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Toma lá, dá cá.

TST rebate afirmação feita por Lula em discurso no Planalto

Agora, depois da minha posse, tem 7 Ministros fazendo parte de um grupo junto ao Ministério do Planejamento, tentando discutir com os sindicatos um novo padrão de relacionamento. Porque tudo não se resume a 1%, a 2%, a 10% de aumento do salário. O que nós precisamos é criar um outro padrão de relacionamento entre o Estado e a sociedade, entre o Estado, Governo e os servidores públicos.

Eu estou convencido de que o movimento sindical brasileiro tem que dar um salto de qualidade e extrapolar os limites do corporativismo. Alguns já fazem isso e fazem com maestria. Mas a luta hoje não se resume a ir a uma porta de uma fábrica e reivindicar 5% de aumento do salário. Isso é importante e é necessário. Mas acontece que, quando o trabalhador sai da fábrica ele é um cidadão. E, como cidadão, ele tem direito a outras coisas. O movimento sindical tem que assumir essa representatividade dentro da fábrica e fora da fábrica.

Eu dizia para os meus amigos dirigentes sindicais: todas as coisa que vão ser discutidas no Congresso Nacional têm interesse quase que direto para os dirigentes sindicais. Mas, muitas vezes, a nossa cultura sindical permitiu que a gente só fosse economicista. "Então, acabou a data-base, acabou a nossa obrigação, vamos esperar o ano que vem para ver o que vai acontecer." Mas, hoje, a responsabilidade é muito maior, porque o Paulinho, o Marinho, o Neto, o Alemãozinho, o Salim, quando vão a uma porta de uma fábrica, hoje, de um banco ou de uma loja, eles não fazem o discurso apenas contra o empregador, eles têm que dar resposta à questão do desemprego, para aquele que está na porta querendo o emprego. E aí fica mais difícil e exige mais de todos nós.

Eu digo sempre para os meus amigos sindicalistas assim: o tempo de ser sindicato apenas de contestação já passou, e eu, possivelmente, tenha me notabilizado por isso. Agora, a História está a exigir tanto dos trabalhadores como dos empresários uma outra cabeça. Uma outra forma de comportamento. Ou seja, a solução dos problemas da sociedade brasileira passa pelo fato de vocês se entenderem. Para discutir, desde a geração de postos de trabalho a direitos, que têm que ser mantidos.

Outros têm que ser reformulados. Há tratamentos diferenciados entre empresas, em função dos seus tamanhos. Eu levei muitos anos para conseguir fazer com que os empresários fizessem acordo por categoria econômica. Muito tempo. Não foi fácil.

Então, eu quero dizer aos meus amigos sindicalistas, aos meus amigos empresários que estão aqui presentes, aos políticos, Deputados, Senadores, aos representantes do Poder Judiciário, que este é o momento histórico que nos dá a oportunidade de dizer se nós evoluímos ou não, se nós nos modernizamos ou não e se nós queremos estar aparelhados ao que existe de mais moderno no mundo ou não, se nós queremos continuar a defender uma estrutura que favorece sempre menos gente e cada vez menos gente.

O desafio está colocado, a bola está com vocês. Bom jogo e boa luta!

Obrigado.




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Revista Consultor Jurídico, 29 de julho de 2003, 17h44

Comentários de leitores

4 comentários

Concordo em gênero, número e grau com os colega...

José Enéas de Miranda Frazão ()

Concordo em gênero, número e grau com os colegas que têm se pronunciado sobre os "arroubos oratórios do homem". Pelo amo de Dweus, não o deixem falar de improviso...

O testo pode ser resumido numa pequena frase, "...

Gilson Santos Brandão (Advogado Autônomo - Trabalhista)

O testo pode ser resumido numa pequena frase, "quem fala demais dá bom dia a cavalo"

Caro Mário Celso Corrêa. Eum um dos comentár...

Othon de Andrade Filho ()

Caro Mário Celso Corrêa. Eum um dos comentários, estranho um militar dizer: "o presidente deles". Ignora o autor do texto e o Sr., que a palavra talvez é sinônimo de possívelmente. Certamente o TST, egrégia instituição, tenha como fim preservar a justiça do trabalho. Não obstante, parecem ignorar os Srs que as instituições são representadas por pessoas e estas, infelizmente, por razões pessoais muitas vezes prejudicam aqueles que representam e entendo (por razões mais profundas) sempre inconcientes. Um grande homem não se reconhece pelos títulos que tem. Um governo não é composto por somente um homem. Um país é como um corpo onde cada cidadão representa suas diversas partes. Quando uma parte de nosso corpo está doente, nós estamos doentes. Enquanto um só cidadão desrespeitar os direitos do próximo, atingirá as outras partes do corpo. Uma vez me disseram que um homem chamado Francisco Cândido Xavier, um coitado segundo alguns, pois sequer terminou o ensino médio, ao ser indagado por um reporter sobre o que esperava do presidente que assumia, respondeu o seguinte: "Eu nada espero! Entendo que devo fazer a minha parte." Enquanto as partes do conjunto se esquecerem de cumprir seu papel, teremos um corpo doente. Se neste momento o representante máximo de nossa nação nos entregasse um país equilibrado e tivessemos o perdão de todos os nossos erros... (fraudes dos empresários, sonegação de impostos das pessoas - quando sonegamos impostos, não lesamos o presidente, lesamos a sociedade para quem os recursos devem ser destinados) ...teriamos novamente em breve tempo, o retorno da desigualdade, porque a doença que contamina o país, está nas pessoas. Somos um conjunto. Talvez se traduz por humildade. othon@tributarista.org.br

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