Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Ampla defesa

Armaram contra mim para proteger alguém, diz Ali Mazloum.

Por 

O juiz federal Ali Mazloum -- acusado de formação de quadrilha, ameaça e abuso de poder -- afirmou que é vítima de uma armadilha. "Fizeram isso comigo para proteger alguém citado nas gravações de abril e maio", disse em entrevista exclusiva à revista Consultor Jurídico. As acusações contra Ali foram feitas com a deflagração da chamada Operação Anaconda.

O grampo a que se refere o juiz foi feito durante a investigação do envolvimento entre o comerciante Ari Natalino da Silva e o delegado Alexandre Crenite, acusados de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro. As ligações entre os dois e outros supostos envolvidos com o esquema foram interceptadas por dez meses. Contudo, a polícia afirmou, de acordo com notícias veiculadas na imprensa, que não houve grampo nos meses de abril e maio de 2003 porque não havia autorização judicial.

Ali diz ter documentos que comprovam que houve grampo em abril. "Como eu era o juiz do caso, insisti que queria as provas desse período e por isso armaram pra mim. Eles estão protegendo alguém que aparece nesses dois meses de gravação", afirmou, sem definir quem são "eles" e quem é "alguém".

O juiz se diz inocente de todas as acusações. "Nunca existiu ameaça contra policiais. Fui rigoroso com eles. Exigi provas. Só isso", declarou. Ele também refutou a acusação de formação de quadrilha: "Se houvesse algo, se eu fizesse parte de quadrilha, como eu teria condenado o Ari? Isso é um absurdo! Eu o condenei a quatro anos e seis meses de prisão", afirmou.

Na edição desta quinta-feira (6/11), o jornal Folha de S. Paulo transcreve parte de uma gravação em que o delegado José Augusto Bellini supostamente negocia, com uma interlocutora chamada Márcia, a venda de um habeas corpus. "A decisão judicial, chamada de 'HC' pelo delegado deveria ser assinada pelo juiz federal Ali Mazloum", afirma o jornal.

Perguntado sobre o assunto, Ali respondeu: "Quero que apontem qual é esse HC e qual é o processo para eu poder responder." E questionou: "Se o Bellini integra essa quadrilha, se eu integrasse essa quadrilha, porque ele não ligaria direto para mim? Por que procuraria essa tal de Márcia?"

"Tenho conversas gravadas desses grampos que provam que não tenho nenhum envolvimento com isso. Tem uma conversa de março de 2003, em que o delegado Alexandre diz para o Wellington Campos [advogado de Natalino]: 'Com esse juiz [Ali] não tem terreno fértil, precisamos procurar outros canais'", argumentou Ali. Ele disse, ainda, que há outras conversas mais reveladoras que demonstram que as acusações contra ele não procedem.

Segundo Ali, só há duas ou três conversas dele com o agente da Polícia Federal César Herman Rodrigues. "Em julho, mês de férias, pedi auxílio a ele [César] para receber minha família que estava chegando no aeroporto. Coisa normal. Também falei com ele sobre um material que ele ficou de me mandar, no fórum, que eu ia usar no livro que estava escrevendo", declarou.

O juiz afirmou, ainda, que até hoje não foi notificado pela Justiça. Ele já constituiu advogado -- o renomado criminalista Antônio Cláudio Mariz de Oliveira -- e está aguardando a notificação. Sobre os trechos de conversas de abril que diz ter em seu poder, Ali disse que só vai revelar nos autos, quando apresentar sua defesa. "Essas conversas vão desmascarar essa versão montada contra mim", declarou.

O juiz destacou, ainda, que outra prova de que não faz parte da quadrilha é o fato de o Ministério Público Federal ter oferecido a denúncia do caso Natalino/Crenite para a vara dele.

Depois da deflagração da Operação Anaconda, o juiz pediu afastamento do caso e foi atendido pela Presidência do Tribunal Regional Federal da 3ª Região. O próprio MPF também pediu exceção de suspeição do juiz. Mas como Ali oficiou a presidência do Tribunal antes, o pedido do MPF ficou prejudicado.

Laura Diniz é repórter da revista Consultor Jurídico

Revista Consultor Jurídico, 6 de novembro de 2003, 17h47

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 14/11/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.