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Crise de confiança

Operação Anaconda coloca Polícia Federal paulista contra Brasília

Nesta segunda-feira (3/11), a Federação Nacional dos Delegados de Polícia Federal remete ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, carta em que relata estar a corporação "rachada" em decorrência da Operação Anaconda, deflagrada em São Paulo na última quinta-feira, sem a participação da superintendência paulista da PF.

Em entrevista ao site Consultor Jurídico, o delegado federal Armando Rodrigues Coelho Neto, presidente da Federação antecipa trechos da carta e interpreta que operações federais oriundas de Brasília, sem o conhecimento dos superintendentes locais da PF, já começam a se tornar a marca registrada do PT. "Olha, veja bem, isoladamente, algumas coisas aconteceram nos governos anteriores. O que nos preocupa é que isso aí está virando. O que era uma exceção, cheia de contradições, cheia de desencontros, está se tornando praticamente uma regra. Basta dizer para você que entre setembro e agora, começo de novembro, nós tivemos pelo menos três operações nessas condições", disse Armando. Leia a íntegra.

O que consta da carta ao ministro Thomaz Bastos?

Nesse documento nós vamos fazer uma retrospectiva de operações semelhantes que aconteceram em outras unidades e que se desenvolveram da mesma forma, à revelia e ao desconhecimento das autoridades locais, no caso dos superintendentes regionais. Nós temos um caso que aconteceu agora em setembro, em que o superintendente da Polícia Federal de Pernambuco não estava sabendo de operações que estavam sendo desenvolvidas lá. A Polícia Federal estava fazendo atribuições da Polícia Federal, numa violência ao Estado de direito, e fazendo isso sem que o superintendente da polícia federal de Pernambuco tomasse conhecimento.

A Polícia Federal só veio a tomar conhecimento que a Polícia Rodoviária estava em plena atividade de Polícia Federal em Pernambuco após o helicóptero da Polícia Rodoviária Federal ser metralhado, porque aí eles procuraram a Polícia Federal e só assim é que o superintendente local da Polícia Federal tomou conhecimento do fato. Então operações como essa, que têm deixado isoladas as autoridades locais têm gerado um descontentamento muito grande dentro da categoria como um todo.

Operações como essa já se repetiram no Rio de Janeiro, já se repetiram em Cuiabá, aqui em São Paulo pela Segunda vez se desenvolve uma operação sem que o superintendente da PF local tenha conhecimento e isso tem gerado um mal estar muito grande. É preciso deixar claro que as instituições policiais são marcadas pela hierarquia e pela disciplina, não se pode permitir que um segmento armado se conduza fora desses padrões e no caso aí, essa questão da ordem, essa questão da disciplina ela está sendo feita de uma forma que gera descontentamento profundo dentro da instituição. Então nós vamos fazer ao ministro da Justiça uma retrospectiva de fatos como esse que acabo de colocar para você e pedir ao ministro da Justiça que interceda junto à direção geral para que, vamos dizer assim, se reorganize e que traga a Polícia

Federal para dentro dos seus trilhos.

E deixar claro para o ministro, também, que nós não estamos contra a purificação da instituição. Mas é importante que não desenvolvam operações como esta, que colocam toda a instituição sob suspeita. A operação Anaconda colocou sob suspeita todos nós policiais de São Paulo, inclusive o superintendente, que ficou assim figurando como o suspeito número um, por não ter sido avisado do que estaria acontecendo aqui.

Esse tipo de racha, ou operação que não avisa as polícia federais locais, é típico do PT ou acontecia no governo anterior?

Olha, veja bem, isoladamente, algumas coisas aconteceram nos governos anteriores. O que nos preocupa é que isso aí está virando. O que era uma exceção, cheia de contradições, cheia de desencontros, está se tornando praticamente uma regra. Basta dizer para você que entre setembro e agora, começo de novembro, nós tivemos pelo menos três operações nessas condições

A PF hoje está dividida então como nunca esteve?

Eu não deixaria de fazer uma análise da PF sob esse prisma. A gente vê que é muito claro: a indicação do superintendente da PF em São Paulo foi uma indicação pessoal do presidente da República enquanto a direção geral, até onde a gente sabe, não teve uma interferência dessas. A rigor, São Paulo, vamos dizer assim, está diferenciada no contexto das demais superintendências.

O atual superintendente da PF em São Paulo, delegado Francisco Baltazar, foi indicado pelo presidente da República porque foi segurança de Lula na campanha, não?

Exato...

E o diretor da PF foi chefe de gabinete do senador Romeu Tuma. Na sua interpretação o delegado superintendente da SP está magoado com a Operação Anaconda?

Eu tenho informações de que o superintendente da PF em São Paulo ficou realmente muito perplexo, um pouco ressentido com a forma como esta operação se desenvolveu. Para você ter uma idéia já havia pessoas da operação em São Paulo há mais de 15 dias. E tudo isso só chegou ao conhecimento dele muito depois, quando emissoras de televisão de porte, jornais de grande circulação, puderam acompanhar de perto os trabalhos, quando o próprio superintendente não tinha conhecimento dos fatos. Eu tenho informações de pessoas próximas ao superintendente de SP de que ele ficou realmente muito indignado com essa situação.

Revista Consultor Jurídico, 1 de novembro de 2003, 18h32

Comentários de leitores

2 comentários

Desde quando esse pessoal que se encontra refes...

Antonio Fernandes Neto (Advogado Associado a Escritório - Empresarial)

Desde quando esse pessoal que se encontra refestelado no poder executivo (assim pequeno, como eles o fizeram) sabe o que é disciplina, hierarquia? Meu caro Amauri Alves Moreira, na faculdade ainda não ensinam que a Polícia é vinculada ao Poder Executivo e não ao Poder Judiciário? Por conseguinte, A POLÍCIA, seja ela estadual ou federal, não faz parte da Justiça. Os atuais ocupantes do executivo federal não sabe o que é UNIÃO. Acham que podem imiscuir-se nos demais Poderes da União, pregando a cizânia no Brasil. Para tudo e a todos dominarem, praticam descalabros que põem uma parte da Instituição Polícia Federal em decubito dorsal e outra parte, hierarquicamente inferior, em cima daquela.

Bom , fico feliz em saber que a Justiça do Bras...

Amauri Alves Moreira ()

Bom , fico feliz em saber que a Justiça do Brasil trabalha de uma forma oculta e com "seriedade" . Vamos aguardar primeiramente a apuração dos fatos , antes de podermos confirmar as informações . É claro, a corrupção ja se "materializou" em formas de homens e mulheres, talvez seja o começo de uma reforma , para podermos ter orgulho da nossa justiça brasileira.

Comentários encerrados em 09/11/2003.
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