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Operação Anaconda

Anaconda: César Herman pode ter retirado provas de escritório.

O agente da Polícia Federal César Herman pode ter retirado de um escritório de advocacia provas das suas atividades ilícitas que estariam em pastas, disquetes e computador. É o que aponta um dos relatórios da Polícia Federal na Operação Anaconda.

De acordo com a PF, "Affonso Passarelli Filho -- sócio de Maria Regina Marra Guimil na empresa Affonso Passarelli e Guimil Advogados Associados -- pediu para César Herman retirar referidas provas".

A Polícia Federal afirma, ainda, que o agente da Polícia Federal recebeu algumas informações do juiz João Carlos da Rocha Mattos sobre a prisão do delegado Alexandre Crenitte. A PF considerou "razoáveis" os resultados obtidos nas gravações telefônicas depois da prisão do delegado.

"Era previsto que alguns dos alvos evitassem falar ao telefone assuntos pertinentes às suas atividades criminosas, como ficou registrado em uma conversa entre César Herman e Jorge Luiz, onde o primeiro avisa que seu telefone está 'grampeado' e o segundo diz que certamente o seu também está", afirma o relatório.

Leia o relatório:

MJ - DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL

DIRETORIA DE INTELIGÊNCIA POLICIAL

COORDENAÇÃO DE DOUTRINA E INTELIGÊNCIA POLICIAL

SETOR DE INVESTIGAÇÃO E ANÁLISE

RELATÓRIO PARCIAL DE INTELIGÊNCIA

(AUTO CIRCUNSTANCIADO 20)

Inquérito nº. 2003.03.00.048044-6

Senhor Delegado;

Apresento a Vossa Senhoria síntese das diligências e resultados das interceptações realizadas em nossas bases operacionais de MACEIÓ/AL e SÃO PAULO/SP.

BASE DE MACEIÓ

Em MACEIÓ, a interceptação e monitoramento do telefone celular (82) 9302-6551, pertencente ao investigado JORGE LUIZ BEZERRA DA SILVA refere-se à décima segunda prorrogação de prazo e compreende o período de 05/09/03 a 19/09/03.

DO TELEFONE MONITORADO:

TERMINAL (82) 9302-6551

Durante o período de monitoramento concedido pela Justiça não foram captadas nenhum diálogo proveniente do referido terminal. O fato do alvo JORGE LUIZ, durante o período de interceptação, ter estado em SÃO PAULO e se deslocado para MATO GROSSO, talvez explique a ausência de ligações efetuadas para a linha acima.

BASE DE SÃO PAULO

Em SÃO PAULO/SP são os seguintes telefones monitorados e prazos concedidos pela Justiça:

- telefone celular (11) 9915-0451, referente à décima quinta prorrogação de prazo que compreende o período de 08/09 a 22/09/03. Mencionado telefone pertence ao investigado JORGE LUIZ BEZERRA DA SILVA;

- telefone celular (11) 9985-6898, referente à décima terceira prorrogação de prazo e compreende o período de 08/09 a 22/09/03. O terminal antes referido pertence a CÉSAR HERMAN RODRIGUEZ;

- telefone celular (11) 9687-0186, referente à quinta prorrogação de prazo, correspondente ao período de 08/09 a 22/09/03. Este terminal também pertence ao investigado CÉSAR HERMAN, sendo que esse número foi fornecido pela TELESP apenas para chamadas efetuadas, em virtude do terminal (11)9985-6898 ter sido clonado.

- telefone celular (11) 9723-2133, referente à quarta prorrogação de prazo, correspondente ao período de 08/09 a 22/09/03. Referido terminal é utilizado pelo investigado CÉSAR HERMAN;

- telefone celular (11) 9911-9394, referente ao período inicial de monitoramento, correspondente ao período de 05/09 a 19/09/03. Referido terminal seria utilizado pelo investigado SÉRGIO CHIAMARELLI JÚNIOR;

- telefone celular (11) 9102-7315, referente à segunda prorrogação de prazo, correspondente ao período de 05/09 a 19/09/03. Referido terminal é utilizado pelo investigado ARLINDO ORSOMARZO;

- telefone celular (11) 9659-4459, referente ao período inicial de monitoramento, correspondente ao período de 05/09 a 19/09/03. No pedido para interceptação do terminal acima ocorreu um erro de digitação, portanto a linha telefônica acima não pertence ao investigado WAGNER ROCHA.

DOS TELEFONES MONITORADOS:

1) TERMINAL (11) 9915-0451

Durante o período de monitoramento do terminal acima foram registradas alguns diálogos suspeitos que versam sobre as atividades do investigado JORGE LUIZ BEZERRA DA SILVA, cujas sínteses seguem abaixo:

Em 12.09.03, às 18h35, JOÃO liga para JORGE LUIZ e diz que falou com REGINALDO, o qual aguarda uma ligação do segundo. JOÃO diz também que o advogado de REGINALDO orientou seu cliente a falar uma história que não tinha nada haver, provar que nunca foi sócio da empresa, que aquilo que foi feito não sabe como foi feito e que a culpa era do banco. JOÃO diz ainda que REGINALDO está assustado e falando em código comenta: "ele falou o seguinte: olha mas o JORGE falou que o cozinheiro do lado de lá era muito difícil, não aceita sugestão". JOÃO comenta que falou para REGINALDO que não foi isso que JORGE LUIZ falou para ele agora. JORGE LUIZ diz que vai ligar para REGINALDO do flat.

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Revista Consultor Jurídico, 17 de novembro de 2003, 16h14

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