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Circo armado

Sensacionalismo da mídia condena juízes publicamente, afirma Ajufesp.

Os magistrados investigados pela Operação Anaconda estão sendo condenados publicamente sem sequer saber formalmente de que são acusados. A avaliação é do juiz José Marcos Lunardelli, Presidente da Associação dos Juízes Federais de São Paulo e Mato Grosso do Sul (Ajufesp).

Segundo Lunardelli, "o sensacionalismo e a divulgação pela imprensa de fatos cobertos pelo segredo de justiça" são os responsáveis pela ofensiva contra os juízes.

Leia a nota da Ajufesp:

A ASSOCIAÇÃO DOS JUÍZES FEDERAIS DE SÃO PAULO E MATO GROSSO DO SUL - AJUFESP vem a público manifestar-se sobre os acontecimentos alardeados na imprensa envolvendo três magistrados federais da 3ª Região.

Os Juízes Federais da 3ª Região esperam uma investigação profunda, rápida e transparente a respeito dos fatos noticiados pela imprensa envolvendo Juízes Federais, delegados, advogados e agentes federais.

Em um Estado Democrático de Direito, ninguém pode estar acima da lei. Se há autoridades que a infringiram devem ser elas devidamente punidas, sem nenhuma contemplação. Contudo, deve ser observado o devido processo legal, assegurando a ampla defesa e o contraditório, conforme previsto na Constituição. Não se pode esquecer que, até julgamento final, todos são considerados inocentes.

O sensacionalismo e a divulgação pela imprensa de fatos cobertos pelo segredo de justiça que tem norteado a denominada "operação anaconda" está levando a condenação pública dos investigados que, até o momento, não conhecem formalmente sequer do que são acusados. Enquanto isso, gravações sob o segredo de justiça vem a público em doses homeopáticas em violação à lei.

A AJUFESP repudia as generalizações realizadas por parte da mídia contra os Juízes Federais de São Paulo e o oportunismo político de alguns que se aproveitam de fato isolado para atacar e macular a imagem do Judiciário, a fim de enfraquecê-lo, olvidando que, em última instância, quem perde é a democracia.

As denúncias têm sido devidamente apuradas pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região em uma firme demonstração de que saberá ponderar e julgar de acordo com as provas produzidas, realizando a Justiça que o caso merece, sem corporativismo.

JOSÉ MARCOS LUNARDELLI

Presidente AJUFESP

Revista Consultor Jurídico, 7 de novembro de 2003, 19h53

Comentários de leitores

8 comentários

SEnhores Juizes e Desembargadores, Caiam na ...

Eduardo Câmara ()

SEnhores Juizes e Desembargadores, Caiam na real. A boa vida acabou, felizmente no Brasil. A Mídia é o Quarto Poder e o mais forte depois do Executivo. " Juiz só deve falar nos autos" e mesmo assim vivem falando com um atraso enorme. E quando falam fora dos autos é um desastre total. O povo não gosta e não entende, porque é só corporativismo e busca de mais mordomias. Os Juizes mais velhos deveriam se espelhar nos mais novos, que não aceitam, de forma alguma esse desesperado e anacrônico ranço corporativista.

Quem sabe agora os senhores magistrados pensarã...

Rodolfo Hazelman Cunha ()

Quem sabe agora os senhores magistrados pensarão duas vezes, antes de bajularem a mídia e buscar, ao conceder, de forma irresposnsável e sem qualquer conteúdo, entrevistas aos senhores jornalistas, com vistas a alimentar vaidades não confessadas, que estão mais interessados em manchetes do que em divulgar fatos lógico, objetivos e sob o manto da legislação vigente, notadamente a Constituição da República. Tal quimera com nome de mídia engolfou, também, os Juízes.

Com o máximo de respeito as opiniões divergente...

Inculto (Advogado Sócio de Escritório)

Com o máximo de respeito as opiniões divergentes, entendo oportuna a manifestação da Ajufesp. O julgamento deve ficar no Tribunal, a imprensa deve se abster em tirar conclusões precipitadas, ou mesmo emitir juízo de valor sem uma cognição exauriente do conjuto de provas carreadas no inquérito, com o coteja daquelas que ainda irão ser juntadas pela defesa. Sabemos que atualmente, com a mercantilização dos meios de comunicação, os quais não diferente de outros ramos comerciais, tem a notícia como um produto de consumo altamente rendável, que diga-se, para alcançar o susseso almejado pelas grandes emissoras e editoras deve ser sempre agressivo e impactante, cautela na apreciação das notícias se torna algo imperioso. É cediço que muitos jornalistas se ausentam em pautar sua profissão na ética e no bom senso, se utilizando de expedientes sensacionalistas, edições de vídeo unilaterais, gravações impertinentes com advogado falando sigilosamente com seus clientes em tribunal e etc... (lembre-se ainda do caso da escola base). Assim, prefiro aguardar o desfecho desse caso de modo a não escorregar no movediço e pantanoso caminho do prejulgamento e do discurso, não raro apaixonado e sofismático de pregam alguns dos meios de comunicação de nosso País. Aguardemos!!!

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