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Quarta-feira, 19 de novembro.

Primeira Leitura: Lula diz que não fala mais de futebol com imprensa.

Mais emprego, menos renda (!?)

A retomada do nível de emprego na indústria não está sendo capaz de promover a recuperação da renda. Dados divulgados ontem IBGE mostram que o nível de emprego industrial cresceu 0,8% em setembro, na comparação com agosto. Foi o segundo mês consecutivo de crescimento. Mas mesmo nesses dois meses, o rendimento caiu. A folha total de salários da indústria registrou queda de 0,6% na comparação com o mês anterior e de 4,8% em relação a setembro do ano passado.

Casos isolados

Embora tenham ocorrido nos últimos dois meses acordos salariais com reajuste de até 18% para algumas categorias isoladas do Estado de São Paulo (metalúrgicos, eletricitários e papeleiros), um estudo concluído em outubro pela LCA Consultores mostra que 54% das categorias este ano tiveram reajustes inferiores ao Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC).

Sinais da precarização

A queda da renda apurada pelo IBGE impressiona pelo fato de as horas pagas também terem aumentado 1,9% no período. São duas as explicações para o aumento das horas trabalhadas: o maior número de empregados e o crescimento das horas extras, forma que as empresas encontraram de aumentar a produção e atender a demanda de fim de ano com o mínimo possível de contratações. Em resumo, mais pessoas trabalharam mais, mas as que entraram no mercado de trabalho estão ganhando menos que antes. É a precarização do emprego.

Ainda assim, crescimento

O crescimento do emprego e das horas pagas, segundo o IBGE, reflete a retomada da atividade. Uma retomada à modo do PT, em sua nova fase de conservadorismo econômico: o trabalhador pagou o ajuste macroecômico e agora, paga de novo, com uma jornada de trabalho esticada e um rendimento menor, para que a retomada da atividade ocorra. Paga na ida e na volta.

A economia real

O presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Horácio Lafer Piva, afirmou ontem desconhecer os planos do governo para a política industrial, que devem ser divulgados ainda neste mês. "Não sei exatamente quem são os atores dessa discussão", disse. "Pouco vimos até agora e certamente estamos aflitos para que a política industrial venha com rapidez", disse.

Pacote para a economia real

A política industrial que Lula pretende anunciar para serenar os ânimos do setor real da economia -- que até agora pagou o preço do ajuste -- prevê maiores incentivos, não necessariamente novos, para os segmentos de bens de capital, software, serviços de informática, componentes eletrônicos e produtos farmacêuticos. Também até o fim deste mês, Lula pretende anunciar o novo modelo para o setor elétrico.

Paciência no fim

Nos dois casos, porém, a paciência dos empresários parece estar no fim. Ontem começou a circular no meio empresarial boletim da Associação Brasileira da Infra-estrutura e da Indústria de Base (Abdib) que qualifica os constantes adiamentos de projetos de interesse da economia real (papel das agências reguladoras, modelo do setor elétrico e PPP) e os aumentos de impostos (Cofins) como "punhaladas" no crescimento sustentado. "Àqueles que crêem no espetáculo do crescimento, restou a incredulidade", analisa a entidade.

Assim falou.. Luiz Inácio Lula da Silva

"Não falo mais de futebol com vocês".

Do presidente da República, ao afirmar a jornalistas que não fará mais comentários sobre futebol com a imprensa. Na segunda, Lula havia criticado o desempenho da seleção brasileira no jogo com o Peru, provocando a reação do técnico Carlos Alberto Parreira, que declarou não dar palpite no ministério e sugeriu que o presidente se abstenha de opinar sobre o time.

O nosso Copom

Como em todos os meses, a equipe deste Primeira Leitura reuniu-se, como se fosse o Comitê de Política Monetária, para analisar os indicadores da economia e sugerir os próximos passos da política monetária. Chegou à conclusão que está mais do que na hora de o Banco Central acelerar o desmonte dos pilares do arrocho monetário. E isso não se resume a cortar gradualmente a taxa básica de juros. O BC tem, agora, de reduzir os compulsórios, induzir os bancos a aumentar suas carteiras de crédito e ter uma política voltada a elevar o grau de competição do mercado -- extremamente concentrado.

Daí porque o Copom deste Primeira Leitura propõe que o BC reduza o compulsório de forma condicionada, além de sugerir, como o mercado, que a Selic seja reduzida em um ponto percentual. Ou seja, somente os bancos que elevarem suas carteiras de crédito em termos reais teriam acesso a mais recursos do compulsório, que poderiam ser reduzidos em até 15%.

Revista Consultor Jurídico, 19 de novembro de 2003, 10h03

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