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Sexta-feira, 10 de outubro.

Primeira Leitura: Dirceu cria falsa polêmica sobre direitos humanos.

Auge da euforia

O mercado tratou ontem de coroar a política econômica do ministro Antonio Palocci com uma nova leva de recordes positivos nos indicadores. A taxa de risco do país, no meio do dia, caiu abaixo da barreira psicológica dos 600 pontos.

Auge da euforia - 2

A Bovespa chegou a operar a mais de 18 mil pontos ao longo do dia, o que não ocorria desde março de 2000, mas interrompeu uma seqüência de seis altas consecutivas e, no fechamento, registrou queda de 0,54% (a 17.708 pontos), com investidores realizando lucros. Mesmo assim, obteve um resultado histórico: 67.837 negócios foram realizados, a maior marca alcançada na Bolsa paulista.

Auge da paralisia

Tratou-se de uma espécie de auge da euforia do mercado com a política econômica do governo Lula, que, ironicamente, coincide com o auge da paralisia do governo, decorrente desta mesma opção. Ministérios estão entorpecidos por falta de verba. Essa realidade se revela na inexistência do Fome Zero, mas também na ausência de medidas na área de segurança pública, como os problemas na polícia federal e o adiamento da construção dos cinco presídios federais, iniciativa vendida ao público no início do ano como "emergencial"; ou no atraso no programa de reforma agrária, que assentou neste ano menos de 6% da meta estabelecida.

Auge da paralisia - 2

Os indicadores que mais pesam contra Palocci, porém, são aqueles que, mostram as pesquisas, estão pondo em risco a popularidade do presidente: o desemprego recorde de 13% da população economicamente ativa apurado pelo IBGE em agosto, a queda de 13% da renda em 12 meses e o encolhimento brutal da expectativa de crescimento do PIB, que já era modesta no primeiro semestre (1,5%) e agora, segundo o Banco Central, é de só 0,6%.

Tiro n'água

A redução da atividade faz com que, por mais que o governo economize para pagar juros aos credores do Brasil, a relação entre a dívida e o PIB não ceda. Ou melhor, até aumente: de 56,6% em dezembro de 2002 para 57,7% em agosto, oitavo mês do governo Lula. Isso porque o modelo escolhido impôs uma recessão ao país. Se o PIB cai, o peso da dívida aumenta.

Mais do mesmo

Palocci, ao que tudo indica, vai repetir em 2004 o mesmo esforço fiscal deste ano, ou seja, os ministérios continuarão paralisados. Como a ortodoxia não é capaz de sedimentar o caminho do crescimento -- até porque impede o investimento em infra-estrutura -- a promessa de recuperação do emprego e da renda tende a não ser cumprida. Como ele tentará escapar dessa encruzilhada é coisa de se ver com muita atenção.

Os sem-memória

O ministro José Dirceu (Casa Civil) disse ontem aos deputados da bancada do Nordeste que o país assumiu no governo anterior compromissos internacionais que prevêem a privatização dos bancos estaduais e que, portanto, vai cumpri-los. Conversa. A verdade que é que a privatização desses bancos é considerada prioritária pelo Ministério da Fazenda deste governo. Nada tem a ver com o governo passado.

Choque de poderes

O ministro José Dirceu (Casa Civil) defendeu a proposta de que a ONU envie um relator para inspecionar o Poder Judiciário. "Nós devíamos trabalhar com a ONU, a OEA, os organismos internacionais de direitos humanos, ou queremos tapar o sol [com a peneira] que tem tortura e assassinato no Brasil?".

Falsa polêmica

Ao associar a idéia dessa inspeção da ONU à defesa dos direitos humanos, o ministro cria uma falsa polêmica: não há dúvida de que existe uma rotina de crimes bárbaros, mas o governo está usando essa questão para travar a sua guerra particular contra o Judiciário. Leia mais no site Primeira Leitura (www.primeiraleitura.com.br).

Assim falou... José Dirceu

"Às vezes, acho que é quase um milagre ter chegado até aqui"

Do ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, referindo-se às dificuldades enfrentadas na área econômica, mas reafirmando sua confiança na recuperação em 2004 e 2005.

