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Operação Anaconda

Gravações da Operação Anaconda mostram como agente da PF agia

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César Herman Rodriguez era um homem poderoso. Os detalhes de suas atividades, revelados pela Operação Anaconda, mostram a abrangência de seu trabalho criminoso e, por extensão, o poder da quadrilha de que participava. O agente da Polícia Federal tratava de questões envolvendo prisão de depositário infiel, expulsão de estrangeiro vivendo ilegalmente no País e comércio de mercadorias sem nota.

No início de junho, o onipresente César passa quase duas horas ao telefone numa operação destinada a impedir que um empresário da Zona Norte de São Paulo seja preso por não ter recolhido ICMS. E consegue. Como convém a um profissional com sangue-frio, o calejado César dispara, já no primeiro telefonema ao filho do empresário: "Os tiras vão querer cinco conto (sic)", ou seja, R$ 5.000,00 para não cumprir o mandado de prisão. Um policial, uma advogada, um amigo do valente César -- que o acionou para resolver o caso -- o filho do empresário, a filha do empresário, todos passam pelo telefone para receber as detalhadas orientações do agente. Elas passam por local do "acerto", tempo que o empresário ficaria livre -- dependendo do valor combinado --, como pechinchar com os policiais. Coisa de profissional!

Em outro episódio recente, o persistente César tenta -- mas desta vez, não consegue -- impedir a expulsão de um estrangeiro. Disse o agente a seu cliente que ele deveria deixar o País e que, então, pediria a um juiz que assinasse ofício requisitando-o para um curso no Brasil. A operação não prosperou, porque já havia uma denúncia de que o estrangeiro trabalhava ilegalmente no País. Antes, o agente tentara impedir a extradição acionando seu comparsa José Augusto Bellini, delegado da Polícia Federal, outro que saiu das sombras, por obra da Operação Anaconda.

Com freqüência, Bellini usava a estrela de delegado em questões envolvendo estrangeiros ilegais. Em maio, numa operação que contou com a colaboração de agentes federais lotados em Cumbica, consegue que uma mulher vinda da Letônia, com visto falso, volte a seu país com a filha que estava no Brasil.

Das investigações que levaram ao desbaratamento da quadrilha, salta um episódio inacreditável, envolvendo Jorge Luiz Bezerra da Silva, outro integrante do bando. Com um banal telefonema, ele conseguiu que policiais federais atrasassem um vôo para o México, a fim de retirar do avião um passageiro que lhe devia dinheiro. Coisa de cinema!

 é jornalista em São Paulo

Revista Consultor Jurídico, 13 de novembro de 2003, 13h03

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