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Carta aberta

Piza Fontes declara apoio a Valter Uzzo nas eleições da OAB-SP

O ex-presidente da OAB paulista João Roberto Egydio Piza Fontes declarou, nesta quinta-feira (2/10), que apóia o advogado Valter Uzzo nas eleições deste ano para o comando da entidade.

"Olhos postos numa OAB independente, combativa e altaneira, ao contrário do pleito anterior, torno pública a minha escolha que recai sobre o advogado e sempre advogado Valter Uzzo, o qual concentra em seu histórico a perfeita harmonia entre os interesses institucionais e corporativos da classe", disse Piza.

O advogado afirmou que a OAB "é imprescindível à própria República, mas só encontra a razão de ser no dia a dia dos advogados se assumir com altivez a função de defesa do profissional da advocacia".

Leia a carta de João Roberto Egydio Piza Fontes:

Caros advogados e advogadas de meu Estado:

Como muitos recordam, mas outros desconhecem em razão do transcurso do tempo em que exercia funções diretas na nossa Corporação, tive a honra e o privilégio de presidir o nosso E. Conselho Seccional da Ordem dos Advogados do Brasil no biênio 93/95, sendo certo que antes ocupei as não menos honrosas funções de Assessor da Presidência, Diretor da Caixa de Assistência dos Advogados de São Paulo, Conselheiro Seccional, Conselheiro Vice-Presidente e, posteriormente ao exercício da Presidência, Conselheiro Federal da nossa querida OAB.

Durante o período em que estive diretamente vinculado à direção da Corporação, pude testemunhar o denodo e a honestidade de propósitos com que se houveram os diversos dirigentes que por lá passaram, sem exceção. Com alguns comunguei dos ideais, de outros recordo a divergência combativa, porém leal, com que se houveram.

Do ponto de vista institucional, através das lentes ampliadas de nossa Corporação, testemunhei a participação da nossa querida OAB em momentos históricos da maior importância para o nosso país e seus cidadãos, que vão desde a luta pela restauração do regime democrático, passando pela Assembléia Nacional Constituinte, até a decretação do impedimento de um jovem Presidente da República comprometido com um poderoso esquema de corrupção.

Noutro sentido, não foram poucas as mazelas testemunhadas pelo signatário da presente em seus anos de militância, que o levam à conclusão de que glórias e mazelas são fatos da vida e da história dos advogados de São Paulo. É certo, porém, que nossa Entidade de Classe sempre protagonizou as primeiras e combateu ferrenhamente os desvios que porventura se apresentaram.

No pleito anterior, embora procurado pelas chapas concorrentes, abstive-me de participar ou mesmo apoiar qualquer dos candidatos que então se apresentavam. Decisão tomada conscientemente, uma vez que já naquela ocasião estranhava o nível em que se dava a disputa eleitoral, com acusações de ambas as partes, culminando não só com a vergonhosa entrada da Polícia Militar, sem convite, em sala do prédio em que ocorria a apuração de votos, como inclusive, pasmem, recursos ao Poder Judiciário, o que para espanto da advocacia delegou a um juiz togado a decisão sobre o destino eleitoral da Corporação, representante dos advogados do maior Estado da Federação, já presidida por Noé Azevedo, Raimundo Pascoal Barbosa e tantos outros que por lá passaram e partiram, deixando em todos e em cada um dos advogados de São Paulo, a consciência da grandeza do passado e o ineditismo da mesquinhez então experimentada.

O constrangimento inominável experimentado no pleito anterior, que alguns impingiram à classe, parece não ter fim e culmina nessa ridícula proliferação de candidaturas que de tão inconseqüente, tangencia a leviandade.

Dentre os pretendentes há de tudo um pouco, desde excelentes colegas, até os inconformados candidatos de sempre, bem como os apadrinhados de alguns ex-presidentes, todos advogados de escol, mas que na prática funcionam quase como uma espécie de grife eleitoral para seus ungidos.

Ocorre que, nesse quadro de poucas novidades, o pior ainda estava por aparecer, e surgiu na forma de uma "elegante" e jovem candidatura, pautada em alguns pilares pouco ortodoxos, quais sejam, a superficialidade dos compromissos verbalizados, algumas exóticas idéias quanto ao funcionamento do sistema prisional e, principalmente, uma escandalosa estrutura de marketing que tangencia até mesmo a prodigalidade, elevada a alturas nunca dantes imaginadas, e que chega mesmo a humilhar os colegas submetidos às inigualáveis agruras hoje experimentadas. Aliás, essa estrutura lembra uma candidatura de triste memória, em eleições profanas, que alcançou até mesmo o posto de Supremo Mandatário da Nação e que tisnou de cores sombrias a história do país.

O que choca é a total despolitização das propostas dos candidatos, fazendo-se tábula rasa do que há de mais importante na história da Corporação, que são suas posições institucionais, tanto no âmbito interno do Poder Judiciário, como na própria defesa das instituições democráticas. Não que o signatário da presente não ache importante o atendimento prestado pela Caixa de Assistência dos Advogados ou a discussão sobre o funcionamento do convênio de assistência judiciária, muito pelo contrário, mas é porque a saída para a situação de penúria e humilhação em que se encontra a grande massa de nossos colegas está não só na radicalização da luta pelas prerrogativas profissionais frente às arbitrariedades com que os advogados são brindados dia a dia por autoridades mal formadas de maneira geral, como também na defesa e ampliação do nosso mercado de trabalho.

