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Judiciário e Congresso são as instituições que mais geram desconfiança

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O envolvimento de juízes em escândalos afeta a imagem do Poder Judiciário. É o que aponta a pesquisa feita pelo instituto Toledo & Associados, de São Paulo, encomendada pela Ordem dos Advogados do Brasil. Foram ouvidas 1.700 pessoas -- de 10 a 26 de setembro -- das classes A, B, C e D, em 16 cidades brasileiras, sobre a imagem da Justiça, da Advocacia, do Ministério Público e da Magistratura.

O Congresso Nacional e o Poder Judiciário são as instituições das quais a população mais desconfia. A Igreja, a Presidência da República e a Imprensa são as mais confiáveis.

A pesquisa encomendada pela OAB mostra que 38% dos entrevistados desconfiam do Poder Judiciário e 39% confiam. A desconfiança em relação ao Congresso Nacional é maior -- 45% disseram não confiar na instituição e 34% responderam que confiam.

Os comentários negativos superam os positivos. Dos entrevistados, 84% citaram razões negativas enquanto apenas 22% fizeram considerações positivas sobre o Judiciário.

Do total, 35% que criticaram o Judiciário disseram que a razão é o envolvimento de juízes em escândalos, lavagem de dinheiro e tráfico de drogas. Para 17%, a Justiça privilegia os ricos e quem não tem dinheiro vai para a cadeia. De acordo com 10%, muitos juízes não cumprem a lei e os deveres. E para 9%, os juízes são lentos para resolver as causas.

As razões para elogios foram poucas. Para 17%, os juízes se empenham para aplicar a lei e promover justiça. Apenas 5%, disseram que os juízes são sérios, honestos e dignos.

Quando perguntados se acreditam na Justiça brasileira, 41% responderam que não e 47% que sim. Os principais motivos de descrença são: a justiça não é igual para todos, privilegia ricos e brancos que não são punidos (24%), corrupção envolvendo juízes, promotores e advogados (22%), falhas na Justiça e leis ultrapassadas (11%), não existe justiça para pobre (9%) e a justiça é lenta (8%). As razões positivas citadas foram crença na Justiça (11%) e existência de profissionais honestos, corretos, que lutam pela honra da classe (6%).

Crise de identidade

A professora de pós-graduação em Ciência Política da USP, Maria Tereza Sadek, chamou a atenção para o fato de a Advocacia ter mais confiança que o Judiciário. Em entrevista à revista Consultor Jurídico, ela disse que a imagem da Justiça tende a piorar ainda mais com a Operação Ananconda.

"O Judiciário tem estado na Berlinda principalmente nos últimos meses", disse a professora que estuda o assunto desde 1992. "E as pessoas não sabem diferenciar alguns juízes da instituição", acrescentou.

Maria Tereza lembrou que as críticas do presidente Lula ao Judiciário e a reforma da Previdência contribuíram nos últimos meses para agravar a imagem da instituição.

Rota de colisão

A advocacia é bem vista pela população brasileira. Já os advogados, nem tanto. Dos entrevistados, 55% confiam na Advocacia e 30% desconfiam. Entretanto, da mesma amostra, 78% das avaliações são negativas por causa da atuação de alguns advogados. O curioso é que mesmo os que confiam na Justiça fazem críticas severas e os que desconfiam tecem elogios.

Para 35% dos que criticaram, alguns advogados só pensam em dinheiro e estão a favor de quem paga mais. De acordo com 29%, alguns advogados são corruptos e desonestos. Segundo 11%, alguns profissionais enganam seus clientes e não resolvem as causas. A defesa de criminosos por advogados foi motivo de críticas para 6% dos pesquisados.

O índice da avaliação positiva sobre os advogados é menor -- 41%. As razões para elogios são: luta de causas até o fim e defesa real do cliente (27%) e honestidade (14%).

Esta não é a primeira vez em que a imagem dos advogados aparece em baixa. Em setembro deste ano foi publicada 2ª edição da Pesquisa "Marcas de Confiança" (Trusted Brands) 2003, da Revista Seleções. De acordo com o ranking, os policiais são mais confiáveis que os advogados. A pesquisa mostra que os advogados somente são mais confiáveis que os agentes imobiliários e políticos.

