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Cobras criadas

Leia relatório de 19 das fitas que levaram Rocha Mattos para a cadeia

Um grande quebra-cabeças mas no qual faltam ainda muitas peças. É o retrato do momento dos desdobramentos da Operação Anaconda. Para complicar ainda mais, prevalece a forte impressão de que muitas peças na mesa pertencem a outros quebra-cabeças.

Ainda assim, o relatório abaixo publicado, com exclusividade pela Consultor Jurídico é precioso como um extrato cru da forma como se relacionam personagens que usam o poder público como ferramenta para ganhos pessoais. Desonestamente.

Os valores farejados até agora estão longe de ser compatíveis com o tamanho da trama. O número de personagens envolvidos também. Para que haja lógica no esquema esboçado, faltam operadores em outros endereços estratégicos para que os objetivos desse tipo de negócio pudessem ser atingidos com êxito.

Fatos novos, contudo, devem surgir. Principalmente por conta da divulgação do fato de que os ex-poderosos não estão mais de plantão. Já se sabe, por exemplo, que além de faturar em cima de processos em andamento, os investigados criavam situações para depois se beneficiarem delas.

Em um dos casos, narra-se que o delegado Alexandre Crenitte abriu um inquérito contra uma instituição com o único objetivo de, posteriormente, seu colega José Augusto Bellini atacar os assustados empresários com uma proposta de 3 milhões de dólares para o caso não avançar.

Veja o Auto Circunstanciado 19 e tire suas conclusões.

MJ - DEPARTAMENTO DE POLÍCIA FEDERAL

DIRETORIA DE INTELIGÊNCIA POLICIAL

COORDENAÇÃO DE DOUTRINA E INTELIGÊNCIA POLICIAL

SETOR DE INVESTIGAÇÃO E ANÁLISE

RELATÓRIO PARCIAL DE INTELIGÊNCIA

(AUTO CIRCUNSTANCIADO 19)

Ref. Processo nº. 2002.80.00.2311/7

Senhor Delegado;

Apresento a Vossa Senhoria síntese das diligências e resultados das interceptações realizadas em nossas bases operacionais de MACEIÓ/AL e SÃO PAULO/SP.

BASE DE MACEIÓ

Em MACEIÓ, a interceptação e monitoramento do telefone celular (82) 9302-6551 não foi executada em virtude da operadora BCP não ter encaminhado o áudio, o que prejudicou bastante o trabalho realizado por está equipe de análise.

BASE DE SÃO PAULO

Em SÃO PAULO/SP são os seguintes telefones monitorados e prazos concedidos pela Justiça:

- telefone celular (11) 9915-0451, referente à décima quarta prorrogação de prazo que compreende o período de 28/05 a 11/06/03. Mencionado telefone pertence ao investigado JORGE LUIZ BEZERRA DA SILVA;

- telefone celular (11) 9985-6898, referente à décima segunda prorrogação de prazo e compreende o período de 28/05 a 11/06/03. O terminal antes referido pertence a CÉSAR HERMAN RODRIGUEZ;

- telefone celular (11) 9955-5425, referente à sétima prorrogação de prazo correspondente ao período de 28/05 a 11/06/03. Citado terminal pertence ao investigado JOSÉ AUGUSTO BELLINE;

- telefone celular (11) 9687-0186, referente à quarta prorrogação de prazo, correspondente ao período de 28/05 a 11/06/03. Este terminal também pertence ao investigado CÉSAR HERMAN, sendo que esse número foi fornecido pela TELESP apenas para chamadas efetuadas, em virtude do terminal (11)9985-6898 ter sido clonado. As ligações dos telefones (11) 9985-6898 e (11) 9687-0186 são desviadas para um único telefone utilizado para captação do áudio;

- telefone celular (11) 9723-2133, referente à terceira prorrogação de prazo, correspondente ao período de 28/05 a 11/06/03. Referido terminal é utilizado pelo investigado CÉSAR HERMAN;

- telefone celular (11) 9915-9394, referente ao período inicial de monitoramento, correspondente ao período de 29/05 a 12/06/03. Referido terminal seria utilizado pelo investigado SÉRGIO CHIAMARELLI JÚNIOR;

- telefone celular (11) 9102-7315, referente à primeira prorrogação de prazo, correspondente ao período de 28/05 a 11/06/03. Referido terminal é utilizado pelo investigado ARLINDO ORSOMARZO;

- telefone celular (11) 9375-2843, referente ao período inicial de monitoramento, correspondente ao período de 28/05 a 11/06/03. Referido terminal seria utilizado pelo investigado JOÃO BATISTA;

-

DOS TELEFONES MONITORADOS:

1) TERMINAL (11) 9915-0451

Durante o período de monitoramento do terminal acima foram registradas 06 (seis) diálogos suspeitos que versam sobre as atividades do investigado JORGE LUIZ, cujas sínteses seguem abaixo:

Em 28.05.03, às 17h39, JOÃO PAULUCCI liga para JORGE e conta que esteve com seu cliente devedor ontem e ele está querendo continuar comprando, sem ser incomodado e ir embora do BRASIL para o MÉXICO. PAULUCCI conta também que este cliente deve oitenta e quatro mil dólares a um terceiro cliente, porque falsificou um documento bancário suíço, comprovando o pagamento. PAULUCCI diz que pretende pegar o devedor em uma reunião entre o mesmo e o terceiro cliente. JORGE pergunta se PAULUCCI tem cópia do documento. PAULUCCI diz que o documento está com a CENTAURO, uma empresa de cinqüenta anos. JORGE diz que precisam conversar. Em seguida JORGE e PAULUCCI combinam uma reunião.

Revista Consultor Jurídico, 16 de novembro de 2003, 16h19

Comentários de leitores

1 comentário

Li o relatório com atenção. De fato, há passage...

Marcos P. Scherian ()

Li o relatório com atenção. De fato, há passagens que demonstram o "extrato cru da forma como se relacionam" algumas personagens. Mas me chamou também a atenção o trecho final do relatório, sob o título "DA ANÁLISE DO CONHECIMENTO PRODUZIDO NO PROCEDIMENTO CRIMINAL DIVERSO Nº 2002.34.00.040639", em que o relator afirma que "Na análise do referido material verificamos que há indícios veementes de que o investigado CÉSAR HERMAN RODRIGUEZ estaria intermediando a negociação de um "habeas corpus" junto ao juiz ALI MAZLOUM. O beneficiário do "habeas corpus" seria o empresário ARI NATALINO DA SILVA, preso em 30/04/03". Realmente não entendi. A única parte em que o juiz Ali é citado, é através do policial Belini, no qual este está tentando cooptar a tal Márcia, que aliás não aceita, segundo o próprio relatório. Não entendo como o relator chegou àquela conclusão.

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