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Terça-feira, 25 de novembro.

Primeira Leitura: Genoino coloca política fiscal petista no pedestal.

Ordem de Lula

O ministro Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) disse ontem que a manutenção da meta de superávit primário de 4,25% do PIB é o que vai permitir a continuidade da redução dos juros. Segundo ele, o presidente Lula definiu como "obrigação" do Ministério da Fazenda reduzir a taxa de juros para um dígito no ano que vem, o que justificaria a continuação de um ajuste fiscal tão duro em 2004.

A mão da política

O ministro, sem querer, corrobora a tese dos que viram a mão da política interferir na última reunião do Copom. Mesmo assim, há um claro esforço da equipe econômica para embalar uma taxa de juros de um dígito numa teoria econômica crível para o mercado.

Hora dos neoconservadores

Circularam ontem na imprensa informações segundo as quais o Banco Central estaria decidido a testar níveis de juros reais de cerca de 8% -- contra o senso comum entre analistas de uma tal taxa de equilíbrio entre 9% e 10% ao ano. O mercado entende como "de equilíbrio" o nível de juros que permite crescimento econômico sem inflação. Como ninguém sabe ao certo como calcular esse número mágico, o governo debate o assunto de forma mais ideológica do que tenta vender ao distinto público.

As bobagens de sempre

Adeptos do fiscalismo vêem no superávit de 4,25% do PIB no ano que vem a senha para um recálculo do juro ideal. Seria um prêmio ao país pela melhora dos fundamentos -- enfim, as bobagens de sempre, já largamente aplaudidas na gestão Pedro Malan no Ministério da Fazenda. Daquela vez, essa teoria levou o Brasil a quebrar. Desta vez, veremos...

Tudo ela...

O secretário de Política Econômica do Ministério da Fazenda, Marcos Lisboa, afirmou que "é a política fiscal que está permitindo a queda de juros e é a política fiscal que vai permitir romper com esse passado de juros elevados, mas romper de forma consistente e sustentável".

Pedestal

O presidente do PT, José Genoino, também colocou no pedestal a política de austeridade fiscal em 2004, que segundo ele visa a garantir o crescimento do país. "Não existe uma política de aperto, mas de construção de um novo modelo, cujo centro é crescer com garantia de emprego e melhorar a renda das pessoas".

Tucanaram o ajuste!

Lembram-se quando se dizia que os tucanos complicavam as coisas, para que o sentido original delas não fosse percebido? Pois é, esse comportamento se alastrou no petismo. O velho e simples corte de gastos, agora, virou "construção de um novo modelo".

Assim falou... Luiz Fernando Furlan

"O Palocci tem de assumir a posição de goleiro do time para defender o governo não só dos adversários, mas também daqueles que podem marcar um gol contra"

Do ministro do Desenvolvimento, aderindo à febre de metáforas que contagia Brasília desde a posse de Lula.

Para refletir

Quando se está muito vinculado a uma causa, ou ao combate dela, a primeira vítima sempre é a razão e, por conseqüência, a verdade. Pegue-se o caso do MST. São, para dizer pouco, risíveis pelos menos duas análises triunfantes sobre o movimento: ou aquela alimentada por ONGs, Igrejas e esquerdistas de salão, para os quais os sem-terra encarnam a redenção dos oprimidos; ou a outra, da velha direita, que vê no sr. João Pedro Stedile -- na verdade, um burocrata alimentado pelo leite de pata do dinheiro estatal -- um perigoso subversivo, capaz de articular ações de caráter revolucionário.

Desculpem-nos os dois grupos e mesmo os leitores: ambas as coisas não passam de grossas e monumentais bobagens. Para que Stedile seja um novo São Francisco de Assis, falta-lhe generosidade; para que seja um novo Lênin, falta-lhe crueldade; para que seja um novo santo em favor dos oprimidos, falta-lhe humildade; para que seja um novo líder revolucionário, falta-lhe coragem; para que seja um novo mártir dos pobres, falta-lhe o espírito de renúncia aos poderes mundanos; para que erga em praça pública a guilhotina onde veria sangrar o pescoço das elites, falta-lhe método; para que seja o porta-voz dos deserdados, falta-lhe o dom carismático; para que proponha um novo modelo de sociedade, faltam-lhe teoria política, informação, leitura.

O MST é o que é: um aparelho, hoje rendido a um partido, o PT, para quem a questão da terra é mero pretexto para o proselitismo político. Supor que o movimento tenha um projeto de poder é superestimá-lo; supor que possa se contentar com terra é subestimá-lo.

Revista Consultor Jurídico, 25 de novembro de 2003, 12h43

Comentários de leitores

2 comentários

sylvioteixeira (advogado - são paulo) Muito...

sytote (Advogado Autônomo - Civil)

sylvioteixeira (advogado - são paulo) Muito feliz o caro colega, Antonio Fernandez Neto. Concordo com todas as suas assertivas e completo, quem nunca trabalhou e tem 2(duas) aposentadorias como pode fazer o bem para os aposentados. Quem foram os primeiros a proteger os sequestradores do Diniz ??? não pode realmente combater os bandidos. Quem dá guarida para terrorista como o olivio em Porto Alegre não pode combater traficantes... quem sempre quiz destruir as empresas privadas , como pode agora pedir parcerias ??? quem roubou bancos e matou pessoas inocentes , como pode querer endurecer com criminosos portanto vejam como estamos ...

O pessoal que está aboletado no poder executivo...

Antonio Fernandes Neto (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)

O pessoal que está aboletado no poder executivo federal confirma mesmo que este é o país do futebol, do carnaval, da mulata e da cachaça. Ao invés de governar, ficam trocando figurinhas. Que os invasores de terra sempre foram acobertados pelo partido que está no executivo federal, nunca restou dúvida. O que dizer do chefe do executivo federal (assim mesmo, pequenininho), "botando" o boné e fazendo "rapapés" aos desordeiros? E ainda financia esses baderneiros?

Comentários encerrados em 03/12/2003.
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