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Ação e reação

Garisto defende CPI da Anaconda por causa de 'ameaça'

Francisco Carlos Garisto, presidente da Federação Nacional dos Policiais Federais, começa terça-feira (18/11) -- em Brasília -- a coletar assinaturas pela CPI da Anaconda. Ele diz que a operação, que levou à prisão delegados e um juiz, entre outros, já caminha para o estado de exceção.

A reação de Garisto decorre de ataque feito em Brasília contra ele pelo diretor da PF, delegado Paulo Lacerda. Em entrevista ao jornal O Globo, Lacerda acusou Garisto e a Federação de sabotarem a Anaconda. Ele disse que Garisto teria "patrimônio incompatível". E acrescentou: "Não estou dizendo que seja fruto de atividade ilícita".

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, Garisto rebateu as acusações. "Vou interpelar Lacerda judicialmente. Ele aproveita a Anaconda para atacar os seus desafetos. Ele não deixa os advogados visitarem os policiais presos, sendo que o Fernandinho Beira-Mar recebe um advogado praticamente a cada meia hora", disse.

"O doutor Lacerda espalha por aí que dois jornalistas, outros juízes, desembargadores, estão na fita. É ameaça. A postura do Dr. Lacerda é perigosa para o estado de direito. É um ato de vingança contra os que o criticam. Ele quer a volta da repressão. Minha mulher é dona de fábrica de roupas. Por isso meu patrimônio é tido como 'incompatível' para ele. Sou um dos poucos que o criticam. Ele recebeu ha um mês o meu Imposto de Renda. Liguei pro Bellini três vezes em quatro meses. Trabalhei com o doutor Bellini sim. Ele foi meu ídolo e de vários policiais, como do superintendente do Rio, dr. Precioso, que chorou quando viu Bellini ser preso. O doutor Lacerda vai usar a Anaconda como instrumento para reduzir estado de direito, intimidação e ameaças", afirmou Garisto.

Na segunda-feira (3/11), a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal remeteu ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, carta em que relata estar a corporação "rachada" em decorrência da Operação Anaconda, sem a participação da superintendência paulista da PF.

Em entrevista à revista Consultor Jurídico, o delegado federal Armando Rodrigues Coelho Neto, presidente da Federação antecipou, há duas semanas, trechos da carta. Ele interpretou que operações federais oriundas de Brasília, sem o conhecimento dos superintendentes locais da PF, já começam a se tornar a marca registrada do PT.

"Olha, veja bem, isoladamente, algumas coisas aconteceram nos governos anteriores. O que nos preocupa é o que isso aí está virando. O que era uma exceção, cheia de contradições, cheia de desencontros, está se tornando praticamente uma regra. Basta dizer para você que entre setembro e agora, começo de novembro, nós tivemos pelo menos três operações nessas condições", disse Armando.

Portanto, as duas entidades de classe da PF estão em choque de colisão com a diretoria do órgão.

Revista Consultor Jurídico, 17 de novembro de 2003, 16h10

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