MP paga o pato por problemas do Judiciário

O Ministério Público leva a culpa pelos problemas do Poder Judiciário de acordo com as respostas dos entrevistados. O diretor geral da Toledo & Associados, Francisco José de Toledo, analisou a pesquisa e disse que esta situação é grave porque "boa parte da população brasileira não tem noção clara das funções e atribuições do Ministério Público".

Do total, 28% dos entrevistados desconfiam do MP. A maioria -- 37% -- confia na instituição. Entretanto, foram citadas 77% de razões negativas e 29% positivas. Entre as críticas estão: corrupção, venda de sentenças e desvio de dinheiro (29%), privilégio para quem tem dinheiro e pode pagar (9%), trabalho em causa própria e preocupação com o que podem ganhar (8%), poder burocrático, lento e processos que demoram para ser resolvidos (7%), entre outras respostas. As razões positivas citadas para confiar no MP foram: trabalho honesto (12%), profissionais dedicados para resolver solicitações (4%) e empenho em punir políticos corruptos, empresários influentes (4%), entre outras.

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 é editora da revista Consultor Jurídico e colunista da revista Exame PME.

Revista Consultor Jurídico, 10 de novembro de 2003, 10h25

Comentários de leitores

11 comentários

CONGRESSO E MINISTÉRIO PÚBLICO: AS DUAS INSTITU...

Fernando J C Pereira ()

CONGRESSO E MINISTÉRIO PÚBLICO: AS DUAS INSTITUIÇÕES COM MENOR CONFIANÇA DA POPULAÇÃO SEGUNDO OAB. Para minimizar o significado deste dado alguns comentários dispostos neste site recorrem a mistificações ou simplificações. 1a - a de que as pessoas não sabem o que faz o MP. Ora, a mesma pesquisa aponta que 58% declaram e condenam que o MP abusa especialmente atraves da Mídia, mostrando que sabem perfeitamente do que falam. Some-se estes aos que confiam e teremos 95% dos entrevistados. 2a - A de que isso se dá por haver "apenas poucos alguns abusos". Na verdade deveriam falar em DIVERSOS abusos e perceber que esses não são acidentais mas decorrem de fatores estruturais (impunidade, falta de controle, corporativismo e simbiose perversa). Ao mminimizarem o que ocorrem ajudam a esconder o problema e a solução (controle, punibilidade e hierarquia responsavel). Ao se computar os feitos positivos do MP - que obviamente existem - temos de computar tb os negativos - que tb existem aos montes e muitas vezes são mais danosos à democracia e ao estado de direito do que qualquer outra açÃo.

CONGRESSO E MINISTÉRIO PÚBLICO: AS DUAS INSTITU...

Fernando J C Pereira ()

CONGRESSO E MINISTÉRIO PÚBLICO: AS DUAS INSTITUIÇÕES COM CONFIANÇA DA POPULAÇÃO SEGUNDO OAB. Para minimizar o significado deste dado alguns comentários dispostos neste site recorrem a mistificações ou simplificações. 1a - a de que as pessoas não sabem o que faz o MP. Ora, a mesma pesquisa aponta que 58% declaram e condenam que o MP abusa especialmente atraves da Mídia, mostrando que sabem perfeitamente do que falam. Some-se estes aos que confiam e teremos 95% dos entrevistados. 2a - A de que issso se dá por haver "apenas poucos alguns abusos". Na verdade deveriam falar em DIVERSOS abusos e perceber que esses não são acidentais mas decorrem de fatores estruturais (impunidade, falta de controle, corporativismo e simbiose perversa). Ao mminimizarem o que ocorrem ajudam a esdconder o problema e a solução (controle, punibilidade e hierarquia responsavel). Ao se computar os feitos positivos do MP - que obviamente existem - temos de computar tb os negativos - que tb existem aos montes e muitas vezes são mais danosos à democracia e ao estado de direito do que qualquer outra açao.

Considerando-se que a grande maioria da populaç...

Daniel Henrique Ferreira e Silva (Outros)

Considerando-se que a grande maioria da população nem sabe como as leis são feitas, não há porque estranhar o número auferido ao Ministério Público. Se soubessem que os poucos políticos, juízes e policiais presos só estão presos graças ao incansável trabalho do Parquet com certeza o MP seria a instituição com maior grau de confiança diante a população. Podem existir alguns abusos, mas a pequena melhora que ocorreu em nosso país desde 88 se deve justamente ao trabalho do MP, que tem feito cidadãos desiludidos com seu país, como eu, reacenderem a chama da esperança de um Brasil justo e igual.

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