A Ordem dos Advogados do Brasil é imprescindível à própria República, mas só encontra a razão de ser no dia a dia dos advogados se assumir com altivez a função de defesa do profissional da advocacia, e para isso, por evidente, inconfessáveis interesses de setores da Magistratura, do Ministério Público, ou mesmo do funcionalismo, terão que ser enfrentados e superados com a combatividade que a história da Corporação autoriza e impõe a seus dirigentes.

Caros colegas advogados, devemos todos nos preparar para os embates que a reforma do Poder Judiciário nos reserva num futuro próximo, e para desafio de tal magnitude mister se faz extremo cuidado na escolha do Presidente da maior e mais importante Seccional de nosso país. Olhos postos numa OAB independente, combativa e altaneira, ao contrário do pleito anterior, torno pública a minha escolha que recai sobre o advogado e sempre advogado Valter Uzzo, o qual concentra em seu histórico a perfeita harmonia entre os interesses institucionais e corporativos da classe.

Revista Consultor Jurídico, 2 de outubro de 2003, 19h49

Comentários de leitores

8 comentários

O advogado Josué Bastos não leu com a necessári...

Cesar Antonio Alves Cordaro ()

O advogado Josué Bastos não leu com a necessária atenção meu comentário ou não o entendeu. A começar pelo meu nome que não é "Celso" e sim "Cesar". A crítica apresentada revela profundo preconceito. Todos aqueles que estão inscritos como advogado e preenchem os requisitos legais têm o direito de apresentar-se como candidatos. Não é caso da infidável galeria de nomes jcosamente indicados pelo advogado Josué. Para ser um bom dirigente da OAB, não é preciso que o advogado seja dono de um gande escritório, ou se dedique exclusivamente á advocacia cível ou criminal. É necessário que tenha uma história de lutas pela dignidade da profissão - que inclui as condições do exercício da advocacia pelos pequenos e médios advogados -, pouco importando que seja advogado de empresa, de sindicato, advogado público ou privado. Enfim, é necessário que tenha o compromisso de modernizar e democratizar a OAB. Isso o Valter Uzzo tem. Esta é a razão porque o apoio, desde a primeira hora.

Jovem e elegante Piza Fontes declarou apoio ...

Josué Bastos ()

Jovem e elegante Piza Fontes declarou apoio à candidatura Walter Uzzo à presidência da OAB/SP e o fez abertamente. Dirigiu carta a ele. Walter Uzzo divulgou a carta no site da sua campanha. O site “Consultor Jurídico” também. Diz o ex-presidente da OAB/SP em trecho de sua carta: “Ocorre que, nesse quadro de poucas novidades, o pior ainda estava por aparecer, e surgiu na forma de uma "elegante" e jovem candidatura, pautada em alguns pilares pouco ortodoxos...” Paro e penso. Estaria se referindo a ele próprio? Vocês se lembram da obra de Piza Fontes? Não? Não se preocupem, ninguém lembra. Mas lembram dele? Não? Eu sim. Foi o presidente mais jovem da história da OAB de São Paulo. Não lembram ainda? Jovem, “elegante”, cabelo engomado. Penso nele e lembro mesmo de “uma candidatura de triste memória, em eleições profanas, que alcançou até mesmo o posto de Supremo Mandatário da Nação e que tisnou de cores sombrias a história do país”. Walter Uzzo deve se acautelar. Será que o Piza Fontes está fazendo dele trampolim para lançar-se na última hora como candidato? Acho que sim. A descrição não deixa dúvidas.

Se a moda pega... Celso Antonio Alves Cordar...

Josué Bastos ()

Se a moda pega... Celso Antonio Alves Cordaro, procurador do Município de São Paulo e adepto confesso à candidatura de Walter Uzzo para a presidência da OAB/SP, comentando notícia no site “Consultor Jurídico”, expressamente declara não perceber qualquer inconveniente na candidatura de sindicalistas, procuradores ou corretores à presidência da OAB/SP. Ele deve estar na moda. Eu não. Na moda presidencial. É verdade. Da Presidência da República. Inventaram um economista no Ministério da Saúde. Gostaram. Agora um médico no Ministério da Economia. Parece que já não gostam tanto. Mas moda é moda e pega mesmo. Para a presidência da OAB/SP temos sindicalista, procurador, corretor, temos até advogado. Mas o ilustre procurador Celso Antonio, que é procurador, não vê problema. Está na moda. Também quero estar na moda e tenho uma idéia: vamos chamar alguém do CRM para participar? Um fotógrafo, um dentista. Acho pouco. Vamos chamar todos. Os bancários, os metalúrgicos, ... todos!. Vai ser ótimo! Talvez um veterinário pudesse mesmo ajudar. Ah! É claro, não podemos esquecer o Joãozinho 30! Será que vai ser bom mesmo? Não sei. O importante é que já me sinto na moda. Mas como a moda é efêmera uma dúvida recorrente me atormenta o sono. Por que o corretor não se candidata à presidência do CRECI, o procurador à Procuradoria Geral do Estado e o sindicalista à presidência de algum sindicato? Sinal vermelho. A moda novamente assoprou a nuvem de razão. Tive outra idéia. Vou lançar um advogado à Presidência do Tribunal de Justiça. Nada de quinto constitucional. Vai ser direto! O presidente do TJ vai para a PGJ. O Procurador Geral de Justiça para a PGE. Droga! Meu plano deu errado! Vou ter que aceitar um procurador na OAB. Tudo bem, estou na moda. Xii!! Esqueci do CRECI e do Sindicato. Paciência, nem sei se eles estão na moda!

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