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Quarta-feira, 5 de outubro.

Primeira Leitura: governo tenta mostrar acordo com FMI como conquista.

Bodas de papel

O Brasil decidiu firmar um novo acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI). O fato era mais do que sabido, mas a oficialização da notícia, ontem, pelo secretário do Tesouro, Joaquim Levy, reavivou o debate sobre a dependência do Brasil de ajuda financeira externa e das contrapartidas exigidas pelo organismo de crédito. Desde 1998, afinal, o Brasil está submetido a programas do FMI.

Reação

Na Câmara, o deputado petista Chico Alencar (RJ) lamentou a decisão e lembrou que o ministro Antônio Palocci (Fazenda) havia lhe dito, há seis meses, que a meta do governo era prescindir de tais acordos. "Há uma reversão de expectativas. Mais uma", disse Chico Alencar, ao acusar o governo de encaminhar esse tipo de acerto da mesma forma "tecnocrática e ortodoxa" de governos anteriores." No PSDB, o deputado Luiz Carlos Hauly (PR) afirmou que um novo acordo seria dispensável, e Arthur Virgílio (AM) reagiu com ironia: o governo Lula seria uma espécie de "amante" do FMI, na sua avaliação.

Seguro contra críticas

Já para se resguardar de críticas, o governo começou uma operação de tornar o acordo com o Fundo, sempre criticado pelo PT, numa coisa boa. Segundo Levy, trata-se de "uma ajuda para o crescimento". Ele anunciou ainda a chegada, hoje, da vice-diretora-gerente do Fundo, Anne Krueger, para participar das conversas.

Calendário amigo

Palocci prometeu divulgar os termos do entendimento na quinta-feira, e prosseguiu, assim, usando o calendário a seu favor: a cada vez que fala no acordo, o mercado reage melhor. Ontem, a taxa de risco do Brasil caiu, durante o dia, ao nível mais baixo desde de 21 de julho de 1998, a 575 pontos.

Pistas

Como só a opinião do mercado não basta, a forma de o governo Lula escapar de um constrangimento seria conseguir que o novo acordo com o FMI deixasse de contar como gasto público os investimentos da Eletrobrás -- a exemplo do que já ocorre com parte dos investimentos feitos pela Petrobras. Assim, o superávit primário seguiria de 4,25% do PIB, mas com alguma margem para investimento público numa área tão problemática quanto estratégica como a de energia elétrica.

Rendição, não

Em resumo, o governo tenta firmar com o FMI um acordo que possa ser mostrado como uma conquista, e não entendido como uma simples rendição.

Crescimento

A economia vai crescer pelo menos 3,5% no próximo ano. A estimativa é do secretário de Assuntos Internacionais do Ministério da Fazenda, Otaviano Canuto. Detalhe: para dar conta de criar empregos para o 1,5 milhão de jovens que chegam todos os anos ao mercado de trabalho, o Brasil deveria crescer mais de 4% ao ano, de forma continuada.

Mais crescimento

Na avaliação Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), o desempenho da indústria em setembro, cujo resultado será divulgado hoje pelo IBGE, pode surpreender positivamente: 3,4% em relação a setembro do ano passado e de 3,2% na comparação com agosto.

Mais ainda

Levantamento da FGV mostra que o consumidor está menos pessimista em relação à economia do país. O contingente de pessoas que consideraram a situação "normal" cresceu de 24,76% em julho para 26,97% em outubro. A parcela dos que acham que o cenário está melhor agora do que há seis meses subiu de 14,38% para 20,39%.

Assim falou... Luiz Inácio Lula da Silva

"Tenho visto que os bandidos estão ficando desaforados"

Do presidente da República, em Angola, ao comentar os atentados contra a polícia de São Paulo.

Bastidores do poder

Luiz Eduardo Soares, ex-secretário Nacional de Segurança Pública, soltou uma verdadeira bomba no salão de festas do petismo. Na noite desta segunda, concedeu ao programa Roda Viva (TV Cultura) uma entrevista verdadeiramente devastadora para o governo Lula. Durante uma hora e meia, evidenciou duas práticas corriqueiras no Planalto: a promessa de recursos para apoiar políticas que, depois, são negados pela equipe econômica e a espionagem cripto-stalinista a que estão sujeitos membros do governo.

Segundo disse, um seu assessor foi orientado pela cúpula petista do Ministério da Justiça a gravar ou anotar, às escondidas, todas as entrevistas e declarações que desse. Veja mais no site Primeira Leitura (www.primeiraleitura.com.br). Pelo terceiro dia consecutivo, a polícia de São Paulo sofreu ontem onda de atentados.

Revista Consultor Jurídico, 5 de novembro de 2003, 9h44

Comentários de leitores

1 comentário

Senhores, Só os doutos do PT são capazes de ...

Pacheco (Consultor)

Senhores, Só os doutos do PT são capazes de tamanha bravura!. O Brasil todo sabe que a negociação é para o detentor do capital financeiro continuar administrando a empresa - a maior dentre todas as existentes em território nacional - e, assim, com o estabelecimento do superavit primário continuar remunerando, e muito bem, o serviço da dívida. E viva o Palocci, o Dirceu e, no comando da nave, o Presidente da República Federativa do Brasil!. Atenciosamente Do, Pacheco

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