A história se repete

O presidente Lula prometeu ontem a representantes da União Nacional dos Estudantes (UNE) reeditar o projeto Rondom. O pedido para que o programa seja retomado foi feito pelo presidente da entidade, Gustavo Petta. Iniciativa dos governos militares, o Projeto Rondom, cujo slogan era Integrar para não Entregar, levava estudantes e professores para trabalhos assistenciais em comunidades no interior do país.

Revista Consultor Jurídico, 10 de outubro de 2003, 14h09

Comentários de leitores

3 comentários

na verdade o que estamos vendo no Brasil, é um ...

Roberto Rocha Moreira ()

na verdade o que estamos vendo no Brasil, é um PARLAMENTARISMO REAL, com sois primeiros ministro, um finaceiro e um outro político. nunca se falou e se fez tanta bobagem com agora. o presidente é como a rainha da inglaterra, ou quase, não tem corroa, mas gostarai de ter.os juros estão nas alturas. a renda de todas as pessoas está caindo a cada dia. a pobreza aumentando, o desemprego aumentando.o mercado formal fortalecendo. a sonegação aumentando e os ministros não falam coisa com coisa. pensavam que era uma coisa e é outra. "cairam do cavalo".A saúde está na "uti".a educação na beira da sepultura, a segurança uma tragédia. eles falavam que tinham solução pra tudo. até agora nem a fome zero, que é uma piada, não conseguiram fazer nada e não vão fazer. o problema passa pela renda. pela baixa tributação para todos pagarem, pela educação. pelo emprego. já estamos ficnado com saudades de outros governos.se a moda pega!

O czar José Dirceu é pretensamente o Golberi (i...

ramos (Advogado Sócio de Escritório)

O czar José Dirceu é pretensamente o Golberi (inacabado) de Lula. Quem conhece sua biografia não pode estranhar suas ações. Dá o tapa e esconde a mão. Pobre Presidente que não pode se livrar dele. Quem planta ventos colhe tempestades. É somente ter um pouco de paciência para ver ruir toda essa "coerência democrática" tão solenemente apregoada.

Os governos militares, tão combatidos, criaram ...

Antonio Fernandes Neto (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)

Os governos militares, tão combatidos, criaram o Projeto Rondon, "para intregar e nao entregar". O atual governo, ao se imiscuir no Poder Judiciário, quer entrega-lo a estrangeiros, apoiando o presidente da república, ingerência da ONU no nosso Judiciário. Esse tal ministro da casa civil (assim mesmo) é um tresloucado quando abre a boca para falar besteiras como essas. O País está, de fato, inerme. Esse tal de fome zero foi e continua sendo o maior engôdo da campanha eleitoral. A FOME ZERO se atinge com verbas para creches, asilos, orfanatos e outras instituições desse feitio. Renda mínima é incentivo à vadiagem. Todo pai (e mãe) tem o dever de colocar seus filhos nas escolas. Aquele que não tem condições de assim fazer, que não faça filho. Precisamos ter a coragem de encarar as realidades e não criar fatos políticos. O governo federal (assim mesmo)deve, com urgência, rever a sua política (??) de arrecadação de impostos; a diminuição de tributos é a forma de incentivar o aumento de empresas, o fortalecimento das já existentes e, consequentemente, o aumento de empregos. O resto é politicagem com o dinheiro dos outros, e traz consequencias funestas para o País. Todos estamos sentido na pele o arrocho imposto por esse governo (assim mesmo). A questão da segurança pública passa pela falta de ordem, de autoridade e tratamento do bandido (seja ele o pé-de-chinelo, o de colarinho branco e o governante) como bandido que é. A tal reforma da Previdência nada mais é do que aumento de contribuições de todo tipo. O problema da Previdência todos conhecem: os seus fraudadores. Tire-se deles tudo o que roubaram e devolva-se à Previdência. Crime previdenciário deve ser tratado com igualdade de condiçoes de furto e roubo. Quem contribui para com instituições de caridade deveria poder descontar o valor dessa contribuição do imposto de renda, mas não; se quiser assim poder, tem de ser para instituições governamentais e não às particulares, que são as que, de fato, cuidam da nossa infância e juventude.

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