestão racional é, por certo, o meio mais eficaz para combater a crise instaurada, a alta competição, e os reflexos da globalização, bem como para fazer com que o escritório jurídico ajuste-se aos novos contornos da atividade econômica e à diversidade de problemas que invocam soluções com maior nível de especialização técnica.

Por meio da gestão planejada estrategicamente tornar-se-á possível a busca pelo desenvolvimento futuro do negócio como um todo, a melhora da performance administrativa, a otimização dos recursos e do relacionamento com os clientes.

Uma adequada implantação do Planejamento Estratégico em escritórios de advocacia deverá, dentre outros: identificar, por meio de pesquisa, a situação presente e as oportunidades abertas para que desenvolva suas habilidades e sua base de clientes, para poder responder com mais precisão às necessidades deles; determinar as áreas de mercado que oferecem maior oportunidade para desenvolvimento futuro; identificar áreas de especialização que deveria desenvolver em nível de excelência; e, identificar as forças atuais e fraquezas à luz das oportunidades de mercado detectadas e para desenvolver uma solução factível entre sócios e equipe, no intuito de transformar aspiração em ação efetiva.

Com isso, os objetivos e metas que envolvem a prestação de serviços dentro de um escritório de advocacia poderão ser alcançados, permitindo que um forte senso de direção e propósito comum atinja a todos os elementos humanos que compõem a equipe (sócios, associados, parceiros, estagiários, apoio administrativo, etc.), agregando valor aos serviços prestados, permitindo que o escritório se diferencie de seus concorrentes e, conseqüentemente, supere a crise.

Revista Consultor Jurídico, 14 de outubro de 2003, 11h03

Comentários de leitores

1 comentário

Parabéns a Dra. Lara , realmente como vivemos e...

Rogério da Costa Gomes ()

Parabéns a Dra. Lara , realmente como vivemos em mercado tão competitivo , a otimização dos serviços , a organização do elemento humano se torna, indispensável quando se quer e se estabelece metas , e no caso especifíco do direito , os pequenos , médios e escritórios de advogados familiares devem absorver tais conceitos . Rogério Gomes - Advogado / Rj advrcgomes@bol.com.br

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