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Prova de nervos

Debate entre candidatos da OAB-SP vira pandemônio

Com um cenário propício para a baderna, patrocinado pela inexperiência dos organizadores -- que permitiram a presença de claques descontroladas no auditório da Universidade Mackenzie --, os candidatos ao comando da OAB paulista chegaram bem próximos de uma crise de nervos, nesta segunda-feira (24/11).

Transmitido pela Rede Vida, o debate teve como ponto alto os berros da platéia e o nervosismo dos candidatos. Houve inúmeros direitos de resposta, o mediador foi várias vezes cercado pelos candidatos e alguns assessores chegaram a subir no palco com programa no ar, ao vivo.

Os discursos preparados, os truques de cena e as frases de efeito tiveram que ser substituídos pela capacidade de discursar sem perder a calma e pela força das cordas vocais, já que o barulho era quase insuportável.

Todos os candidatos compareceram. Como já se imaginava, com a presença de Luiz Flávio Borges D'Urso, ele se tornou o principal alvo da artilharia dos demais candidatos. Roberto Ferreira também não saiu ileso.

Valter Uzzo assumiu a postura de atirador. O candidato abdicou do costume de apresentar propostas e usou quase todo seu tempo para acusar D'Urso e Ferreira de serem agentes políticos do ex-prefeito de São Paulo, Celso Pitta. No final do debate, sua equipe comemorava.

Clito Fornaciari, Rosana Chiavassa, Dino Capo, Vitorino Antunes e Carlos Ergas não foram alvo de ataques e não atacaram -- saíram incólumes. Rosana disse que, apesar de tudo, quem quis expor idéias conseguiu. "Mas o nível do debate foi lamentável. A Ordem não poderia dar esse exemplo", afirmou.

Saraivada de acusações

D'Urso e Ferreira foram conselheiros fiscais da empresa Anhembi -- Turismo e Eventos da Cidade de São Paulo, envolvida no escândalo de corrupção da gestão de Celso Pitta.

Uzzo deu a flechada pouco antes do intervalo entre o primeiro e o segundo bloco. Durante o intervalo, Ferreira foi até D'Urso. Cochicharam. A resposta dos dois foi a mesma. Alegaram que foram conselheiros, sim, e que isso não tem nada demais. Negaram qualquer envolvimento com a gestão Pitta. "Dávamos parecer jurídico. Só", disse Ferreira.

As acusações de que D'Urso é comprometido com a privatização de presídios e com "faculdades de Direito que não primam pela qualidade" foram feitas novamente. O candidato respondeu. Disse que, se eleito, vai controlar a proliferação de faculdades de Direito e fiscalizar os cursos já existentes. "E vamos manter o Exame de Ordem. Não foi à toa que chamei a professora Ivete Senise Ferreira para presidir a Comissão do Exame de Ordem", afirmou.

Ferreira também esteve na berlinda com a novela da aprovação das contas da Caasp em sua gestão como presidente. Clito Fornaciari afirmou que as contas do candidato não foram aprovadas e que ele tem "dívidas com a Ordem". Ferreira chamou Clito de mentiroso e afirmou ter uma certidão que prova que as contas foram aprovadas pelo Conselho Federal da entidade.

Uzzo entrou na briga e disse que as contas não foram aprovadas. Pediu que Ferreira mostrasse a tal certidão, o que não foi feito. Ferreira deu o troco acusando Uzzo de ter comprado uma fazenda quando foi presidente do Sindicato dos Advogados de são Paulo. "Tenho essa fazenda há 30 anos e fui presidente do Sindicato há três", justificou Uzzo.

Revista Consultor Jurídico, 24 de novembro de 2003, 14h24

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