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Sexta-feira, 28 de novembro.

Primeira Leitura: jornada de trabalhadores assalariados aumentou.

Duros meses

Os primeiros dez meses do governo Lula foram de forte deterioração do mercado de trabalho. Dados do IBGE mostram que o desemprego aumentou, a jornada de trabalho cresceu e os salários diminuíram nas seis maiores regiões metropolitanas do país. De janeiro a outubro, a renda média dos trabalhadores caiu 11,61% em termos reais (depois de descontada a inflação), e o número de desempregados aumentou em 648 mil pessoas.

Pouco e ruim

Não bastassem os indicadores desfavoráveis, o emprego da era Lula tem um componente perverso: a precariedade. As vagas criadas nesse período (554 mil nas seis regiões), além de insuficientes, são em geral informais e mal remuneradas. Os empregos com carteira assinada caíram 1,61% no período. A informalidade cresceu 6,99% nos dez meses.

Gorou

O mês de outubro, que deveria trazer consigo a marca da recuperação da economia, mostrou, na verdade, piora do quadro. De acordo com o IBGE, a taxa de desemprego atingiu 12,9% da População Economicamente Ativa (PEA), resultado idêntico ao de setembro. Longe de representar estabilidade, o número deve ser traduzido como um sinal de piora do emprego, já que outubro é tradicionalmente mês de contratação, para atender a demanda de fim de ano.

Os sem-renda

Não admira que a economia não consiga crescer no ritmo imaginado por governo e analistas. Não há renda para sustentar a reativação da economia. A renda em outubro, por exemplo, voltou a cair. Em relação a outubro do ano passado, o recuo foi de 15,2%. Na comparação com setembro deste ano, de 0,92%.

Outra pesquisa

A do IBGE não foi a única pesquisa a mostrar deterioração do mercado de trabalho ontem. A taxa de desemprego na região metropolitana de São Paulo em outubro foi a pior registrada para o mês desde 1985 -- quando a pesquisa Seade/Dieese começou a ser feita.

A taxa variou de 20,6%, em setembro, para 20,4% da população economicamente ativa (PEA).

Mais trabalho, menos renda

Detalhe: A jornada média semanal dos trabalhadores assalariados aumentou em uma hora de um mês para outro, embora a renda tenha caído 0,7%. E o percentual de pessoas que trabalham mais do que 44 horas passou de 46,2% para 48,1%. Quem diria, num governo do PT!

Entenderam?

O ministro da Fazenda, Antonio Palocci, em almoço ontem com empresários da Confederação Nacional da Indústria (CNI), afirmou que "só é pessimista quem quer", referindo-se ao choque geral com o crescimento econômico de magro 0,4% no terceiro trimestre do ano se comparado ao trimestre anterior. Segundo o ministro, o mais importante agora é olhar as perspectivas de crescimento da economia daqui para a frente, com inflação controlada e "contas em ordem".

Assim falou...Luiz Inácio Lula da Silva

"Estou satisfeito, realizado, com o que já foi feito até agora."

Do presidente da República, em mais um dia vitória na votação da Reforma da Previdência, mas também de divulgação do desemprego recorde e de mais uma queda da renda.

A história como ela é

Cumpre-nos o dever de dizer algo além das lágrimas das senadoras Heloísa Helena (PT-AL) e Serys Slhessarenko (PT-MT) derramadas na votação da reforma da Previdência. Essas lágrimas e estratégias partidárias, bem ao contrário do que aparece em parte na mídia, não têm nada nem de coerente nem de inocente. Padecem, isso sim, do mesmo oportunismo que contamina a política e contribui para a simpática e perigosa idéia de que "impasses" - como a questão da maioridade penal - devem ser decididos por meio de uma solução aparentemente prática e democrática chamada plebiscito.

Trata-se de um expediente de banalização política, tanto quanto as lágrimas das senadoras. Heloísa Helena deveria ter expulsado o partido da vida política dela na campanha, mas não o fez na certeza de que o PT soft das eleições seria apenas uma tática que daria vez, tão logo o partido assumisse o Planalto, à ressurreição do PT hard, aquele a quem a senadora dedicou os melhores anos da vida, como disse. À maneira delas, as duas senadoras flertaram com um golpe eleitoral, pois a ruptura que elas cobram, hoje, foi descartada na campanha. Na época, as senadoras preferiram cavalgar a esperteza, em vez de denunciá-la.

Revista Consultor Jurídico, 28 de novembro de 2003, 10h12

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