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Saúde financeira

Como enfrentar as dificuldades de caixa nas empresas

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De um modo geral as dificuldades financeiras, vivência absolutamente comum na grande maioria das empresas, algumas inclusive em grau de insolvência, ocorrem de fato quando elas já não são capazes de cumprir normalmente seus compromissos com credores. Tema difícil de ser discutido é encontrar um receituário de como enfrentar tais dificuldades pelo enorme rol de repercussões que acometem tais organizações, considerando ademais que a maioria das que entram em declínio de caixa costumam não ter um mapa básico para enfrentar tais desarranjos.

Este é na verdade o primeiro problema, ou seja, a empresa mal tem consciência exata do tipo de doença que enfrenta. Em "Inter-relações entre eventos de Inadimplência", Beneish e Press, classificam a falta de saúde das empresas em três estágios distintos, e com sintomas específicos: a) A moratória técnica, b) Moratória do serviço da dívida, e c) quebra (falência). Quando eventualmente cláusulas contratuais de obrigações de passivos contratados não podem ser honradas incorre-se em moratória técnica.

Nela a deterioração do fluxo de caixa não é grave a ponto do irreversível, de impedir o serviço de rolagem desse passivo, enfim do pagamento dos juros prometidos ou até do principal da divida. O que se faz normalmente nestes casos e um esforço de recomposição do caixa, relocalizando no tempo este passivo até o ponto ótimo de devolver-se à geração de caixa a níveis normais. Considere-se, no entanto que é preciso aí com toda agudeza identificar-se afinal onde o caixa está "descompassado", e neste aspecto intervenção segura, objetiva e clara, acaba percebendo a origem da doença a ponto de se restabelecer a saúde financeira.

E esta sintonia fina de determinar o balanço de caixa ideal é vital para qualquer tratamento. Várias modelagens sobre o caixa ideal são por isso concebidas nestes exercícios. O modelo "Baumol" parte do princípio de que se tem certeza absoluta do fluxo de caixa, entradas pontuais e saídas contínuas, conhecidas e compatibilizadas. O modelo "Miller e Orr" parte de fundamento alternativo baseado na suposição de que os padrões de fluxo de caixa são incertos, então se cogita sobre as diferenças entre os limites mais altos e mais baixos do balanço de caixa.

"Stone" desenvolveu um modelo de administração de fluxo de caixa que situa-se entre o de "Baumol" e o de "Miller e Orr". Pressupõe que a administração tem capacidade de caixa com proporção que pode ser prevista e uma outra parcela que é variável. Assim os balanços de caixa são medidos permanentemente, flutuando dentro dos limites internos, em primeiro fundamento, no entanto se esses limites externos forem atingidos o gestor intervém imediatamente. Na prática isto pressupõe que se tem ainda enorme marcha de manobra, na direção de remover concretamente estes desconfortos (definição do problema, obtenção dos fatos, formulação das alternativas, ponderação e decisão).

No estágio de moratória do serviço da dívida a empresa convive então com deterioração do fluxo de caixa de forma mais intensa e grave, e neste estágio além de não gerar capacidade de amortizar o principal estará comprometida e debilitada ao ponto de não pagar inclusive o serviço deste passivo, obrigando-se a tratamento de choque, de maior espectro.

Em estado de insolvência as dificuldades já se aprofundaram aos níveis máximos de incapacidade, ou seja, a empresa encontra-se em estado terminal. Em todos os casos o que é essencial é a capacidade de identificar logo os sintomas do caixa, tratando imediatamente as suas causas, identificando a doença com correção, com a mão firme da terapia, e a minimização das incertezas.

De um modo geral os administradores sempre subestimam as doenças do caixa, pôr cerimônia ou desconhecimento camuflam sua sintomatologia, não tomam remédios adequados, escondendo aquela aparente "febríola" até efeitos de moléstias graves ou irreversíveis efeitos da mortalidade. Uma coisa é certa: qualquer doença no caixa sempre apresenta vários sintomas sinalizadores antes dela se propagar.

 é titular da Cannizzaro & Associados S/C Ltda.

Revista Consultor Jurídico, 28 de julho de 2003, 12h18

Comentários de leitores

1 comentário

Torna-se verdadeiramente irritante, tantos diál...

Eduardo Leite ()

Torna-se verdadeiramente irritante, tantos diálogos e utilização das mais variadas técnicas como busca incessante para solucionar problemas de caixa nas empresas. Fala-se tanto em juros baixos, quando na verdade os percentuais de redução não influem em nada no comportamento do consumidor. O Governo precisa na verdade para solucionar os problemas de caixa e operacionais das empresas, de reduzir a carga tributária e dos encargos sociais incidentes sobre a folha de pagamento, este sim, responsável pelo desemprego que assola o pais e desestimula os empresários.Os impostos por outro lado, nao vem cumprindo o seu papel estrutural pelos desvios e corrupção e muito menos a previdência

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