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Jogo sujo

Rocha Mattos envolve escritório de advocacia e leva o troco

Ao desconfiar de que estava sendo grampeado, o juiz João Carlos da Rocha Mattos não teve dúvidas: passou a usar telefonemas para fazer contra-informação e tentar afastar o foco de si. É essa, pelo menos, a análise de advogados que se surpreenderam, nesta quinta-feira (6/11), com a divulgação da suposta degravação de uma conversa telefônica entre o juiz e o agente federal César Hermann.

No diálogo, Rocha Mattos tentou implicar o escritório do advogado Arnoldo Wald em irregularidades. Nas conversas gravadas na primeira fase da Operação Anaconda, eles citaram os nomes de vários juízes e ações apresentadas pelo advogado Arnold Wald -- que teriam rendido US$ 30 milhões.

Rocha Mattos insinua ainda que alguns juízes dariam decisões para favorecer um esquema fraudulento envolvendo títulos públicos. Em resposta, o escritório divulgou uma nota pública em que desmonta a tentativa do juiz.

Leia a íntegra da resposta do escritório:

Nota de Esclarecimento

"Em respeito à verdade, o Escritório Wald & Associados Advogados S/C esclarece que as afirmações referentes ao Escritório e atribuídas ao juiz João Carlos da Rocha Mattos, na reportagem intitulada "Gravação mostra Rocha Mattos falando sobre esquema com títulos públicos", publicada pelo jornal O Globo não correspondem à verdade.

O envolvimento do nome do Escritório é indevido, absurdo e caracteriza uma intolerável injustiça, tanto mais que não fomos ouvidos para rebater o enredo fictício criado em diálogo de duas pessoas com quem jamais mantivemos qualquer relação.

É falso que o escritório tenha se beneficiado de qualquer vantagem indevida, sob qualquer forma.

Dentre as centenas de ações que patrocina, o Escritório tem a seus cuidados sete ações referentes a apólices da dívida pública emitidas pela União. A argumentação é única e exclusivamente jurídica e baseia-se em pareceres de juristas respeitados no assunto como Miguel Reale Jr. e Aristides Junqueira Alvarenga.

As sete ações foram apreciadas por cinco juízes diferentes e não por um único como sugere a notícia. Dos sete pedidos, quatro foram julgados improcedentes -- o que mostra a enorme distância entre a realidade e as suposições publicadas.

Diferentemente do que se diz na reportagem, o escritório jamais pediu a distribuição das ações por dependência. Todas as ações foram distribuídas por sorteio eletrônico (feito por computador).

O único integrante do Judiciário de prenome "Marcelo" que atuou em apenas uma das sete ações e deferiu tutela antecipada foi o Dr. Marcelo Mesquita Saraiva. Uma outra antecipação de tutela foi concedida por um outro Juiz, sendo que veio a ser revogada pelo Tribunal.

A isso, acrescente-se que todas as apólices a que se referem as ações permanecem custodiadas na Caixa Econômica Federal -- CEF, aguardando decisão definitiva do Poder Judiciário.

Como em todos os casos em que atuamos, a única remuneração recebida corresponde aos honorários advocatícios devidos pelos serviços prestados (ao longo de muitos anos e por diversos profissionais) e que, compatíveis com os valores de mercado, não atingem sequer 1% do delirante valor referido na reportagem.

O Escritório Wald & Associados Advogados S/C, com cinqüenta anos de existência, pauta-se e sempre se pautou pela mais rigorosa conduta ética e, por isso, vem a público repelir as insinuações indignas e irresponsáveis publicadas."

Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2003, 21h21

Comentários de leitores

5 comentários

Sabem o que mais me espanta? É o fato do espan...

Ageu de Holanda Alves de Brito (Professor Universitário - Empresarial)

Sabem o que mais me espanta? É o fato do espanto que grande parte das pessoas têm demonstrado. Oras bolas! O que o "Juiz" Rocha Mattos fez ao declinar essas declarações foi nada mais nada menos do que dizer: Mas sou só eu, cadê os outros? Falar em controle do Judiciário, em reforma das polícias, em ética política, etc..., é apenas bla..bla.blabla...blaaaa. Moral, bons costumes, dignidade, honestidade entre outros, jamais serão impostos por lei. Moçinho e bandido vão sempre existir, devem ser punidos e ponto final. As instituições nada têm a ver com isso.

Penso que a conduta do magistrado sob investiga...

Carlos Alberto de Arruda Silveira ()

Penso que a conduta do magistrado sob investigação é no mínimo vergonhosa e repugnante. Deveriam os sócios do escritório tomar as providencias judiciais, contra esse péssimo exemplo da Magistratura. Inconcebível que um homem investido de tamanho poder, o poder de julgar seu semelhante, possa ter uma conduta tão indígna e merecedora do nosso desprezo.

Como muitos, nunca tinha ouvido falar do escrit...

Fernando J C Pereira ()

Como muitos, nunca tinha ouvido falar do escritório Wald. Mesmo com os esclarecimentos que prestou, daqui há algum tempo quando o assunto cair no esquecimento, ao se mencionar seu nome alguem dirá algo como: - "Não conheço mas jáouvi falar. Ele não estava envolvido no escândalo do judiciário?" Quando este pais irá respeitar e proteger efetivamente a honra de seus cidadãos?

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