Consultor Jurídico

Notícias

Você leu 1 de 5 notícias liberadas no mês.
Faça seu CADASTRO GRATUITO e tenha acesso ilimitado.

Clóvis Sahione 1

Bom dia!

Vergonhoso e insustentável o artigo do advogado Félix Soibelman, principalmente vindo de um operador do Direito.

Que todos têm direito à defesa nós sabemos, pois a Constituição Federal nos ensina a esse respeito. No mesmo diploma legal, vamos encontrar a inviolabilidade do advogado, no art.133, CF/88.

Mas orientar e ser conivente com um cliente induzindo-o a cometer uma fraude, é, no mínimo, falta de ética pessoal e profissional.

A orientação de um advogado sério deve ser no sentido de resguardar o seu cliente, a defesa ampla e perfeita, e não de o colocar numa situação de mentira e fraude.

Que a imprensa extrapola os limites permitidos e beira o escândalo é outro fato, porque também sou jornalista e vi de perto o dia-a-dia de um repórter. Mas a declaração existiu de fato, é verídica e foi publicamente noticiada.

Não se conserta um erro argumentando-se outros erros, como por exemplo, a falência do sistema penitenciário e outras mazelas sociais do Estado. Muito menos a discussão dos "defeitos" do Judiciário serve como argumento para "tapar o sol com a peneira", e achar correta a conduta de um advogado experiente.

Eu, dr. Félix, não orientaria um cliente a falsificar a sua assinatura, pois acredito que a verdadeira Justiça só é possível quando a verdade está presente. Mesmo que a verdade seja prejudicial para o meu cliente, não conseguiria, eu, como advogada, ser conivente com um crime ou com uma fraude, mesmo que alguns colegas digam que sou "paga" para isso.

A ética deveria, sim, acompanhar a moral. E se ainda não o faz, não é por culpa do Estado, dos Tribunais Superiores, da imprensa ou de qualquer outro órgão, e sim, porque cada advogado, promotor, defensor, juiz, é antes de tudo um homem, e para tanto, há que se ter moral e ética, sem esperar dos outros o que ainda não pratica.

Portanto, é correta a atitude tomada pela OAB-RJ em relação ao dr. Clóvis Sahione. A Ordem tem que ser rigorosa com todos os seus inscritos, cumprindo à risca o nosso Estatuto.

Se o sr. dr. Félix, esqueceu os seus ideias, na ante-sala do escritório, saiba que muitos advogados, mesmo anônimos, ainda teimam em acreditar nesses valores, e por causa desses anônimos e honestos operadores do Direito é que ainda temos esperança numa Justiça mais real.

Não bato palmas para o dr. Clóvis Sahione nem para qualquer outro advogado que tenha sua conduta regida pela mentira, e que, infelizmente, tenham abandonado os seus ideais.

Agora pergunto eu, não como advogada, mas como cidadã: Se os fiscais não queriam "virar" mulher numa penitenciária, por que desviaram tanto dinheiro? Pensaram nisto antes?

Ah, sim! Ainda não há nada provado, com sentença transitada em julgado. Mas transformar a peça de defesa na acusação de que penitenciária não é um lugar digno, convenhamos, é ridículo e iríamos reduzir a capacidade de avaliação do juiz a zero!

Ora, se fôssemos usar tal argumento em toda peça de defesa, não haveria mais nenhum artigo ou lei que precisasse ser trazido à tela, apenas dizer que nosso sistema penitenciário é falho e indigno, e que por isso, viola a CF/88 nos direitos dos presos.

Diante de tal argumento, todos estariam absolvidos.

Minhas homenagens vão para todos os advogados que levam a ética e a moral junto com o diploma e a sabedoria. Profissionais anônimos ou não, mas que fazem da advocacia um orgulho e motivo de credibilidade.

Andrea Cople é jornalista e advogada no Rio de Janeiro e em Porto Alegre.

Leia o artigo citado pela leitora:

10/7/03 - Caso Sahione

Inviolabilidade foi enxovalhada pela Ordem do Rio

Revista Consultor Jurídico, 11 de julho de 2003, 13h26

Comentários de leitores

0 comentários

Comentários encerrados em 19/07/2003.
A seção de comentários de cada texto é encerrada 7 dias após a data da sua publicação.