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Sexta-feira, 7 de outubro.

Primeira Leitura: Castro entra em contradição sobre crime organizado.

Violência

Apesar das ações organizadas do crime em São Paulo e no Rio, o governo federal continua a ser só promessas. O Sistema Único de Segurança Pública (Susp), planejado pelo ex-secretário Luiz Eduardo Soares, está apenas no início da implantação, nos Estados, e é uma política que não responde à emergência provocada pela ação do crime organizado.

Blá-blá

O máximo que a União ofereceu no combate ao tráfico de drogas e de armas, sustentáculos do crime organizado, foi uma declaração do presidente Lula, em Angola, constatando que os bandidos estão ficando "desaforados". Os orçamentos públicos de 2004 para o Fundo Nacional de Segurança Pública e a Polícia Federal são menores do que os deste ano, e o Planalto não consegue definir-se pelo uso emergencial das Forças Armadas na contenção do crime organizado.

Cegueira

Nos Estados e em Brasília, os governos não encaram o confronto do crime como uma guerra pelo território urbano, o que efetivamente está a acontecer. Como nem os Jardins, em São Paulo, nem Ipanema ou Leblon, no Rio, estão sitiados, o governo federal não vê a situação como explosiva. Enquanto isso, os sinais de descontrole se evidenciam.

Mera reação

A Secretaria de Segurança Pública de São Paulo deu provas, ontem, de que está apenas reagindo aos acontecimentos. Contabilizando-se as ações criminosas da noite e madrugada de quarta para quinta, foram registrados oito novos atentados na capital paulista, Baixada Santista e interior do Estado. Do domingo passado para cá, já somam 29 as ações criminosas -- três policiais morreram, e 12 ficaram feridos (nove PMs e três guardas civis).

Só contradições

Em entrevista ao programa SPTV (Globo), ontem, o secretário Saulo de Castro entrou em contradição. Disse que "não houve algo organizado" e, ao mesmo tempo, que se trata do "último suspiro" dos líderes do crime e que sabia que as ordens para os atentados haviam sido dadas de dentro dos presídios.

Aprendendo a ser oposição

O PFL lançou ontem o CD-Rom "Oposição em Ação", uma coletânea com centenas de reportagens e artigos relacionados ao PT e publicados entre 1994 e 2002. Na apresentação do CD, a Executiva do partido diz ter compilado todo o material disponível em jornais e revistas no período. Por um sistema de busca, é possível descobrir, por exemplo, o que (de ruim) os principais caciques petistas diziam sobre acordos anteriores com o FMI.

Munição farta

O CD foi distribuído aos parlamentares do PFL para servir de ferramenta de oposição ao governo. "O CD servirá para refrescar a memória da opinião pública sobre o PT", disse o líder pefelista na Câmara, José Carlos Aleluia (BA). Aleluia acha que o recém-selado pacto com o Fundo será ruim para o PT nas eleições municipais de 2004. Na verdade, no disco, há farta munição eleitoral.

Assim falou... Saulo de Castro

"A polícia prende ou não prende, o resto é palpite de plantão."

Do secretário de Segurança Pública de São Paulo, em tentativa algo autoritária de reduzir o problema da violência à questão policial e de impedir o debate sobre a necessidade de uma política de segurança pública.

CQD

Um dia depois do anúncio dos termos do novo acordo com o FMI e da suposta divergência entre o presidente Lula e ministro Antônio Palocci (Fazenda) sobre o assunto, a agência de classificação de risco Fitch melhorou ontem, de B para B+, a classificação da dívida do Brasil. Assim como a Fitch, o mercado arquivou versões fantasiosas segundo as quais Lula estaria desautorizando Palocci.

Ora, Primeira Leitura, na edição de anteontem, já mostrava quão equivocada era essa leitura, oferecida pela mídia com alarde. "Contradição? Não. Lula fala para o eleitorado. E Palocci, para o mercado", informava essa coluna. Bingo. Ontem, o mercado voltou à rotina, e também o governo. Palocci começou o dia falando do acordo com o FMI no telejornal Bom Dia Brasil, da Rede Globo. Vendeu o acerto como muito diferente dos firmados entre o Fundo e o governo anterior, embora não haja diferença nenhuma, salvo para pior, dado que o sacrifício fiscal oferecido pelo governo Lula é muito mais duro. Ele mesmo confessa, nessa entrevista, que "não há elemento novo" na negociação.

Revista Consultor Jurídico, 7 de novembro de 2003, 9h36

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